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Postado em 18-08-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-08-2015 01:33

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Temer, um diplomata no campo de batalha

Segue o vice-presidente Michel Temer caminhando não numa corda bamba, que isso é privilégio da presidente Dilma, mas num fio de navalha para tentar levar a bom termo tanto seu mandato quanto o dela.

A recusa evidente de ser o líder do golpe institucional, pois poderia tê-lo comandado há muito tempo se esse fosse seu desejo, pode, em última instância, fazer de Temer também uma vítima, em caso de impeachment por motivação eleitoral.

O quadro, entretanto, embora não esteja seguro, situa-se numa zona de conforto relativo, reforçado pela ação do vice para agendar uma conversa cara a cara de Dilma com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Há uma guerra declarada na República. De um lado, uma oposição indócil, que está hoje nas ruas, e um presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com prerrogativas para ferir de morte o governo. De outro, forças que não querem subscrever um ato que levaria o país, no mínimo, a uma era de conturbação e incerteza.

Houve uma tentativa de transformar Michel Temer num oportunista quando ele, no começo do mês, produziu uma declaração que foi interpretada como o autolançamento de seu nome ao lugar de Dilma Rousseff.

Em segundos, o Brasil tomou conhecimento da “informação” de que o vice-presidente se apresentava como o homem certo para “reunificar o país” e que isso era uma senha para a deflagração do processo de impeachment

A fala não foi um escorregão nem uma impertinência, muito menos algo desconectado da realidade: está patente há muito tempo que a presidente Dilma perdeu credibilidade com a população e apoio do meio político para governar.

Temer sabe que nenhuma das duas situações é determinante para retirá-la do cargo, e se a credibilidade, mesmo irreversível, é um problema entre ela e o eleitorado, a base congressual se recompõe, desde que com boa articulação.

É o que ele procura fazer. “É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo, e eu estou tomando a liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o país”, afirmou, no dia 5.

Não são palavras de um golpista, mas de um diplomata de Estado que assumiu a responsabilidade de dizer justamente o contrário: que “é preciso pensar no país acima dos partidos, acima do governo e acima de toda e qualquer instituição”.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 18 agosto, 2015 at 9:32 #

Temer, de mordomo a coveiro.

Conseguiu uma proeza.

Acabou com o PMDB em São Paulo.

Em 2014 elegeu 2 deputados federais, em 2010 apenas 1. Passa longe da possibilidade de eleger sequer 1 senador.

É risível vê-lo como algo diverso de ocupante do Jaburu.

Fiador da estabilidade sem nenhum cacife eleitoral.

Coisas deste país nunca antes visto.


luiz alfredo motta fontana on 18 agosto, 2015 at 9:51 #

Nada foi, além de deputado, sendo certo que sua última eleição como parlamentar, foi no limite.

Jamais teve coragem, nem cacife, para disputar o governo de São Paulo.

Estatura? Basta lembrar como Dilma o tratava no primeiro mandato. De gato e sapato, seria uma boa definição.

Temer, ao que parece, é apenas aquele menino que faz pose em fotos oficiais.

Graças ao desnude da “sargentona” pode miar no deserto de almas.

Para alçar ao posto de Itamar, Temer teria de ser reinventado, tarefa insana que nem mesmo a mídia, ávida por criar heróis de ocasião, terá sucesso. Temer quando muito repetirá Sarney, sem contudo ter um Ulysses como fiador.


luiz alfredo motta fontana on 18 agosto, 2015 at 10:00 #

Triste país.

Uma nau de insensatos.

Reluta entre farsas e farsantes, à deriva, sem bússola, racionando esperanças.

Tristes tempos, agourentos ventos!


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