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DO G1/ EM BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff recebeu na manhã deste sábado (15) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um café da manhã no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.

Havia previsão de que os dois se encontrassem a sós, sem a presença de assessores. A presidente recebeu Lula depois de ter saído para pedalar, como tem feito regularmente. O ex-presidente chegou nesta sexta (14) a Brasília, onde participou de um ato pela educação promovido pelo PT.

O governo Dilma enfrenta um momento de crise política e econômica, o que resultou na mais baixa taxa de aprovação e a mais alta de rejeição desde o início do primeiro mandato da presidente – 8% de aprovação e 71% de reprovação, segundo o instituto Datafolha.

Lula, que esteve em Brasília na terça-feira (11), para participar da Marcha das Margaridas, afirmou na ocasião que pretende ajudar a presidente e disse que estava se preparando para voltar a viajar pelo país.

Dilma e Lula se reuniram pela última vez há um mês, também no Palácio do Alvorada. Naquela ocasião, a reunião teve a presença de ministros.
Publicação na página da presidente Dilma Roussef no facebook no Dia do Amigo (Foto: Divulgação / Facebook)

CRÔNICA

Os perfumes de Vinicius de Moraes

Janio Ferreira Soares

Minha tia Beliquinha, sempre que me via saindo pra pescar nesta época do ano, pausava os bilros de seus rendados, corria até a ribanceira que ia dar no rio e gritava: “cuidado com os ventos de agosto, menino, que eles não carecem assobio! ”. Eu, com uns 7, 8 anos e sem entender muito bem o que sibilações tinham a ver com aragens, apenas sorria e seguia com o anzol no ombro e umas iscas no bolso, sem a mínima ideia de que, além de peixes, naquele tempo eu fisgava o mundo.

E nessa metade de mais um mês oito vergando árvores e provocando velhas e novas rimas com seu nome – a exemplo de cachorro louco, desgosto e, bela novidade, Sérgio Moro (que diferentemente do Raimundo, de Drummond, é rima e parece ser também solução) -, aproveito o mote da poesia e enveredo por um assunto lido por esses dias que fala sobre o lançamento de um perfume em tributo aos 35 anos da morte de Vinicius de Moraes.

Produzido pela Avon e aprovado por seus herdeiros, a fragrância foi elaborada pelo alemão Frank Voelkl (famoso criador das lavandas da cantora Katy Perry e da atriz Sarah Jessica Parker) e terá o sugestivo nome de Doce Balanço. Fã de bossa nova, o perfumista confessou que se inspirou justamente na canção da eterna moça cujo balançado é mais que um poema para “adicionar ginga ao aroma”. Ainda segundo Maria de Moraes, uma das filhas de Vinicius, trata-se de um perfume “fresco, leve e feminino” e, por isso, acredita que ele o aprovaria.

Olha, Maria, como nessa outra bela canção que seu pai fez em parceria com Tom e Chico, eu bem que queria concordar contigo, porém, velho igualmente safado que sou – e diariamente bombardeado por sertanejas fragrâncias das mais variadas procedências e reentrâncias -, peço licença para colocar meu jaleco de couro branco e, qual um abelhudo alquimista, acrescentar certos ingredientes que assim como a beleza, seriam fundamentais para a completa aprovação do sensível olfato do nosso adorável Poetinha. A elas.

Como seria impossível juntar todos os cheiros de suas nove mulheres, resumi-los-ia tão somente numa gotícula do suor do cangote de alguma Carolina, providencialmente colhido bem na hora em que ela estivesse rodopiando ao som do xenhenhém da sanfona de Gonzaga. Em seguida, inspirado nas suas poesias, correria pelas praias da Bahia para capturar cheiros de maresias trazidos pelos alísios ao luar, que, posto que ventos, seriam cuidadosamente engarrafados numa ampola vazia de um legítimo escocês enxugado no leito da mulher amada, cujo seio sempre haverá de iluminar a cegueira dos homens.

Por fim, adicionaria aromas do franguinho de leite regado na cerveja e dos quindins e papos de anjos feitos pelo seu avô, misturaria tudo numa garrafa meada de um bom uísque e aí procuraria a melhor forma de enviá-la para sua aprovação.

Assim, de supetão, entendo que a maneira mais adequada seria pelas mãos frescas da maré cheia quando elas viessem coçar meus pés com seus dedos de água. Que falta, meu velho Oxalá!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.


