DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

FATOS E OPINIÃO

Medo da PM é menor do que se pensava

A conclusão da pesquisa Datafolha de que 62% dos moradores de cidades com mais de 100 mil habitantes têm medo de agressões da Polícia Militar é uma surpresa, pois se imaginava que esse número fosse maior.

Grande parte dos policiais militares – um potencial que não se pode estimar – é a projeção do ser humano frustrado que se desenvolve numa sociedade sem oportunidade e sem perspectiva. Que educação se oferece aos brasileiros? Que esperança, concreta e objetiva, o povo tem para o futuro?

É dessa juventude, que nasceu e viveu em condições de sub-habitação, com escola de má qualidade, sem assistência à saúde, que provêm muitos homens a que o Estado dá armas e “autoridade”, sem considerar o passivo psicológico de cada um, sempre em condições de emergir.

O desejo de ser policial militar não pode ser analisado como vocação, mas como uma alternativa de mercado de trabalho, que, ainda mais, está em expansão, porque o crime e a violência se expandem e cada vez mais se justifica o aumento de contingente.

Obviamente, a maioria não sonha em entrar para uma profissão cuja marca é o enfrentamento de criminosos perigosos, que significa a vida em risco permanentemente, e a submissão a regimes rigorosos, que prejudicam as relações sociais e familiares.

Uma corporação dessa natureza teria de estar treinada e condicionada a agir dentro da lei, respeitando a cidadania pela qual é sustentada. Como isso é estatisticamente impossível, haveria um limite tolerável para os casos de erro ou excesso em situações de tensão e descontrole.

No entanto, o que vemos em geral nas Polícias Militares é a prática de arbitrariedade, truculência e outras transgressões e crimes num percentual que, devido à magnitude do número de agentes, resulta em quantidades absolutas inaceitáveis, que desqualificam qualquer democracia, não procedendo sua classificação de “casos isolados”.

O caso de um cidadão constrangido

“Quem não deve não teme, mas vamos correr da PM” – nunca é demais recordar esse dístico da verdadeira sabedoria popular. Significa que, estando próximo a uma ação de policiais, mesmo não sendo a ela ligado, o cidadão corre perigo.

Poderia citar vários casos, mas vou me concentrar em um: dirigia pela Avenida Paralela, com a família, quando notei que subitamente o fluxo de carros estava parando. Procurei frear, desviando o veículo para evitar um choque. Já na faixa da esquerda, percebi o que acontecia.

Uma guarnição da PM, possivelmente em alguma perseguição, pouco depois do Condomínio Amazônia, entendeu de cruzar a pista a partir da faixa da direita, e seus ocupantes não hesitaram em bloquear repentinamente o tráfego, o que fizeram com altíssimo risco de acidente de proporções.

Tive a triste sorte de, involuntariamente, atrapalhar a manobra do destemido motorista, sendo imediatamente ofendido por ele e pelo que estava na janela de trás com palavrões e brandir de arma pesada. Em seguida, a viatura simplesmente subiu o canteiro central e foi para a outra pista, sentido Aeroporto.

Tenho convicção de que, na minha condição de cidadão, se reagisse, mesmo que polidamente, acirraria uma ira que poderia terminar com agressão, prisão ou morte. Se pessoas assim podem ser “defensoras da sociedade”, cabe às autoridades decidir.

É claro que esta não é uma regra geral. Eu próprio tenho parentes, amigos e colegas dentro da Polícia Militar e sei que essa não é a conduta que aprovam, no exercício da função ou fora dele. (LAG)

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 2 agosto, 2015 at 12:45 #

Vamos correr da PM? Claro que vamos.
Nas quebradas das cidades, nas madrugadas frias ou calorentas dos Cabulas da vida, das Candelárias, das baixadas fluminense ou paulista, na noite gelada da Estrutural (DF) ou nas praças, ruas e becos de qualquer cidade do país, a cada minuto alguém morre assassinado ou violentado pela PM. Aí temos os amarildos do Brasil.

Nas belas manifestações populares contra o roubo da Copa da Fifa —organização mafiosa— em 2013 e 2014, a PM bateu, matou, prendeu, forjou flagrantes. Nesses casos, com total apoio e até incentivo dos governantes.

Então…não devemos nada e não tememos nada, “mas vamos correr da PM”.

Alguém duvida que devemos correr da PM? Então leia, por exemplo:

http://ponte.org/rota-torturou-detido-com-choques-no-penis-comprova-laudo-do-iml/

http://ponte.org/5-casos-de-pms-que-forjaram-troca-de-tiros-para-mascarar-assassinatos-contra-pessoas-rendidas-ou-desarmadas-2/#.VYtCTkJOWSo.blogger

http://ponte.org/pm-de-sp-bate-recorde-de-mortes-e-nao-reduz-crimes/
http://ponte.org/pm-bala-de-borracha-documento-secreto/

http://ponte.org/letalidade-da-pm-de-sp-e-escandalosa-diz-diretor-da-anistia-internacional-no-brasil/

http://ponte.org/policia-de-sp-mata-sempre-nos-mesmos-lugares-nos-mais-pobres/

http://ponte.org/patrick-ferreira-de-11-anos-estava-armado-irma-questiona-se-ele-era-dono-do-morro/

http://ponte.org/a-militarizacao-da-seguranca-publica-passa-pela-construcao-do-inimigo-matavel-afirma-delegado/


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