Feliz aniversário, Paulo Afonso, uma das cidades do coração do editor de BP.
Parabéns , Dulce!!!
Belíssimo texto, Janio.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Paulo Afonso:ponte sobre o canyon no São Francisco


CRÔNICA

Chico Buarque e a roda-viva de Dulce

Janio Ferreira Soares

Na última terça-feira, bem cedinho, encontrei minha velha amiga Dulce trajando seu melhor vestido e ostentando um vistoso broche do brasão municipal no peito. Toda orgulhosa, mais uma vez ela repetia o ritual de anos anteriores, quando sempre madruga na avenida motivada por duas importantes celebrações: a emancipação da cidade e a sua chegada por essas bandas, coincidentemente acontecidas no mesmo 28 de julho de 1958.

Como ainda faltava um tempinho para o início do desfile, resolvemos esquentar os ossos sob um sol mais indo do que vindo e aproveitamos para papear um pouco e observar o posicionamento dos carros alegóricos, cheios de alusões aos 57 anos da cidade. “Não morro feliz enquanto não for homenageada num desses”, me confessa a estimada “professora”, que durante anos e anos teve a árdua e prazerosa tarefa de ensinar o bê-á-bá das alcovas a toda uma geração de pauloafonsinos e agregados.

Com 80 anos comemorados no último 23 de junho entre bandeirolas, balões e fogos espocando no céu, mais uma vez ela me conta que ainda mocinha, lá em São Bento do Una (PE), soubera que por aqui o dinheiro vadiava nas mãos da peãozada que trabalhava na construção das hidroelétricas e não teve dúvidas; jogou umas mudas de roupas numa maleta, fez sinal de carona na beira da estrada e em pouco tempo balançava na boleia de um caminhão rumo à balsa que atravessaria o São Francisco até Glória, e dali à cidade que mais tarde iluminaria a sua, o Nordeste e o seu aventureiro coração.

Ao som dos primeiros acordes de uma banda marcial, ela ainda encontra tempo de me contar a genial história de como surgiu o bordel mais ilustre da região.

Corria o ano de 1967 e na época ela gerenciava o Cobra Verde, famosa boate da periferia. Numa noite de tempestade, depois de uma discussão braba com o proprietário, ela foi expulsa do estabelecimento e saiu pela escuridão completamente desorientada, levando consigo apenas um radinho de pilha dentro de uma sacola e o gosto agridoce da mistura chuva/lágrimas lhe escorrendo pelo rosto.

Sem ter pra onde ir e toda encharcada, ela se abrigou sob uma marquise de uma casa abandonada, ligou o rádio e, como numa novela ou num filme onde nessas horas sempre toca a música exata para emoldurar o drama, surge a voz de Chico Buarque cantando seu mais recente sucesso, cuja primeira parte diz: “Tem dias que a gente se sente/como quem partiu ou morreu/a gente estancou de repente/ou foi o mundo então que cresceu/a gente quer ter voz ativa/no nosso destino mandar/mas eis que chega a roda-viva/e carrega o destino pra lá”.

“Naquele instante eu tirei de mim uma força que nem eu sabia que tinha e fiz um juramento: um dia ainda vou ter a minha própria casa e ela terá o nome da música que aliviou minha dor e mudou minha vida”.

Tempos depois nascia o Roda-Viva, ou melhor, a Churrascaria Roda-Viva, disfarce perfeito para o rodízio das carnes mais suculentas e cobiçadas da história de Paulo Afonso. Mas isso é papo para mais adiante.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo


Dilma e governadores no Alvorada:”olha o passarinho!”


ARTIGO DA SEMANA

Governadores e Dilma no País do Faz de Conta

Vitor Hugo Soares

Em épocas temerárias, nas horas de travessias complicadas e tempestuosas – tipo as desta passagem complicada de julho para agosto – há, no Brasil, os que oram, os que lutam e os que choram. Recordo minha mãe, que fazia as três coisas quase ao mesmo tempo em outros períodos parecidos de crises, embora menos cavernosos que os atuais.

Sertaneja de fé e de coragem que foi até morrer, dona Jandira apostava piamente, antes e acima de tudo, no poder das suas preces e dos seus santos de devoção: “o divino e manso São José” e Santo Antônio, pregador impetuoso de Pádua, padroeiro de Glória, a cidade da minha infância à beira do São Francisco, rio da minha aldeia que mingua a olhos vistos e pede socorro urgente, sem ser escutado.

