Sem anéis, Dilma entregará os dedos dia 30

Concretizou-se a ideia do senador Walter Pinheiro (PT) de uma reunião da presidente Dilma com os 27 governadores, que já está sendo programada para quinta-feira da próxima semana, ainda, portanto, em julho, como queria o parlamentar baiano.

É discutível, no entanto, a interpretação de que o “objetivo principal” da presidente seja pedir a ajuda dos governadores, em nome da estabilidade do país, para a aprovação de medidas de seu previamente dilacerado ajuste fiscal. Ela é quem vai “dar” a governabilidade aos visitantes, não o contrário.

Se evoluiu na compreensão da política, especialmente na presente circunstância, Dilma deverá colocar como item número um de sua pauta ouvir o que lhe será dito num raro momento de alta cúpula nacional, em que se reúnem as 28 pessoas mais poderosas do Brasil.

A “grave crise política e econômica”, como está sendo chamada, tem sua assinatura em muitas páginas, a começar por certo absolutismo decisório que lhe tirou apoio até nas próprias bases, fruto da dificuldade de avaliar quadros reais de conflito, como o que levou Eduardo Cunha à presidência da Câmara.

Outro fator, apesar de ter sido eleita sob os auspícios de seus métodos de gestão, seria a incúria administrativa ou coisa pior que tenha gerado uma via láctea de corrupção, isso desde os tempos de presidente da Petrobras.

Mas nenhum terá sido tão tecnicamente decisivo quanto o crescimento dos gastos públicos no ano eleitoral de 2014, da ordem de 21,3% do PIB, contra 18,9% do ano anterior, o que já era um recorde.

O déficit entre receita e despesa do governo federal no ano passado foi de R$ 17,2 bihlões e a meta para 2015 acaba de ser rebaixada de 1,2% do PIB, o que daria R$ 66,3 bilhões, para 0,15%.

Em 2013, o superávit foi de R$ 77 bilhões, equivalentes a 1,6% do PIB, e em 2012 tinha sido maior ainda, de R$ 88 bilhões ou 2% do PIB. São números produzidos na gestão Dilma, que ela usou em seu favor nas urnas. Portanto não pode esperar que os governadores lhe passem a mão na cabeça.

Apelo a patriotismo é coisa para jornalistas e articulistas em geral, com obrigação politicamente correta de desejar ardentemente que do encontro do dia 30 saia algo de bom para nós, viventes – com a ressalva de que parâmetros mínimos podem ser estabelecidos para evitar a explosão da economia.

Mas a tendência maior é de uma ação de depenamento da presidente no que até agora não foi possível e uma relação maior de dependência na busca do tênue equilíbrio. Ela vai sair da reunião com menos poder do que tinha ao “convocá-la”, verbo particularmente impróprio no atual contexto, pois para encontros desse tipo se convida.

jul
26
Posted on 26-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-07-2015


Sid, no portal de humor digital A Charge Online

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

Ainda pagamos Mantega

Nossos leitores não deixaram escapar: desde janeiro, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu do governo federal 281 107,30 reais. Grande parte do dinheiro (154 673,50 reais) foi paga a título de “outras remunerações eventuais”.

Em janeiro, recebeu 68 589,35 reais de verbas indenizatórias. Em fevereiro, 61 869,40 reais de “outras remunerações eventuais”, além de 19 701,41 reais de jetons, honorários pagos quando se participa do conselho administrativo de uma estatal – Mantega fazia parte do Conselho da Petrobras quando era ministro. Em março, 30 934,70 reais de “outras remunerações eventuais” e 18 441,63 reais de jetons. Em abril, recebeu mais 30 934,70 reais de “outras remunerações eventuais”. Em maio, o dado mais recente do Portal da Transparência da CGU, mais 30 934,70 reais, sob mesma justificativa.

Segundo a CGU, “outras remunerações eventuais” são valores pagos em decorrência de acertos de meses anteriores, exercícios anteriores ou decisões judiciais, que não compõem a base de cálculo do teto constitucional.

O Financial Times tem razão: o Brasil é um pesadelo sem fim.

jul
25


DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O homem das fotos da Lava Jato

Em quase toda execução de mandados da Lava Jato, um policial federal aparece nas fotos ao lado dos presos que chegam à Superintendência da PF do Paraná. Segundo a coluna Expresso, da Época, o nome dele é Newton Ishii.

