ago
25

BOA TARDE!!!

A jornalista Aurora Vasconcelos, amiga do peito do Bahia em Pauta de longa data (e deste editor mais ainda), faz um mergulho profundo e bem humorado na alma humana dos usuários dos buzus na Cidade da Bahia, durante rápido trajeto “até o ponto” do Iguatemi.

Texto primoroso publicado no espaço de Aurora no Facebook.

BP reproduz para deleite de seus leitores, com uma anotação: Aí está a cronista que poderia matar a imensa saudade e o grande vazio deixados na imprensa da Bahia, desde a partida de Armando Oliveira. Vejam , por exemplo, a “dona Miúda” perfeita (personagem emblemática da mulher do povo de Salvador nos escritos de Armando) que Aurora descobriu sentada bem à sua frente no trajeto do ônibus soteropolitano.

Confira e Boa viagem!!!

(Vitor Hugo Soares)
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CRÔNICA SOTEROPOLITANA

Figuras de buzus

Aurora Vasconcelos

Esta semana peguei um ônibus para o Iguatemi. Estava distraída. Uma senhora sentada na minha frente falava ao celular. Não prestei atenção no que dizia até que percebi olhares curioso e até desaprovadores para ela,que também percebeu.
Desligou o celular e defendeu-se dos olhares. “É meu marido. Estou com ele há quatro anos. É viúvo. Me ligou para dizer que está passando mal. Eu mandei ele chamar os filhos dele que não servem para nada. O homem está doente e não quer nada.Já arranjei todos os papéis prá ele fazer exame no Roberto Santos e ele não apareceu. Não foi uma vez só não. Agora diz que o xarope acabou. Como, se eu levei dois frascos?”

”Ah,diz imitando a voz do marido, a menina (a filha dele que mora na ilha, explica) tava tossindo e tomou”. “É? Então manda ela comprar. Agora, eu vou largar minha mãe e dois filhos doentes e me despencar para levar xarope prá ele? Eu não”.

O ônibus já tomava parte do imbróglio, alguns faziam perguntas, outros diziam que ela estava certa. Alguns riam. Ela também começou a achar graça da própria história. Negra, cabelo natural, curto, óculos, vestida com simplicidade, idade que podia ir dos 38 aos 50 anos, bem simpática.

Alguém perguntou sobre os filhos e ela respondeu que um tinha síndrome de down e o outro era hiperativo. Tinha um terceiro que felizmente não tinha problemas. ” Vivi com o pai deles 20 anos e ele sempre cuidou de mim. Agora, esse aí quer que eu fique cuidando dele”.

Outra pessoa perguntou se ela recebia auxilio do governo pelos filhos “. Só do mais velho”, ela respondeu já dando risada. “Imagine que a filha dele disse que nenhuma mulher ia substituir a mãe dela, como se eu quisesse substituir alguém. Só aparece lá, pega o dinheiro dele e some. E eu é que vou ter que levar xarope. Eu é que não vou largar minha mãe por causa dele”.

Saltei do ônibus pensando no jargão de uma colega “É, a vida não está fácil para ninguém”. Não está mesmo. Mas, pelo menos, ainda dá para rir.


Trenet, sempre Trenet. Formidável!

Vai para Natascha, lá no Paraná das melhores esperanças brasileiras, neste 25 de agosto de seu aniversário, ao lado da linda Giovana e Fabrício. Com afeto e admiração cada vez maior.
(Hugo e Margarida , a madrinha Ila)

(Vitor Hugo Soares)

ago
25

EU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Cantemos juntos

“Cunha/ guerreiro/ do povo brasileiro”, bradaram os militantes da Força Sindical, à frente o deputado Paulinho, para recepcionar o deputado Eduardo Cunha na sede da central.

Esse refrão, que já foi cantado para Lula e José Dirceu, está, realmente, decaindo de prestígio.