Antes do banquete no Alvorada, Dilma entregou a Lewandowski e ao presidente da OAB
Marcus Vinicius Furtado Coêlho o selo alusivo ao Dia do Advogado (Foto: Divulgação)

ARTIGO DA SEMANA

O Pendura e o jantar de advogados e juízes no Alvorada

Vitor Hugo Soares

É inevitável lembrar a tradição brasileira do “Pendura”, diante das notícias, relatos de bastidores e imagens dos convivas e da mesa posta no Palácio da Alvorada, terça-feira, 11, para o jantar servido pela presidente Dilma, e seu inseparável ministro da Justiça ao alegre e compassivo grupo de participantes – encabeçado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.
A motivação anunciada foi a de celebrar a data de criação dos Cursos de Formação Jurídica no Brasil (em São Paulo e Olinda), por decreto do Imperador D. Pedro I.

Advogado e jornalista, por dupla formação acadêmica, a cena palaciana me atraiu a curiosidade à distância, na Cidade da Bahia (boa parte da opinião pública nacional também está de olho), por múltiplos motivos e diferentes significados. O primeiro deles é profissional: “Sua Excelência, o fato”, da frase famosa do estadista Charles de Gaulle, que Ulysses Guimarães (sempre ele!) citava com frequência por estas bandas dos trópicos , em tempos de trevas e verdades escamoteadas, com ajuda da censura e da cumplicidade submissa de boa parte da chamada grande imprensa.

Em segundo lugar, a atenção foi despertada pelo ceticismo quase atávico, bem próprio da profissão que decidi abraçar, por escolha pessoal, e destino, talvez. A memória em alerta, projeta o pensamento na direção do ditado popular aprendido na infância com sábios sertanejos nas margens do São Francisco (o rio da minha aldeia), na cidade de Santo Antonio da Glória.

“Menino, não esqueça nunca: ninguém dá banquete de graça”, diziam.

O terceiro, mas não menos relevante motivo desta tentativa de contextualização, política e jornalística, do convescote oferecido pela presidente da República à cúpula do poder no Planalto Central, em reunião de “petit comitée” com representantes da nata da magistratura, da advocacia e de suas poderosas e influentes corporações é a tradição do “Dia do Pendura”, na terça-feira, 11 de agosto, dia do aniversário da criação dos Cursos Jurídicos no País. Mesma data do banquete do poder no Alvorada.

Isso em dias de crise braba e abalos fortes do governo petista, conduzido em desastrado segundo mandato por Dilma, seu padrinho maior e apaniguados; e da Lava Jato em operações firmes e crescentes de profilaxia ética e encarceramento de corruptos e corruptores. Também da Marcha das Margaridas e do ato com a presença de Dilma ao lado de ameaçadoras “tropas de militantes”, em Brasília, no qual (às vésperas das grandes manifestações contra a corrupção e pelo impeachment de Dilma, convocadas nacionalmente para este domingo de agosto, 16), um boquirroto e meio tresloucado provocador vice-presidente da CUT (braço sindicalista do PT) promete em discurso da mandatária, “fazer barricadas com gente de armas na mão” para garantir “o mandato da companheira Dilma”.

Na Bahia, enquanto escrevo este artigo, a presidente Dilma desembarca em Juazeiro, na margem baiana do Velho Chico, para entregar casas e tentar recuperar a imagem praticamente devastada no Nordeste. Em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, a fábrica da Ford está parada desde quarta-feira. Deu “folga” forçada a 1.500 operários em razão da queda brutal nas vendas de automóveis produzidos no estado . Um banquete do tipo do oferecido, terça-feira no palácio de recepções do governo, é motivo de sobra para desconfianças e investigação jornalística. Ou não? A não ser que se trate de um novo tipo de Pendura que nasce no Brasil!

O decreto de criação dos Cursos Jurídicos no Brasil foi assinado no Palácio imperial do Rio de Janeiro, por Pedro I, no dia 11 de agosto de 1827. A tradição do “pendura”, porém, não tem origem tão bem definida assim. Teria nascido, conta Luíz Flávio Borges D’Urso, de uma antiga prática de empresários donos de restaurantes, que faziam convites para que os acadêmicos de Direito, seus clientes, viessem brindar a fundação dos cursos em seus restaurantes, “oferecendo-lhes, gentilmente, refeição e bebida”.

