Em memória de seu Alaôr, meu pai, que gostava tanto de música ( paixão que transmitiu aos filhos)e de ouvir Aznavour, mas partiu aos 68 anos,
sem jamais ter ido a Paris. Paris vinha a ele, como aos leitores e ouvintes do BP.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO BLOG O ANTAGONISTA

O que Teori esconde?

As investigações do núcleo político da Lava Jato avançam nas sombras de Brasília. Enquanto em Curitiba o juiz Sergio Moro dá transparência total às provas obtidas no curso dos inquéritos, na capital federal o ministro Teori Zavascki prefere escondê-las. Ninguém conhece a integralidade das provas que alimentam os 25 inquéritos que correm no Supremo. Nem a defesa dos advogados, nem a imprensa, nem a sociedade.

Em despacho no processo, Teori determinou que as provas fossem anexadas “oportunamente”. Algumas foram, outras não. Ninguém sabe o que foi apreendido na Casa da Dinda, por exemplo. Tampouco são conhecidos os depoimentos de políticos graúdos alvos da investigação, como Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Gleisi Hoffmann, Humberto Costa.

Foi preciso que Sergio Moro questionasse Júlio Camargo, num depoimento em Curitiba, para que o Brasil descobrisse que ele já havia sido ouvido pela PGR várias vezes antes de resolver entregar o presidente da Câmara.

Teori pode alegar que precisa manter o sigilo das provas para não prejudicar o andamento da investigação. O Antagonista acha que a 13a. Vara Federal em Curitiba é hoje o melhor exemplo de Justiça para o resto do país e que informações sobre negociatas de políticos e empreiteiros, quando muito protegidas, valem ouro no mercado negro da política de Brasília.

(Dos jornalistas Mario Sabino e Diogo Mainardi)


Castelinho

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

BLAGUE NO BLOG – De Castello a Celestino

Um desses erros de digitação em que incorre qualquer jornalista pegou o colunista Samuel Celestino em A Tarde de quinta-feira. “O PT rodovia”, dizia o título do artigo.

Desavisados entenderam inicialmente como sugestão de que estão passando por cima do partido, ou ainda que se referisse a um hipotético esquema em que o PT ganhasse dinheiro em obras rodoviárias, enfim, algo à altura da mente brilhante do jornalista.

Mas não. Era “rodopia”, dentro de um contexto em que “os partidos brasileiros em geral perdem o respeito”. De qualquer forma, um conserto não muito bom para os petistas.

O lapso lembra episódio, um pouco diferente, com o jornalista Carlos Castello Branco, num tempo em que a matéria era datilografada em casa e mandada por fax para o jornal, onde passaria por nova composição nas oficinas.

Em 8 de setembro de 1988, sai a coluna de Castelinho no Jornal do Brasil: “Radia-se de novo o PMDB da Bahia”, mas que tratava, ao contrário, da divergência de líderes políticos quanto ao apoio ao então presidente Sarney.

Todos adversários do então ministro Antonio Carlos Magalhães, cada grupo teve sua visão. O governador Waldir Pires, o senador Jutahy Magalhães e o prefeito Mário Kertész preferiram a briga. O senador Luiz Viana e o deputado Prisco Viana optaram pelo apoio.

No artigo seguinte, Castellinho pediu desculpa pelo título “cabalístico”. Na verdade, era “Racha-se de novo o PMDB da Bahia”. É que, no fax, a perna do “h” se dividiu, formando um “i”, e o “c” juntou-se ao que restou. Deu “radia-se”.

ago
09
Posted on 09-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-08-2015


Duke, no jornal Super Notícia (MG)

DO EL PAIS

Diante de mais um round na batalha política entre o Governo e o Congresso na semana que passou, algumas consultorias econômicas começam a elevar a possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ainda que não haja um risco imediato, as chances para alguns analistas já chegam a 40% e a tendência é aumentar. “Esse clima de incerteza só piora a preocupação sobre a execução do ajuste fiscal e geram preocupações para os investidores, que reduzem as posições em ativos”, afirma Carlos Barenstein da consultoria Arko Advice. Ele avalia que o risco de um impeachment já chega a 40%.

Na madrugada da última quinta-feira, a Câmara dos Deputados votou a favor de um aumento de salário de algumas categorias de servidores, apesar das tentativas do Planalto de convencê-los do contrário. O Governo foi derrotado inclusive pelos deputados petistas, que engrossaram o placar de 445 a 16, deixando a sensação de que o país está à deriva diante dos deputados que aprovaram um aumento de gastos públicos em meio à crise.