Ele ingressou na PF em 1976, mas em 2003 foi preso pela própria PF suspeito de integrar uma quadrilha de contrabando na fronteira com o Paraguai. Chegou a ser expulso da corporação e responder a processos criminais e civis.

Reintegrado, de acordo com a Época, goza hoje de total confiança da direção da PF.

(DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)


Newton Ishii: da expulsão à reintegração, com a total confiança
dos diretores da PF

jul
25
Posted on 25-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-07-2015


A explosiva reportagem (exclusiva) da revista VEJA desta semana, que chega às bancas e às casas dos assinantes


Foreign Policy(FR) sobre Lula-Odebrecht:
reportagem de impacto mundial.


FP em espanhol:”seriedade, amenidade e rigor”


ARTIGO DA SEMANA

Corrupção à brasileira: Lula na Foreign Policy (FP)

Vitor Hugo Soares

Uma vez – essa história não faz tanto tempo assim -, eu caminhava de mãos dadas com Margarida (também jornalista) pelo aeroporto de Barajas, na fase em que a Espanha flanava toda cheia de si sobre as ondas de seu mais recente (e já desmoronado) sonho de império, opulência econômico-financeira e tranquilidade política.

Barajas, um dos mais importantes e movimentados aeroportos da Europa, acabara de ser reformado e modernizado (a capital espanhola inteira, aliás, parecia um imenso canteiro de obras e paraíso das grandes empreiteiras). Era então o mais novo e imponente postal de entrada e saída da cidade repaginada. O mundo e o tempo loucos e maravilhosamente criativos dos anos 60/70 haviam ficado para trás nas muitas voltas. A juventude quase nem fumava ou lembrava mais dos famosos “chinos de Madri” da canção “Un Vestido y un Amor”, do portenho Fito Paes, que o baiano Caetano Veloso transformaria em sucesso mundial no disco “Fina Estampa”.

Foi no aeroporto, daquela vez, que vi a “FP-Foreign Policy” (edição espanhola) exposta em um lugar de destaque da vitrine na babel do quiosque de revistas e periódicos do mundo inteiro. Achei estranho o nome da publicação, mas o design moderno da capa e as chamadas para as matérias principais da edição que acabara de sair do forno, me apanharam de cheio.

Comprei um exemplar para ler no voo de volta ao Brasil. Abri a revista e logo fui arrebatado por uma paixão jornalística à primeira vista, da qual depois não mais me afastei ou me arrependi, apesar das novas e tantas viradas do planeta. Isso aconteceu há uma década, quando o Brasil também “era tudo de bom”, no dizer quase nunca questionado da baita propaganda oficial do Governo Lula e do PT. Nem se falava em Mensalão e, muito menos, se imaginava um escândalo de ladroagem envolvendo corruptos e corruptores – malfeitores públicos e privados em conluio – do tamanho da Lava Jato. Que a cada dia, praticamente, aponta para novos desvãos criminosos e de consequências ainda insondáveis. A conferir.

Recordo do episódio em Madri depois de ver, esta semana, a reportagem da “FP-Foreign Policy” (edição dos Estados Unidos), que traz entre seus principais conteúdos, uma reportagem demolidora a partir do título: “Lula está apoiando empresas corruptas a fazer negócios corruptos no exterior”.

Abro aqui um breve espaço de informações sobre a “FP”, para quem desconhece a revista norte-americana não ficar imaginando que a publicação de nome tão estranho é um “balcão de negócios jornalísticos”, ou algo superficial, nos moldes das revistas de escândalos em torno de “celebridades”, tão comuns na Espanha e no Brasil, ou dos famosos tabloides britânicos, para ler no metrô e jogar no lixo.

“Foreign Policy (FP)” requer muitos e quase todos favoráveis adjetivos: prestigiosa, inovadora, lúcida, substanciosa e inteligente revista dedicada a ideias globais. Trata de assuntos internacionais (do futebol da FIFA, na Suíça e Estados Unidos, ao Petrolão, no Brasil) de maneira diferente e igualmente interessante. Encara criticamente, de forma permanente e criteriosa, o desafio de alcançar em seu conteúdo, a difícil mescla jornalística de “seriedade, amenidade e rigor”. Servidos em textos primorosos

Há, porém (e sempre há um porém), os que consideram FP um reduto inexpugnável de intelectuais neoliberais , elitistas vaidosos e inimigos do “pensamento de esquerda e dos intelectuais, gente do poder e de governantes em geral que o expressam e representam”.