A presidente Dilma Rousseff (PT) prefere pedir arrego aos governadores estaduais, na improvisada e óbvia reunião do Palácio da Alvorada no penúltimo dia de julho. Quase todos eles (os do PT e dos demais partidos representados em volta da mesa da cúpula de Brasília) personagens chorosos e obedientes.

Mal (ou bem?) comparando, tipos lagartixas que, praticamente, só fazem mexer a cabeça em aprovação às palavras e propostas da mandatária. “Homens moluscos” (que ganham o formato e se adaptam a quaisquer mãos do poder da vez), na definição perfeita do mestre penalista Thomas Bacellar, nas suas aulas brilhantes e corajosas na Faculdade de Direito da UFBA dos anos 60/70, da ditadura. Ou depois, no comando da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Em Brasília, quinta-feira, um retrato sem retoque de um País de faz de conta, que nem a grandiosa cenografia palaciana dos arautos e propagandistas do governo consegue disfarçar. Nesse cenário, presidente e governadores de mãos e ideias ralas ou vazias (refiro-me às questões de princípios), de cuia na mão, nesta nova viagem ao coração do poder.

A mesma disposição submersa de raspar o cofre da viúva (se ainda restar algo a raspar). Pedir mais dinheiro para a gastança compartilhada com empreiteiras corruptoras que financiam campanhas, políticos e governantes (numa corrupção endêmica que a Lava Jato quase diariamente põe a nu e o bravo e competente juiz Sérgio Moro, sempre alguns passos à frente da geléia geral reinante, tenta estancar).

Almejam “mais do mesmo” nas eleições municipais do ano que vem. Alcançar a “meta principal” (manutenção do projeto de mando e do status), sem princípios.Pensamentos programas largados às favas. Encenam mais uma vez, perigosa e improvisadamente, alheios (presidente e chefes estaduais) ao vozerio indignado que cresce e se propaga nas ruas, ou se reflete nos números das pesquisas de opinião.

Vejam, por exemplo, a proposta do “pacto nacional pela redução dos homicídios”, que ganhou as principais manchetes, após o encontro no Alvorada. Praticamente tudo se resume a uma cooperação entre os governos federal e estaduais, de repressão em torno “do trivial dona Maria”, desde os idos do golpe de 64: aumento da ação repressiva das polícias, mais confrontos, mais armas, mais cadeias, mais mortes no final das contas, que ninguém se engane.

O governador da Bahia, Rui Costa, saiu do silêncio intelectual e administrativo em que se mantém, para aplaudir “a companheira presidenta” e pedir que reuniões do tipo sejam mais frequentes e regulares: “para que temas como segurança pública e novos financiamentos para a saúde, se tornem objetos consistentes de debates”. Quanta originalidade!!!

Logo ele, que no primeiro dia de mandato, saudou como “gol de placa” a ação feroz e sangrenta de efetivos da RONDESP (grupo e elite da PM baiana, que resultou na morte de 12 pessoas, quase todas sem nenhuma passagem na polícia. “O massacre do Cabula”, como seguem denominando a Anistia Internacional e os promotores públicos da Bahia que tratam do assunto, embora em sentença-relâmpago (a expressão é do jornal espanhol El País, em contundente reportagem sobre o caso), uma juíza tenha decidido pela absolvição dos nove PMs acusados da execução. Decisão já devidamente contestada em instâncias superiores da justiça.

Nada a estranhar – a não ser o que aparenta ser o extremo “da falta de noção”, como sintetiza uma minha sobrinha – do incrível governo da multiplicação de”metas zero”, a exemplo do prometido pela presidente, no “improviso” da cerimônia de lançamento do programa Pronatec Jovem, no Palácio do Planalto. Saudado com palmas, mesmo que envergonhadas, pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante), personagem também do encontro no Alvorada. Tem vídeo circulando intensamente nas redes sociais, para os que ainda se recusam a acreditar que a mandatária brasileira tenha chegado a tal ponto. É só conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


Frank, para uma noite em Itapuã!

BOM DIA, NO SÁBADO DA CHEGADA DE AGOSTO COM LUA PLENA.

(Gilson Nogueira)

ago
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Beatriz Catta Preta ao lado de Paulo Roberto Costa em depoimento do delator à CPI da Petrobras, em setembro de 2014. / Fabio Rodrigues-Pozzebom (Agência Brasil)

DO EL PAIS

Rodolfo Borges

De São Paulo

A Operação Lava Jato, que segue implacável devassando, agora, o setor elétrico, foi alicerçada sobre quatro bases. O tripé principal é composto pela Justiça Federal no Paraná, e a figura central é o juiz Sérgio Moro, o Ministério Público Federal, representado por uma força-tarefa de procuradores, e a Polícia Federal, com agentes atuando por todo o país. Quarto sustentáculo das investigações, as delações (ou colaborações) premiadas permitiram aos agentes da lei chegar a fatos e provas e indícios que não encontrariam de outra forma, mas esse procedimento sofreu um abalo cujas repercussões ainda estão por se ver por completo após o dramático anúncio de aposentadoria da advogada Beatriz Catta Preta.

