Dani Nepomuceno


Laura Tonhá

ARTIGO/ ELA

Ela e eu, eu e Ela

Laura Tonhá

Mesmo em tempos de anestesiamento geral, não é fácil ficar indiferente a ELA. Nunca tinha ouvido falar, até que acompanhei no ano passado, nos sites de notícias, famosos como Gisele Bundchen, Bill Gates, Mark Zuckerberg aceitando o desafio de balde de gelo – banho público de água gelada e doações a causa.

Ainda assim, tal assunto era muito distante. O ótimo filme “A teoria de Tudo”, sobre a vida do físico Stephen Hawking, clareou um pouco o tema, mas o enredo não aprofundou a questão.
Estudante de Direito, às voltas com um estágio que envolve temas delicados como interdição e divórcios tumultuados pela razões mais diversas, tive acesso a fragmentos de um processo em que o pano de fundo era, novamente, ELA.

Por fim, cheguei a Dani Nepomuceno, psicóloga de Brasília, que compartilha sua história no blog Ela e eu, eu e Ela. Com a Dani entendi do que se tratava, pude ler sobre sua luta, seu sofrimento, suas vitórias. A doença a deixou tetraplégica, mas ela está viva. Muito viva. Lúcida. A capacidade de se comunicar e definir os rumos de sua vida e seu tratamento lhe conferem dignidade, apesar das adversidades.

A Dani contou de sua peregrinação por centros de umbanda, espírita e outras curas milagrosas, as mais diversas; contou sobre sua fase de negação, mencionou diversas vezes o amor incondicional da família e do marido e a dedicação dos profissionais envolvidos.
Tão verdadeira e comovente. Toda sua história é tocante. Impactou-me, especialmente, não por acaso, quando agradeceu, e compartilhou, o fato de que a comunicação; possível pelo computador adaptado, que lhe permite digitar e acessar a internet somente com os movimentos dos olhos; a salvou. Acredito na comunicação, como acredito na vida. E viva a tecnologia!
Comunicar, interagir, permite a Stephen Hawking , mesmo tetraplégico, uma vida rica. Permitiu que eu conhecesse a história da Dani. Permite a Dani, se colocar e impactar seu tratamento, nas palavras dela:

“redescobri o prazer de conversar e compartilhar a vida com aqueles que amo. É aí que vejo como as conversas fluem e que vale a pena eu me esforçar para ter esses momentos de prazer. Simplesmente porque eu me sinto mais feliz em compartilhar… Eu sou lúcida e me sinto respeitada quando profissionais como nutricionista, fono, fisio ou enfermeira me perguntam o que sinto e discutem comigo as opções de tratamento. Sinto-me viva. Tenho, também, a possibilidade de definir minha rotina e alterá-la quando for importante para mim. Mesmo sem voz, eu consigo ser ouvida e isso me traz paz e segurança de uma sobrevida menos sofrida”.
Agradeço a Dani porque ler o blog dela me fez menos egoísta e mais grata. Caso queira acessar clique em daninepomuceno.blogspot.com.br . No post mais recente ela comenta que seu aniversário é agora em agosto e, pede doações para a campanha do balde de gelo, que investe em pesquisas sobre a ELA.

Fiz a doação e escrevi este texto, nada perto do que ela me deu.

Laura Dourado Tonhá, publicitária (criadora do site blog Bahia em Pauta), bacharelanda em Direito, sócia da empresa Acione Automação e Serv. Industriais.

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Posted on 18-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2015

BOA TARDE!!!

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Protesto contra Dilma e Lula em Brasília, no domingo. / EVARISTO SA (AFP)

DO EL PAIS

Afonso Benites

Brasília

Um dia após a terceira multitudinária manifestação do ano pedir o impeachment presidencial, a palavra de ordem no Palácio do Planalto é otimismo. O Governo Dilma Rousseff (PT) enviou uma mensagem de que vê como parte “da normalidade democrática” os atos que reuniram milhares de pessoas pedindo a saída da presidenta. Ainda que, internamente, comemore o fato de que não superaram os primeiros protestos, em março, e apostam tanto no acordo de governabilidade fechado com o presidente do Senado, Renan Calheiros, como na reaproximação com os movimentos sociais para resistir à crise política. “Existiu um recuo [no número de manifestantes], o que para nós não deixa de fazer com que essa manifestação seja importante. Reconhecemos a importância da mobilização. Reconhecemos que ela tem significado. Não quero aqui entrar na caracterização socioeconômica de quem foi para as ruas de acordo com as pesquisas que foram divulgadas”, declarou o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, após a reunião de coordenação política na manhã desta segunda. “O mais importante para ao Governo neste momento é quebrar esse clima de pessimismo no país. Se estamos passando por dificuldades, as medidas estão sendo tomadas para que esse período seja superado em breve”, seguiu Silva.

O Governo aproveitou para criticar a partidarização dos protestos, citando que lideranças do PSDB, como os senadores Aécio Neves, José Serra e Aloysio Nunes, convocaram e participaram ativamente pela primeira vez neste ano dos atos. As declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) selaram de vez a escalada de tom dos tucanos, empenhados em não deixar arrefecer a pressão sobre a presidenta: “Se a própria presidenta não for capaz do gesto de grandeza (renúncia ou a voz franca de que errou) assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato”, escreveu FHC.