A vantagem dos petistas, neste caso, é que o adversário está apelando também para o método do desespero.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

“Boneco de Lula é um desserviço”

Dilma usou seu encontro com jornalistas para alertar que “botar bomba no Instituto Lula” e “fazer aquele boneco” é um “desserviço” ao País. Nesta segunda-feira negra, isso é tudo o que ela tem a dizer? Na verdade, não. Ela falou também que acha “perigoso” o povo ser pessimista e, quando questionada sobre a recessão, saiu-se com a seguinte frase: “Uma previsão é a melhor estimativa possível. Nós faremos nossa previsão, mas com condições de contorno bem claros”. Entenderam?…

ago
25
Posted on 25-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-08-2015

Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

ago
25

DO EL PAIS

Afonso Benites

De Brasília

O vice-presidente da República, Michel Temer, confirmou nesta segunda-feira, 24, os boatos que correram na semana passada sobre sua saída da articulação política. A partir de agora, Temer deixa o ‘varejo’ dos cargos de segundo escalão e distribuição de emendas parlamentares. Mal saiu do dia a dia do cargo que ocupou desde abril, e líderes da oposição procuraram Temer (PMDB) para conversar. Chegaram a anunciar que seriam recebidos pelo peemedebista em um jantar na residência oficial, o que foi negado por sua assessoria. De qualquer forma, tentam insistentemente se aproximar ainda mais dele, na esperança de conseguirem convencê-lo a levar o seu partido, do qual é presidente, para o outro lado da bancada. Até a noite desta segunda, não tinham obtido sucesso.

Considerado o fiador da estabilidade política desde que assumiu a função de articulador, Temer tem bom trânsito em quase todos os partidos. Ao comunicar Rousseff que deixaria o varejo da articulação junto ao Congresso Nacional e trabalharia apenas com a macropolítica, deu um fio de esperanças para um lado e um novelo de preocupações para o outro.

Mesmo Temer dizendo que não vai mais negociar cargos e emendas parlamentares, mas que continuará ajudando Rousseff com os temas maiores, como projetos de interesse do Governo na Câmara e no Senado. Nesta terça-feira, por exemplo, ele deverá receber um grupo de líderes da base aliada na Câmara para discutir “projetos de interesses” da União.

Um dos argumentos dados por ele quando anunciou sua decisão foi de que o grosso do trabalho já tinha sido feito, que era o de garantir a aprovação do ajuste fiscal no Congresso Nacional. Agora, a passagem de bastão será feita pelo braço-direito de Temer, Eliseu Padilha, o ministro da Aviação Civil, que o ajudava na articulação e promete manter o auxílio até setembro. O nome do substituto não foi definido.
Bomba esperada

Mesmo que fosse um movimento já esperado, houve quem considerasse a saída de Temer da rotina de articulador uma bomba política. A relação entre o peemedebista e a presidenta estremeceu duas semanas atrás. Na ocasião, Temer deu uma declaração dúbia ao fazer um apelo aos deputados federais. Disse que, diante da atual crise política, alguém precisaria assumir a responsabilidade de “reunificar o Brasil”.

Nos últimos dias, os ataques internos contra ele aumentaram. Os principais “atiradores” foram petistas que circundam Rousseff. Esse grupo imaginava que ele estava levantando o dedo e chamando para si a responsabilidade de retirar o país da crise. A oposição se animou achando que ele era a favor do impeachment presidencial. Foi quando petistas como Giles Azevedo, um assessor especial que já foi chefe de gabinete de Rousseff, passaram a atuar junto aos congressistas — papel que era exclusivo de Temer e de Eliseu Padilha.

Somado a isso, havia as várias barreiras financeiras impostas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O toma lá, dá cá da política brasileira inclui a troca de nomeações e o pagamento de emendas parlamentares por apoio parlamentar. Assim, a dupla Temer-Padilha fazia promessas de cargos e verbas para os aliados. Mas Levy, que teve um forte apoio do PMDB para ser indicado ao cargo, barrava certas promessas dizendo que o caixa do Governo estava apertado. Ou seja, como diz um aliado do deputado, “ele tinha o poder, mas não a chave do cofre”.

Quando assumiu a função de articulador em abril, Temer parecia saber que havia uma espécie de maldição na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Dos nove ministros que ocuparam a pasta desde que ela foi criada, em 2004, apenas um ficou no cargo mais de dois anos. O ministério é uma espécie de telhado de vidro do Governo. Todas as queixas dos congressistas são voltadas a ele. O deputado Pepe Vargas (PT-RS), atual chefe da Secretaria de Direitos Humanos, que o diga. Ficou menos de quatro meses na função.

Talvez seja por isso que Temer pediu para não ser nomeado ministro. Acumulou as funções da SRI na vice-presidência. Assim ele não precisou ter um rompimento brusco com o Governo quando decidiu diminuir sua atuação. Um dos deputados que o acompanha desde a década de 1990 disse que Temer foi tão estrategista que não abriu nem fechou as portas para o Governo nem para a oposição. Deixou todas entreabertas.

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