Especialista em delações premiadas, Catta Preta se destacou na Lava Jato ao fechar nove dos 19 acordos (há outros quatro por selar), entre eles a colaboração original, do ex-diretor da Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. A criminalista ainda atuava em três casos até a semana passada, quando surpreendeu o mundo jurídico ao formalizar seu desligamento da defesa de delatores como o empresário Júlio Camargo. Dias depois, Catta Petra revelaria em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, o motivo de sua decisão de abandonar a advocacia: sentiu-se ameaçada pelo que chamou de “jogo político” e pelas declarações de membros da CPI da Petrobras.

A decisão da advogada foi tomada após os integrantes da CPI aprovarem uma convocação para que ela explicasse a origem dos honorários que recebe dos clientes. No meio político, o questionamento à criminalista foi encarado como consequência da denúncia de Júlio Camargo, de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), teria lhe cobrado 5 milhões de dólares em propina. Após a entrevista de Catta Preta, concedida na noite de quinta-feira, Cunha escreveu em seu perfil no Twitter que não interfere na CPI e “desconhecia a sua convocação, que se deu com certeza antes de o delator mudar a sua versão” — em um primeiro depoimento, Camargo não havia mencionado Cunha na delação; segundo Catta Preta, por receio de retaliações.

O presidente da CPI da Petrobras, Hugo Motta (PMDB), também defendeu o trabalho da comissão e, assim como Cunha, pôs em questão as explicações da advogada sobre o abandono do caso. “O que é mais estranho é uma advogada criminalista alegar que está sendo ameaçada e não trazer nenhum fato concreto [para apresentar]. E vir a um jornal de rede nacional, querer usar a vitimização para esconder, talvez, alguns atos ilícitos que ela tenha cometido no âmbito do processo da Lava Jato”, disse Motta.

Como vitrine e caixa de amplificação da Lava Jato, a CPI da Petrobras expôs ao país, por meio dos depoimentos dos delatores de Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco, detalhes do esquema que, como aponta a última etapa da investigação, transcende a Petrobras. Mas o questionamento do trabalho de Catta Preta apenas engrossa a lista de argumentos dos críticos que dizem que há um conflito de interesses incontornável na comissão. Formada por deputados aliados de investigados, e comandada por nomes próximos a Eduardo Cunha, a CPI tem feito convocatórias sob medida para proteger alguns dos implicados ou aumentar a pressão sobre delatores.
Legislativo versus Judiciário

A batalha entre Legislativo e Judiciário que deve se instalar no STF —prestes a começar a julgar os 49 políticos denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot— foi antecipada pela convocação de Catta Preta à CPI. Isso levou o presidente do STF, Ricardo Lewandoswki, a acatar pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de isentar a criminalista de prestar “quaisquer esclarecimentos” à comissão parlamentar “a respeito de questões relacionadas a fatos que tenha tido conhecimento em decorrência do regular exercício profissional”. Na decisão, o ministro determinou que “seja preservada a confidencialidade que rege a relação entre cliente e advogado, inclusive no que toca à origem dos honorários advocatícios percebidos, notadamente para resguardar o sigilo profissional dos advogados e o direito de defesa”.

Independentemente de quem está com a razão, o fato é que uma ação da CPI da Petrobras entrou em choque com uma advogada central e a pergunta agora é como o desenrolar de seu caso pode influenciar a conduta de outros advogados que trabalham na Lava Jato, que já recuperou 870 milhões de reais aos cofres públicos e, em pouco mais de um ano, condenou 30 de 125 acusados criminalmente.

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Posted on 01-08-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-08-2015


Amarildo, na Gazeta (ES)

SACs e estacionamento

Absolutamente lógica e procedente a proposta do vereador Odiosvaldo Vigas (PDT) para que o governo do Estado retire as unidades do Serviço de Atendimento ao Cidadão dos shoppings onde se cobra estacionamento.

“O SAC presta serviços públicos aos cidadãos de maneira gratuita, portanto não é justo quem precisa utilizar os serviços ter que pagar estacionamento. O Estado paga um aluguel que não é barato, então o serviço prestado não deve onerar o cidadão de forma alguma”, argumentou Odiosvaldo.

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