O comentário do ex-presidente foi ao ar em sua página pessoal no Facebook ao meio-dia, no mesmo momento em que os emissários de Dilma davam seu recado em coletiva de imprensa, após duas reuniões a portas fechadas em menos de 24 horas. “É um novo período que se abre. Sintetizo a posição do Governo como uma abertura ao diálogo”, enfatizou o deputado José Guimarães (PT-CE), o líder da gestão Rousseff na Câmara. Nos últimos 30 dias, a presidenta tem intensificado sua agenda de reuniões com congressistas e movimentos sociais, que devem ir às ruas na quinta-feira em defesa do Governo.

Guimarães também citou o papel da oposição: “O espírito de intolerância é manipulado em parte pela oposição, que semeia o ódio. É um antídoto da democracia, forjada e construída nas lutas pelas Diretas Já e contra o regime militar. Essa intolerância não é saudável, ela interdita o diálogo, o contraditório e o valor fundamental que tem de estar sempre na democracia, a divergência. Ainda bem que quem faz isso é uma minoria.”

O senador Humberto Costa, líder do PT no Senado, afirmou, no entanto, que a força dos manifestantes não deve ser menosprezada. “Apesar da redução do número de pessoas que foram às ruas não significa que a insatisfação com nosso Governo tenha diminuído. Por essa razão, o Governo deve ter todo o empenho para avançar em uma agenda de interesse do país que procure avançar e enfrentar os problemas econômicos”.
Mea-culpa e PSDB

Acusada de ter cometido um estelionato eleitoral e provocada até por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que disse que Rousseff deveria pedir desculpas à sociedade, a presidenta não dá sinais de que cederá aos pedidos de que faça mea-culpa. Indagado sobre esses pontos, o ministro Silva afirmou: “Se trabalhar para a manutenção dos empregos no Brasil, se trabalhar pela renda da população, principalmente da população mais marginalizada desse país, se trabalhar pela manutenção de programas sociais importantes para o povo brasileiro, é um equívoco, então que se constate o equívoco”.

Enquanto isso, o PSDB se esforça para não deixar que o Governo se recupere. Em artigo publicado nesta segunda-feira no jornal Folha de S. Paulo, um dos principais oposicionistas, o senador Aécio Neves, martelou a tese de estelionato eleitoral. “Hoje, o PT paga esse alto preço não apenas pelos graves erros cometidos, mas porque insiste em fingir que não os cometeu!”

Já Fernando Henrique Cardoso usou seu perfil no Facebook para comparar Dilma Rousseff a Fernando Collor e citar a sátira do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como presidiário. “Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a Presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar.” Ele ainda atacou o acordo entre Planalto e o Renan Calheiros. A saída negociada com a ala do PMDB do Senado dificulta a possibilidade de um PSDB, que vive suas próprias divisões internas, de se posicionar na crise política. “A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir”, escreveu. O tucano disse que a presidenta verá seu Governo se deteriorar “até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: ‘Você pensa que é presidente, mas já não é mais'”.

BOM DIA!!!

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Posted on 18-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-08-2015


Marco Aurélio, no jornal Zero Hora(RS)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Temer, um diplomata no campo de batalha

Segue o vice-presidente Michel Temer caminhando não numa corda bamba, que isso é privilégio da presidente Dilma, mas num fio de navalha para tentar levar a bom termo tanto seu mandato quanto o dela.

A recusa evidente de ser o líder do golpe institucional, pois poderia tê-lo comandado há muito tempo se esse fosse seu desejo, pode, em última instância, fazer de Temer também uma vítima, em caso de impeachment por motivação eleitoral.

O quadro, entretanto, embora não esteja seguro, situa-se numa zona de conforto relativo, reforçado pela ação do vice para agendar uma conversa cara a cara de Dilma com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Há uma guerra declarada na República. De um lado, uma oposição indócil, que está hoje nas ruas, e um presidente da Câmara, Eduardo Cunha, com prerrogativas para ferir de morte o governo. De outro, forças que não querem subscrever um ato que levaria o país, no mínimo, a uma era de conturbação e incerteza.

Houve uma tentativa de transformar Michel Temer num oportunista quando ele, no começo do mês, produziu uma declaração que foi interpretada como o autolançamento de seu nome ao lugar de Dilma Rousseff.

Em segundos, o Brasil tomou conhecimento da “informação” de que o vice-presidente se apresentava como o homem certo para “reunificar o país” e que isso era uma senha para a deflagração do processo de impeachment

A fala não foi um escorregão nem uma impertinência, muito menos algo desconectado da realidade: está patente há muito tempo que a presidente Dilma perdeu credibilidade com a população e apoio do meio político para governar.

Temer sabe que nenhuma das duas situações é determinante para retirá-la do cargo, e se a credibilidade, mesmo irreversível, é um problema entre ela e o eleitorado, a base congressual se recompõe, desde que com boa articulação.

É o que ele procura fazer. “É preciso que alguém tenha a capacidade de reunificar, reunir a todos e fazer este apelo, e eu estou tomando a liberdade de fazer este pedido porque, caso contrário, podemos entrar numa crise desagradável para o país”, afirmou, no dia 5.

Não são palavras de um golpista, mas de um diplomata de Estado que assumiu a responsabilidade de dizer justamente o contrário: que “é preciso pensar no país acima dos partidos, acima do governo e acima de toda e qualquer instituição”.

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