Com o passar dos tempos, os convites diminuíram e foram acabando, obrigando assim que os acadêmicos se auto-convidassem. Graças a essa iniciativa, a tradição foi mantida até nossos dias, consistindo em comer, beber e não pagar, solicitando que a conta seja “pendurada”. Tudo isso, é claro, envolvido num imenso clima de festa. O verdadeiro pendura, segundo a tradição, deve ser iniciado discretamente, com a entrada no restaurante, sem alarde, em pequenos grupos, para não chamar a atenção. As roupas devem ser compatíveis com o local escolhido”, diz Luiz Flávio .

Fico por aqui, quanto à tradição original. Quanto ao banquete desta semana no Alvorada, bem que parece ser um novo tipo de “pendura”. De profissionais, da política e do Direito. Com os acadêmicos de fora. Ou não? Só não se sabe ainda como a conta foi “pendurada” ou quem a pagará depois.

Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor no site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br.

Maria Bethânia, uma canção, uma verdade!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Educação e cultura contra violência e crime

Preocupado com o baixo desempenho das escolas baianas no Enem, o deputado Herzem Gusmão (PMDB) convidou as autoridades a “uma reflexão” sobre a transformação de Medellín, na Colômbia, a partir de 2005, “de cidade mais violenta para cidade mais criativa do mundo”.

O curioso que é essa mudança “não foi conduzida pelo secretário da Segurança Pública, mas pelo então secretário da Cultura e Desenvolvimento Social, Jorge Melquizo”, que fez em Ilhéus, há poucos dias, palestra em que mostrou que “educação se faz com livros, escolas e esporte”.

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Ensino militar tem “autoridade e vontade”

Mas foi internamente que Herzem buscou outro exemplo de que é necessário mudar alguma coisa no processo educacional da Bahia: o primeiro lugar alcançado no Enem pelo Colégio da Polícia Militar de Vitória da Conquista, que ficou em 65º em todo o Estado entre as 642 escolas públicas que participaram do exame.

“Nesse colégio”, afiançou o parlamentar, “trabalham professores do igual preparo e do mesmo nível dos que atuam na rede pública, na qual faltam autoridade e vontade de prover mehor educação”.

Herzem elogiou também Licínio de Almeida, cujo prefeito, Alan Lacerda (PV), no seu segundo mandato, modernizou o ensino fundamental a tal ponto que não há uma escola privada funcionando nesse segmento no município.

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Posted on 15-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-08-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DO EL PAIS

Marina Rossi

De São Paulo

Movimentos de oposição ao Governo irão às ruas pela terceira vez neste ano para pedir a saída de Dilma Rousseff do poder na esperança de manter a presidenta, que ganhou nesta semana um respiro com apoios políticos e de movimentos sociais, nas cordas. As manifestações ocorrerão neste domingo 16 e pedirão a saída de Dilma ‘de qualquer jeito’: por impeachment, cassação ou renúncia. Segundo o grupo Vem pra Rua, um dos organizadores do ato, 257 cidades confirmaram a participação no domingo. A prévia é bem menor do que a de 10 de abril, dois dias antes da última grande manifestação, quando mais de 400 cidades confirmavam presença nos protestos —São Paulo, uma vez mais, deve liderar os atos, com presença maciça de pessoas na avenida Paulista.

A expectativa dos organizadores era ampliar a adesão aos atos anti-Dilma, já que a crise econômica se aprofundou de abril para cá. Já a preocupação do Governo, que monitora o tema, era ver crescer os atos no Nordeste, base do PT onde a popularidade de Dilma também despencou. Mas uma pista para o número menor de cidades confirmadas vem das dúvidas da população em geral sobre os riscos, inclusive econômicos, de um eventual impeachment. “Aos poucos, os brasileiros começam a se perguntar se a saída de Dilma Rousseff traria uma solução melhor, num momento em que nem Governo e nem oposição apresentam perspectivas de futuro”, acredita Renato Meirelles, do instituto Data Popular.

Outro fator que tem limitado a adesão é a indignação seletiva dos organizadores. Embora os organizadores cravem a luta contra a corrupção como tema central para derrubar o Governo, nomes que estão em evidência na mídia por denúncias de corrupção, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), têm sido poupados. “Temos prioridades. Neste momento, é o impeachment de Dilma Rousseff”, afirmou Fabio Ostermann, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo tem um pedido de impeachment da presidenta protocolado, baseado nas ‘pedaladas fiscais’, as manobras contábeis utilizadas para fechar as contas do Governo em 2014, sob análise do TCU (Tribunal de Contas da União). As lideranças se reuniram algumas vezes com Cunha, que é quem pode na Câmara dar início à tramitação de pedidos de impugnação.