No dia seguinte, empresários, por meio das federações das indústrias de São Paulo e do Rio (Fiesp e Firjan), decidiram se manifestar, usando como gancho o alerta do vice-presidente Michel Temer, que pouco antes da fatídica votação havia pedido que alguém assumisse o compromisso de unir o país para evitar o agravamento da crise. “O momento é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil”, dizia a nota assinada pelas duas federações, afirmando que o Brasil não pode se permitir mais irresponsabilidades fiscais. “É hora de colocar de lado ambições pessoais ou partidárias e mirar o interesse maior do Brasil”, continuava a nota, cobrando dos representantes políticos eleitos a defesa de pleitos legítimos.
mais informações

Os inimigos do Governo, porém, argumentam que essa estabilidade só viria com a saída da presidenta. O assunto fez a presidenta Dilma se manifestar nesta sexta, durante cerimônia em Boa Vista, e dizer “que ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu”. A pressão dos últimos dias é que tem feito as consultorias projetarem cálculos sobre as chances reais de uma saída da presidenta. Segundo Maria Cristina de Barros, da consultoria MB Associados, o risco de impeachment imediato ainda é baixo, mas aumenta diante do cenário de crise político-econômica. “A questão é que as agendas pessoais de pemedebistas importantes como Eduardo Cunha e Renan Calheiros se sobrepõem e cresce a possibilidade de Cunha ‘tocar fogo no Congresso’, via pauta-bomba”, diz Barros, citando a lista de projetos que oneram os cofres públicos em tempos de ajuste fiscal.

Em relatório divulgado nesta sexta, a consultoria de risco político Eurásia optou por manter a perspectiva de 30% de chance da presidenta não terminar o seu mandato, por ainda não ver um caminho claro para um impeachment. No entanto, a consultoria ressaltou que não vê uma solução rápida nem fácil para a crise.

Há quem acredite que o caminho mais natural seria um pedido de renúncia da presidenta. “Um processo de impeachment não acalmaria o mercado, é um processo muito doloroso. O momento é tão tsunâmico que o melhor seria Dilma dizer que não pode seguir. Não seria uma decisão tomada porque ela não quer mais governar, mas porque ela já não tem condições”, afirma Luis Paulo Rosemberg, da Rosemberg Associados. Ele admite que a economia acabou sendo escolhida pela oposição como alvo para atacar a presidenta prejudicando ainda mais a retomada do crescimento do país.

Enquanto isso, o clima de instabilidade contamina o mercado financeiro com a oscilação do câmbio. “As reações são várias. Na Bolsa, eles já estão saindo, e o movimento do dólar (que chegou a ser cotado a 3,53 reais, nesta quinta-feira) mostra a sinalização de desconforto do investidor. As empresas multinacionais observam oportunidades de aquisição pensando apenas no médio prazo, a partir de 2017”, explica Barros, da MB.

Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, lembrou que o Brasil ainda é um dos três destinos preferidos pelos investidores, citando uma pesquisa da KPMG sobre o assunto. Trabuco também abordou a necessidade de um ambiente sereno, lembrando que os problemas econômicos se resolvem pois são o resultado da matemática de certas variáveis que podem ser consertadas. “Mas os problemas políticos não,. Eles são de ideias, de ideologia, de postura. É uma energia para provocar calor, e hoje o país precisa de energia para provocar luz.”

Além das pautas-bombas, o Governo ainda terá que enfrentar, nos próximos dias, a avaliação do (TCU) Tribunal de Contas da União da defesa de Dilma no caso das chamadas “pedaladas fiscais”, as manifestações do dia 16 de agosto e o resultado da análise feita pelo TSE das contas de campanha da presidenta. “Nenhum desses três eventos tem força para sustentar um impeachment, porém a combinação de pelo menos dois deles aumenta bastante o risco”, diz Barenstein.

A aprovação da prestação de contas dos ex-presidentes Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta quinta-feira, também sinalizou um movimento claro para votar de modo acelerado as contas de 2014 de Dilma. “É uma movimentação política clara para abrir novamente o tema e encontrar algum fator legítimo para o pedido de impeachment”, lembra o economista da Tendências, Rafael Cortez.

A instabilidade política também ajuda a contribuir para a perda de grau de investimento. Segundo a MB Associados, o Brasil deve perder o selo de bom pagador no primeiro semestre do próximo ano. A expectativa é que nas próximas semanas, Moody´s e Fitch devem rebaixar a nota na categoria de grau de investimento e ficar na mesma situação da de último degrau nesta escala, assim como a S&P fez no último mês. As notas das agências internacionais de risco influenciam ainda mais nas decisões de investimentos estrangeiros no país, que já estão comprometidas com o cenário de incerteza atual.

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