DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Povo nas ruas com bandeira e sem direção

Partidários graduados do impeachment da presidente Dilma Rousseff usam as manifestações populares para justificar o objetivo, mas o povo nas ruas, ao tempo que grita o “fora Dilma”, repudia também outras personalidades da vida pública e os partidos políticos em geral.

Isso significa que a população, embora insatisfeita com o quadro atual, não sabe exatamente o que quer, pois o lugar da presidente será ocupado necessariamente por um desses nomes ou legendas cuja rejeição vem de uma arrogância difusa na sociedade, que a faz julgar-se superior aos representantes que periodicamente elege.

Seria maravilhoso pensar romanticamente e achar que estamos diante de um autêntico movimento democrático, mas o povo só iria de fato às ruas para determinar mudanças se estivesse organizado nas bases, consciente dos problemas e discutindo soluções efetivas para os rumos do país.

Do jeito que vêm sendo as coisas nas manifestações pós-eleitorais a que assistimos desde o início do ano, nada mais temos que uma massa de manobra de interesses de terceiros, por enquanto ocultos para a maioria.

O que ocorre são folguedos dominicais de segmentos que querem derrubar a presidente por impulso folclórico, densamente estimulados pela mídia, sem saber o que vem depois. Ao cair da tarde, todos retornam para casa, e as decisões e as estratégias ficam com os interessados diretos, que aparecerão no momento exato.

Partido, esse odioso instrumento fundamental

O povo, a população, a sociedade tem de saber que não se administra com o máximo de justiça possível um país, ainda mais do tamanho e da complexidade do Brasil, sem os partidos políticos, cuja inexistência – ou ineficácia, como no caso brasileiro – seria muito pior.

Participar de eleições por obrigação, para não sofrer os desconfortos da lei, e depois deixar o resto aos cuidados dos “profissionais” até o próximo pleito, decididamente, não resolve nem adianta – estaremos levando ao poder negociantes do voto, que por quatro anos não pensarão em outra coisa.

Certos segmentos se colocam, com presunção e elitismo, acima dos partidos, considerando-se melhores que aqueles que neles militam, quando, na verdade, erram por omissão burra e irresponsável, como se dessem a estranhos o direito de conduzir-lhes a vida.

Por essa ótica, embora em geral movidos por “nobres ideais”, participantes de passeatas mais contribuem como massa de manobra para terceiros. Algo semelhante, respeitada a profunda diferença entre as duas situações, aos “caras-pintadas” que acreditaram sinceramente ter derrubado Fernando Collor em 1992.

Naquela época, havia uma decisão previamente sacramentada contra um projeto pessoal movido a corrupção de um “líder” sem, justamente, um partido para sustentá-lo – daí a importância dessa estrutura orgânica.

Ainda que na prática nada valham seus programas e dirigentes, os partidos são o mecanismo de interferência do qual a sociedade, aereamente, abre mão.

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Comentários

Fernanda on 19 agosto, 2015 at 1:14 #

Talvez não seja o caso de publicar este comentário, mas considero oportuno que o referido jornalista leia a seguinte consideração sobre o caso: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/movimento-brasil-livre-e-vem-pra-rua-nao-tem-de-apresentar-plano-de-governo-coisa-nenhuma-isso-e-conversa-de-adesistas/


jader on 19 agosto, 2015 at 17:21 #

Taciano Lemos de Carvalho on 19 agosto, 2015 at 18:35 #

Pingos nos ii

Do Blog Náufrago da Utopia
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/08/pingos-nos-ii.html

“Não podemos ter uma visão simplista de que dia 16 foi fora Dilma! e de que dia 20 é viva Dilma!, porque não é.

O ato é contra o golpismo que pretende a derrubada da presidente Dilma Rousseff para substituí-la por alternativas à direita, mas não está defendendo um governo que é indefensável do ponto de vista da política econômica e do ajuste fiscal que vem conduzindo.” (Guilherme Boulos, líder dos sem-teto, desmentindo a propaganda governista)


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