DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Embargos auriculares têm poder

Eles não desistem de tentar melar a Lava Jato. Leiam o que a Folha publicou:

“O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) vai discutir a validade do acordo de delação premiada firmado pelo doleiro Alberto Youssef, apontado como um dos organizadores do esquema de corrupção da Petrobras e que se tornou um dos principais colaboradores da investigação. A decisão é do ministro Dias Toffoli, relator de um pedido feito pela defesa de Erton Medeiros Fonseca, executivo da Galvão Engenharia, para anular o aval de outro ministro, Teori Zavascki, ao acordo que Youssef fez com o Ministério Público Federal.”

O autor do questionamento é José Luís de Oliveira Lima, ex-advogado de José Dirceu, assim como Dias Toffoli.

O ministro mudou o seu entendimento inicial, de que nada havia de errado na delação de Youssef, apesar de o doleiro ter rompido pacto anterior com a Justiça, e a coisa foi encaminhada ao plenário.

Embargos auriculares continuam a ser poderosíssimos em Brasília. Mas, nesse caso, tudo é jogo de cena. O STF não vai anular nada.

“Aos pés da cruz”, de Marino Pinto e Zé da Zilda, em sopro mágico de uma lenda do jazz, Miles Davis.

BOA TARDE!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

A linha FHC

Fernando Henrique Cardoso pediu a renúncia de Dilma Rousseff em sua página do Facebook.

Mas isso foi o de menos.

Ontem, depois publicar a mensagem na rede social, ele fez algo muito mais importante: reuniu Aécio Neves e Geraldo Alckmin em seu apartamento e mandou-os “alinhar seus discursos”.

A ordem imposta por Fernando Henrique Cardoso repercutiu imediatamente no Congresso Nacional: Aloysio Nunes anunciou que o PSDB votaria pelo impeachment de Dilma Rousseff.

Segundo a Folha de S. Paulo, “tucanos interpretaram a fala de Aloysio como um recuo do discurso adotado anteriormente pelos aliados de Aécio, que defendiam a realização de novas eleições”.


FHC colocou os tucanos na linha


BOM DIA!!!


Manifestação de apoio ao juiz Sérgio Moro em frente a Justiça Federal, em Curitiba.

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Gil Alessi

De Curitiba

Os frentistas do posto Shell na rua São Luiz, no bairro da Matriz, em Curitiba, têm uma certa deferência por um cliente ilustre, que visita o local com frequência. É o juiz Sérgio Moro, que comanda a investigação da Lava Jato e distribui sorrisos a cada palavra de incentivo que recebe no local onde abastece o carro, ao lado do prédio da Justica Federal, em Curitiba. “Ele é gente da gente”, diz Killian Matheussi, 44. Ele já se acostumou a ver o temido promotor comprar balas tic tac e tomar um cappuccino quando vai ao local. “Moro é um dos melhores que têm por aí. Ficamos muito orgulhosos pelo trabalho que ele faz”, afirma o frentista Júlio Pereira do Santos, 49, eleitor do PT “desde sempre”. De acordo com ele, o juiz responsável pela Lava Jato é “humilde, simples”. “Outro dia fui encher o tanque do carro dele e falei para ele não desistir. Ele disse que está difícil…”.

Moro se tornou um do grandes ícones do brasileiro que se sente impotente diante da guerra contra a corrupção que parece sempre perdida. Pelo menos até agora. Nos atos deste domingo, que aconteceram em várias cidades do Brasil pedindo a saída da petista do Governo, camisetas com o rosto do juiz e cartazes agradecendo seu trabalho eram o retrato da esperança que se deposita em Moro.

E na capital do Paraná, coração da investigação comandada por ele, não podia ser diferente. A cidade ganhou uma decoração espontânea que lembra os tempos de Copa do Mundo: faixas de apoio e bandeiras do Brasil tomam conta dos arredores do prédio da Justiça Federal, da Polícia Federal (onde está preso José Dirceu) e até mesmo do Museu Oscar Niemeyer, que recebeu dezenas de obras de arte apreendidas na operação. Um outdoor em frente ao prédio planejado pelo renomado arquiteto diz: “A Justiça é nossa esperança, brasileiros apoiam Lava Jato, PF, MPF e Justiça Federal. Vocês estão reescrevendo a história”.

Próximo ao ‘sistema nervoso’ da operação, até as árvores estão decoradas com panos nas cores verde e amarelo.

Escândalos e figurinhas repetidas

Fatos como os investigados pela Lava Jato não são novidade no Paraná. Em 2000 estourou no Estado o caso Banestado, envolvendo a remessa de divisas para contas do Banco do Estado do Paraná em Nova York. Tudo isso com a participação do doleiro e delator Alberto Yousseff, pivô do escândalo de corrupção na Petrobras desvendado em 2014. Estima-se que entre entre 1996 e 2002 cerca de 60 bilhões de reais foram enviados de forma irregular para os Estados Unidos. Só 5,1 milhões foram repatriados, e há 33,2 milhões de reais bloqueados em contas internacionais.

