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Postado em 18-08-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-08-2015 14:05


Dani Nepomuceno


Laura Tonhá

ARTIGO/ ELA

Ela e eu, eu e Ela

Laura Tonhá

Mesmo em tempos de anestesiamento geral, não é fácil ficar indiferente a ELA. Nunca tinha ouvido falar, até que acompanhei no ano passado, nos sites de notícias, famosos como Gisele Bundchen, Bill Gates, Mark Zuckerberg aceitando o desafio de balde de gelo – banho público de água gelada e doações a causa.

Ainda assim, tal assunto era muito distante. O ótimo filme “A teoria de Tudo”, sobre a vida do físico Stephen Hawking, clareou um pouco o tema, mas o enredo não aprofundou a questão.
Estudante de Direito, às voltas com um estágio que envolve temas delicados como interdição e divórcios tumultuados pela razões mais diversas, tive acesso a fragmentos de um processo em que o pano de fundo era, novamente, ELA.

Por fim, cheguei a Dani Nepomuceno, psicóloga de Brasília, que compartilha sua história no blog Ela e eu, eu e Ela. Com a Dani entendi do que se tratava, pude ler sobre sua luta, seu sofrimento, suas vitórias. A doença a deixou tetraplégica, mas ela está viva. Muito viva. Lúcida. A capacidade de se comunicar e definir os rumos de sua vida e seu tratamento lhe conferem dignidade, apesar das adversidades.

A Dani contou de sua peregrinação por centros de umbanda, espírita e outras curas milagrosas, as mais diversas; contou sobre sua fase de negação, mencionou diversas vezes o amor incondicional da família e do marido e a dedicação dos profissionais envolvidos.
Tão verdadeira e comovente. Toda sua história é tocante. Impactou-me, especialmente, não por acaso, quando agradeceu, e compartilhou, o fato de que a comunicação; possível pelo computador adaptado, que lhe permite digitar e acessar a internet somente com os movimentos dos olhos; a salvou. Acredito na comunicação, como acredito na vida. E viva a tecnologia!
Comunicar, interagir, permite a Stephen Hawking , mesmo tetraplégico, uma vida rica. Permitiu que eu conhecesse a história da Dani. Permite a Dani, se colocar e impactar seu tratamento, nas palavras dela:

“redescobri o prazer de conversar e compartilhar a vida com aqueles que amo. É aí que vejo como as conversas fluem e que vale a pena eu me esforçar para ter esses momentos de prazer. Simplesmente porque eu me sinto mais feliz em compartilhar… Eu sou lúcida e me sinto respeitada quando profissionais como nutricionista, fono, fisio ou enfermeira me perguntam o que sinto e discutem comigo as opções de tratamento. Sinto-me viva. Tenho, também, a possibilidade de definir minha rotina e alterá-la quando for importante para mim. Mesmo sem voz, eu consigo ser ouvida e isso me traz paz e segurança de uma sobrevida menos sofrida”.
Agradeço a Dani porque ler o blog dela me fez menos egoísta e mais grata. Caso queira acessar clique em daninepomuceno.blogspot.com.br . No post mais recente ela comenta que seu aniversário é agora em agosto e, pede doações para a campanha do balde de gelo, que investe em pesquisas sobre a ELA.

Fiz a doação e escrevi este texto, nada perto do que ela me deu.

Laura Dourado Tonhá, publicitária (criadora do site blog Bahia em Pauta), bacharelanda em Direito, sócia da empresa Acione Automação e Serv. Industriais.

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Comentários

Gracinha on 18 agosto, 2015 at 15:49 #

Muito bom texto Laura. Parabéns! Emocionante historia de Dani. Também acredito na comunicação como fator indispensável para qualificar positivamente a nossa vida. Beijos


Cida Torneros on 18 agosto, 2015 at 19:25 #

Parabéns pela emoção e superação que seu texto nos passa. Vitoriosa! Torcendo e orando por ela!


Laura Dourado Tonhá on 19 agosto, 2015 at 17:38 #

Obrigada pelos comentários Cida e Gracinha. Dani é uma lutadora. Bjos!!


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