DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Dilma, a grande laranja, talvez seja inocente

A presidente Dilma Rousseff deve ser a mais ingênua e inocente nesse quadro todo de decomposição moral e política em que se meteram os mais notáveis próceres da esquerda no Brasil, ou que, pelo menos, agiram nome dela.

Não é à toa que, mesmo perdida no aparvalhamento político que é uma marca de sua personalidade, a presidente mantém a altivez, manifestando a convicção de que nada a atinge pessoalmente e dispondo-se a resistir aos que querem cassá-la.

Se o processo for em frente, será com base em transgressões administrativas do governo, não por culpa direta de sua titular, que muito provavelmente não foi corrompida com dinheiro nesse mar de lama e dólares.

É mera especulação: impossibilitado, já pelo mensalão, de fazer de José Dirceu seu sucessor, um desdobramento natural dentro do esquema de poder petista, ou mesmo de outras lideranças do partido igualmente tragada pelas denúncias, Lula aproveitou para dar o bote.

Poderia, por exemplo, indicar Jaques Wagner, de origem sindicalista como ele, dito seu amigo – o “Galego” com quem dividiu incontáveis prazeres, o homem que no primeiro mandato de governador da Bahia consolidou uma imagem positiva, de fácil aceitação nacional.

Mas Lula preferiu decidir monocraticamente, estribado em sua imensa popularidade, e o fez com a astúcia que o caracteriza, escolhendo uma mulher, à qual atribuiu a capacidade administrativa diretamente responsável pelo êxito do seu governo.

A fórmula, como se sabe, pegou, mas, na verdade, ele pensava apenas numa “teleguiada”, como foram apelidados os testas de ferro no início da corrida espacial, em referência a um dos artefatos voadores de então, ou “laranja”, na linguagem mais vulgar de hoje em dia.

Tendo a chance de livrar-se de “macacos velhos” que poderiam contestá-lo, Lula criou uma lenda para manter o poder através de uma pessoa tão desligada que nem enxergava o que se passava debaixo do seu nariz na Petrobras, mesmo sendo ministra das Minas e Energia e presidente do Conselho Administrativo da estatal.

Pessoas aéreas assim nas altas esferas de poder não têm, digamos, competência para roubar – é o que o bom senso sugere. Tanto que é indispensável reiterar: Dilma garantiu, em entrevista emblematicamente concedida no exterior, que não a pegarão por “malfeitos”.

Talvez a peguem por uma tecnicalidade contábil qualquer, dessas que estão aí só pra constar, mas das quais se pode lançar mão quando necessário. Isso vai depender das injunções políticas em efervescência neste segundo semestre.

O dilema de tucanos e assemelhados

A favor da presidente quanto a um eventual processo de impeachment estão a desqualificação de seus principais adversários e a imperiosa urgência de se assegurar a sanidade do ambiente econômico para evitar a degringolação total do país – mais inflação, mais desemprego, mais retração.

Contra ela, e, portanto, desprezando a ideia de fazê-la “sangrar”, o fracasso dessa estratégia em relação ao próprio Lula no episódio do mensalão. Temem muitos, e não sem fundamento, que, se conseguir reequilibrar-se, a presidente possa dar novo destino às eleições de 2018.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 6 agosto, 2015 at 4:53 #

Tem uma mosca em nossas orelhas!

O Petrolão, assim como o mensalão, afora enriquecer os mais “espertos”, serviu, e tem servido, para a manutenção de poder, corrompendo partidos, amaciando controles, subvertendo a república.

Dilma também é inocente neste particular? Usufrui dos frutos da nação corrompida mas permanece vestal?

A fragilidade de seus neurônios milita em prol da impunidade?

Ao manter dois citados na lava jato nos intestinos do palácio faz apenas prova que acredita na inocência deles? Seriam Mercadante e Edinho vitimas da maledicência?

Dona Dilma, a desastrada, perpetuou o estelionato eleitoral de maneira inconsciente?

O abandono, estratégico, de qualquer aceno ao Zé Dirceu, antes mimado e simbolicamente representado pelo cachorro negro herdado junto com a casa civil é mera tradução de maturidade tardia?

Assegurar a sanidade do ambiente econômico é criar a figura de santidade em bordel?

A mosca esta presente. Nossas orelhas não se livram dos ruídos torpes da lama em profusão.


Taciano Lemos de Carvalho on 6 agosto, 2015 at 8:57 #

Não é altivez que Madame tem. É arrogância. E esperteza, claro.


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