Mas nem esse tratamento cuidadoso com o presidente da Câmara, que dirige uma instituição nesse momento tão rejeitada pela população quanto Dilma segundo as pesquisas, pode garantir êxito na aliança tática ansiada pelos radicais anti-PT. Cunha voltou a adotar, em entrevista ao jornal Valor Econômico, um discurso mais moderado em relação ao impeachment, numa inflexão desde que se declarou inimigo do Planalto. Ele acaba de sofrer um revés no Supremo Tribunal Federal, que determinou que será o Congresso, e não só a Câmara, quem votará o crucial relatório do TCU sobre Dilma. Caberá ao neoaliado do Planalto, Renan Calheiros, decidir quando essa votação acontecerá.

O papel do PSDB

O PSDB, o principal partido da oposição, anunciou seu apoio à marcha de domingo no programa do partido veiculado em rede nacional de televisão na semana passada. O senador Aécio Neves, derrotado na eleição do ano passado, assim como a bancada jovem do partido no Congresso, têm gravado vídeos incentivando as pessoas a saírem às ruas no domingo. O apoio do partido, porém, nem é consenso entre os tucanos nem comemorado de maneira unânime pelas lideranças dos protestos. “Ter o apoio do PSDB é bom, porque convoca mais gente para as ruas”, diz Rogerio Chequer, porta-voz do Vem pra Rua. Já para Renan Santos, do MBL, o apoio dos tucanos não faz tanta diferença. “Se eles não atrapalharem, já está bom”, diz. “Na verdade, se o Aécio se calar, será mais profícuo”.

Carla Zambelli, porta-voz do movimento Nas Ruas, vê o apoio partidário com cautela. “O PSDB tem o direito de chamar para a manifestação e para nós é apenas mais uma forma de divulgação”, diz. “O evento é apartidário. Não pode levar bandeira de partido algum e se alguém levar, pediremos para baixar”. Segundo ela, o mote da manifestação é a luta contra a corrupção. “Esse tema é o pano de fundo para abordarmos a saída de Dilma da presidência”, diz. “Seja por impeachment, ou por cassação ou por renúncia”. Zambelli também não menciona outros partidos além do PT.

O Vem pra Rua fala em três frentes: ‘fora corruptos’, ‘fora Dilma’ e ‘Lula nunca mais’. Não há nenhuma menção a outros partidos ou políticos. “Com o PT no Governo, a corrupção, que sempre existiu, passou a ser mais institucionalizada. Por isso, clamamos para que Dilma renuncie, para que essa transição seja a menos danosa possível para o país”, afirma Rogerio Chequer.

Para alguns observadores, essa possibilidade é, por ora, remota. “O perfil da presidenta, que é uma mulher vaidosa e com muita empáfia, não me faz crer que ela renunciará”, afirma David Fleischer, cientista político. “Ela não admitiu ainda nem os erros do primeiro governo. Acho muito difícil uma renúncia”.

“Estamos vendo agora os efeitos das principais políticas do PT nos últimos anos”, diz Rogerio Chequer, um dos que aposta que a crise econômica pode somar mais manifestantes aos atos. “O isolamento do Brasil, o descontrole da inflação e a alta dos juros, o excesso de gastos públicos, tudo isso não é coincidência”, diz. Por causa do descontentamento com a economia, lideranças creem que o perfil econômico e social dos manifestantes pode mudar. “É um processo gradativo, mas já estamos observando a participação de classes mais populares nas manifestações”, diz Chequer.

O cientista político David Fleischer compartilha dessa opinião.” O descontentamento da população cresceu. A situação econômica está muito pior desde abril [data da última manifestação], e a insatisfação está bem maior do que em junho de 2013″, diz.”Por isso, pode ter mais gente de classe media baixa e, principalmente, da classe D, que são os grupos que estão sofrendo mais”.

Renato Meirelles, do Data Popular, avalia que esse argumento faz sentido, mas apenas na teoria. “O descontentamento econômico atinge todas as camadas da população. Mas, na prática, depende da capacidade da oposição propor algo que vá além do impeachment”, diz.

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