Ouro no basquete e dor de cotovelo

Maria Aparecida Torneros

Repentinamente, me vi envolvida, assistindo a vitória do basquete brasileiro no Canadá, contra os donos da casa, nos jogos Panamericanos.

E voltei 17 anos atrás, quando vim morar nesta vila de casinhas simpáticas e conheci uma de suas muitas senhorinhas oitentonas, na época. D. Dulce, que veio se aoresentar. Seu único filho era o técnico Ari Vidal, e ela se orgulhava muito pelo feito dele, preparando a equipe brasileira de basquete, que venceu os americanos na terra deles.

Sempre que nascia um bisneto, ela me mostrava as fotos e repetia sobre o filho tantas histórias.

Lembrei muito , e pensei, no auge da torcida, que os espíritos dela e do Ari poderiam festejar o merecido ouro destes jogos.

Aí, as horas passaram, vi outras partidas, torci mais, vôlei, futebol feminino, até karate, e acabei assistindo a entrevista da sensível Adriana Calcanhotto ao Roberto Davila Ela fez show em homenagem aos 100 anos de Lupicinio Rodrigues e gravou um DVD com músicas do gaúcho, rei da dor de cotovelo.

Mas as notícias da Lava Jato fazem doer o coração de qualquer cidadão de bem, muito além dos cotovelos, e o Brasil de tantas medalhas disputa com afinco, no momento, um lugar honrado no podium da justiça que deve ser feita doa a quem doer.

Esses moços, pobres moços, parecem saber muito mais do que eu sei. Os que jogam partidas e os que exercem funções no Ministério Público.

São mesmo uns apaixonados. Defendem verdades e suam camisas verde amarelas.

Adriana reproduz a nostalgia de um Lupicinio capaz de empolgar até novas gerações pois amores, paixões, decepções, traições, perdas e vitórias, superações e novas posturas fazem parte da vida em suas muitas caras. O Brasil mostra suas faces e nos cabe sentir que algumas coisas estavam fora da ordem e devem se reorganizar.

Os moços e moças me orgulham. Exatamente porque sabem o que pensei que sabia. Aprendo com eles. Como aprendi com a saudosa vizinha dona Dulce.

E reaprender a ouvir Lupicinio com a sensibilidade que Adriana Calcanhotto me oferece.

No meu peito, penduro, imaginariamente, uma medalha de ouro, por vencer a luta de cada dia e testemunhar está mocidade que vai mudar o Brasil, aliás, já está mudando.

Quem viver, verá, salve a mocidade, esses moços, ricos jovens de espírito e de idade, que sabem honrar o Brasil.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio da Janeiro, onde edita o Blog da Cida

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Comentários

Cida Toneros on 2 agosto, 2015 at 14:11 #

Oi Vitor, bom domingo pra você e toda a turma do BP! Vamos de dor de cotovelo, Ora!


Mariana Soares on 2 agosto, 2015 at 16:24 #

Belo texto, Cida!
Também sou fã desses “meninos” do MPF, que estão tentando, junto com o destemido Juiz Segio Moro, limpar o Brasil dessa turma corrupta, que tanto nos enoja e envergonha.
A entrevista que Adriana Calcanhoto concedeu a Roberto D’Avila foi mesmo muito tocante, de uma sensibilidade, de ambas as partes, a toda prova. Também assisti na madrugada do sábado para domingo passado, quando, me recuperando de uma cirugia, procurava algo na TV para distrair a minha cabeça…Adriana, desde o show em homenagem aos 50 anos de carreira de Bethânia, traz no rosto e nos gestos uma inimaginável tristeza…fruto da perda do seu grande amor de uma vida inteira…quase que senti em mim, nas minas entranhas, a dor dela…e não consigo esquecer daquela cena…quanto amor…quanta saudade…
Que Lupicinio nos ajude e à Adriana também com a dor doída e tão sofrida da saudade…


Cida Toneros on 2 agosto, 2015 at 21:09 #

Mariana, ela se referiu durante a entrevista à nesse cidade de de se enfrentar as perdas, e foi honrosa, grande artista, uma fina jovem brasileira. senhora da canção e do sentimento profundo que transmite. Naquela noite, mil coisas preencheram minhas reflexões, estou aprendendo muito com esta juventude que busca fazer cumprirá lei e nos dá esperança, afinal. Renovação e sangue novo para combater práticas viciosas e vergonhosas. Salve Esta mocidade atenta à legislação e às novas postura honestas para limpar nosso Brasil. Um basta aos que nos enganaram tanto é nos roubam descaradamente. Há 4 anos me aposentei mas sou parte das idealistas que sonham ainda com um país passado a limpo. Força para eles e elas, porque pressões e ameaças são parte das estratégias dos implicados. Essa garotada consciente me inspira.
Torçamos por eles e elas, Afinal! Bus e melhoras.


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