O escândalo dos anos 2000 resultou em 97 condenações, mas a maioria delas foram sentenças de prestação de serviços à comunidade. Pessoas apontadas pelo Ministério Público como sendo líderes do esquema foram beneficiadas pela prescrição dos crimes. Ex-diretores e gerentes do Banestado tiveram as penas extintas por decisão do Superior Tribunal de Justiça. E foi também neste caso que Yousseff assinou seu primeiro acordo de delação premiada – quebrado parcialmente à partir do momento em que ele voltou a se envolver nos crimes investigados pela Lava Jato.

Yousseff não é a única figurinha repetida nos dois casos citados. Grande parte dos procuradores da República que atuaram no episódio Banestado trabalham agora na Lava Jato. De acordo fontes do Ministério Público Federal, esse é um dos motivos que fez com que a investigação da corrupção na Petrobras avançasse tão rapidamente: uma equipe que se conhece, já trabalhou junta, acredita na delação premiada como ferramenta de investigação, e está “escaldada” com a impunidade dos principais líderes do caso Banestado.

O próprio juiz Sérgio Moro se especializou em crimes financeiros durante o caso Banestado. Existe unanimidade de que o episódio foi o passo final na formação de um juiz considerado “justiceiro”, na opinião de uma fonte policial. Seu livro Crimes de Lavagem de Dinheiro (2011) é uma referência nacional na área.

“O curitibano está se sentindo representado”, afirma Lenice Accordi, 52, dona de uma banca em frente à Justiça Federal. “Só espero que agora não acabe em pizza como outros casos investigados”. Ela lamenta que o juiz nunca tenha ido até seu estabelecimento comprar uma revista, mas se mostra compreensiva: “ele deve andar ocupado”. E como…

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Posted on 19-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-08-2015


Pelicano, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Povo nas ruas com bandeira e sem direção

Partidários graduados do impeachment da presidente Dilma Rousseff usam as manifestações populares para justificar o objetivo, mas o povo nas ruas, ao tempo que grita o “fora Dilma”, repudia também outras personalidades da vida pública e os partidos políticos em geral.

Isso significa que a população, embora insatisfeita com o quadro atual, não sabe exatamente o que quer, pois o lugar da presidente será ocupado necessariamente por um desses nomes ou legendas cuja rejeição vem de uma arrogância difusa na sociedade, que a faz julgar-se superior aos representantes que periodicamente elege.

Seria maravilhoso pensar romanticamente e achar que estamos diante de um autêntico movimento democrático, mas o povo só iria de fato às ruas para determinar mudanças se estivesse organizado nas bases, consciente dos problemas e discutindo soluções efetivas para os rumos do país.

Do jeito que vêm sendo as coisas nas manifestações pós-eleitorais a que assistimos desde o início do ano, nada mais temos que uma massa de manobra de interesses de terceiros, por enquanto ocultos para a maioria.

O que ocorre são folguedos dominicais de segmentos que querem derrubar a presidente por impulso folclórico, densamente estimulados pela mídia, sem saber o que vem depois. Ao cair da tarde, todos retornam para casa, e as decisões e as estratégias ficam com os interessados diretos, que aparecerão no momento exato.

Partido, esse odioso instrumento fundamental

O povo, a população, a sociedade tem de saber que não se administra com o máximo de justiça possível um país, ainda mais do tamanho e da complexidade do Brasil, sem os partidos políticos, cuja inexistência – ou ineficácia, como no caso brasileiro – seria muito pior.

Participar de eleições por obrigação, para não sofrer os desconfortos da lei, e depois deixar o resto aos cuidados dos “profissionais” até o próximo pleito, decididamente, não resolve nem adianta – estaremos levando ao poder negociantes do voto, que por quatro anos não pensarão em outra coisa.

Certos segmentos se colocam, com presunção e elitismo, acima dos partidos, considerando-se melhores que aqueles que neles militam, quando, na verdade, erram por omissão burra e irresponsável, como se dessem a estranhos o direito de conduzir-lhes a vida.

Por essa ótica, embora em geral movidos por “nobres ideais”, participantes de passeatas mais contribuem como massa de manobra para terceiros. Algo semelhante, respeitada a profunda diferença entre as duas situações, aos “caras-pintadas” que acreditaram sinceramente ter derrubado Fernando Collor em 1992.

Naquela época, havia uma decisão previamente sacramentada contra um projeto pessoal movido a corrupção de um “líder” sem, justamente, um partido para sustentá-lo – daí a importância dessa estrutura orgânica.

Ainda que na prática nada valham seus programas e dirigentes, os partidos são o mecanismo de interferência do qual a sociedade, aereamente, abre mão.

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