São opiniões. O fato é que a reportagem da “Foreign Policy” considera que o Brasil cria novo modelo de investigação da corrupção ao apurar ação do ex-presidente Lula fora do governo, o que é praticamente inédito em todo o mundo. “Enquanto muitos ex-presidentes e premiês já foram investigados após deixarem os cargos, é a ação deles enquanto governantes que normalmente é analisada. Investigações (neste caso ) estão examinando o papel que [Lula] da Silva teve para garantir contratos para a Odebrecht em Cuba, no Panamá, na Venezuela, em Gana e em outros países”, diz a revista americana em sua página na Internet.

“Lula está ajudando empresas corruptas a fazerem negócios corruptos no exterior”, afirmou à revista o diretor regional da Transparência Internacional, Alejandro Salas. Paro por aqui. Quem quiser saber mais veja na revista, cuja reportagem causa impacto internacional.

Foreign Policy é editada em Washington desde 1970. A edição espanhola da revista, cujo exemplar adquiri em Barajas, é bem mais recente: começou em 2004. Me penitencio, pessoal e profissionalmente, pelo atraso da descoberta, apesar de ter passado antes pelos Estados Unidos, quando FP já era sucesso entre seus leitores, principalmente nos meios intelectuais e jornalísticos. Vida que segue.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com

Fábio Paes, sertanejo retado! Bom de música e bom de verso!!!

(Gilson Nogueira e Vitor Hugo Soares)

DO EL PAIS

Gil Alessi

São Paulo

Os presidentes de duas das maiores construtoras do Brasil foram denunciados nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal em mais uma ação da Operação Lava Jato. Marcelo Bahia Odebrecht, da Odebrecht, e Otávio Marques de Azevedo, da Andrade Gutierrez, foram acusados de participar de esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa que lesou os cofres públicos. Além deles, outras 20 pessoas também foram denunciadas, entre executivos, funcionários da Petrobras e operadores. Agora caberá ao juiz Sérgio Moro decidir se eles vão a julgamento.

Além do pagamento de propina pelas empreiteiras para conseguir contratos com a estatal, os procuradores também apontaram que elas praticaram crime de cartel, combinando o resultado das licitações. Entre os nomes apresentados hoje, destacam-se também os ex-diretores da estatal petroleira Pedro Barusco, Paulo Costa e Roberto Duque – com exceção do último, os outros fecharam acordos de delação premiada com a Justiça. Outro funcionário da empresa, o gerente de empreendimentos em Vitória (ES) Celso Araripe de Oliveira, também estava na lista do MPF. O doleiro Alberto Youssef, delator do esquema, também foi citado.

As denúncias foram apresentadas no mesmo dia em que Moro decretou nova prisão preventiva para os executivos da Odebrecht detidos, entre eles Marcelo. Eles já estavam presos desde 19 de junho. No despacho, Moro cita a obtenção de novas provas sobre o pagamento de propina via contas na Suíça. De acordo com o Ministério Público suíço, empresas subsidiárias da Odebrecht fora do Brasil foram usadas para pagar 17,6 milhões de dólares (59 milhões de reais) a ex-dirigentes da Petrobras em contas secretas na Europa. “As informações que vieram da Suíça apenas corroboraram as nossas provas”, afirmou Dallagnol.

O procurador disse que o esquema de pagamentos das empresas aos diretores da Petrobras era feito de forma sofisticada, usando empresas offshore e com três níveis de lavagem de dinheiro. Foram apresentados documentos comprovando que as companhias de fachada envolvidas eram de propriedade dos indiciados. “Offshores são o refinamento do laranja e do testa-de-ferro, são usadas para ocultar o real titular das contas”, afirmou.

Alexandrino Alencar, ex-diretor de relações internacionais da Odebrecht que teria viajado com o ex-presidente Lula para Estados Unidos, Cuba e países da África também foi denunciado. Na semana passada a procuradoria do Distrito Federal abriu inquérito para investigar o petista por tráfico de influência. Existe a suspeita de que ele tenha tentado favorecer negócios internacionais da Odebrecht.

870 milhões de reais já foram restituídos aos cofres públicos pela Lava Jato graças a acordos com os investigados

Uma das operações investigadas pela Lava Jato e apresentada hoje, envolvendo a empresa Braskem – de propriedade da Odebrecht – e a Petrobras, deu prejuízos de 6 bilhões de reais à estatal. Em outro caso analisado, o ex-diretor Paulo Costa recebeu 5 milhões de reais em propinas por ano.

Dallagnol também falou sobre os números da Lava Jato até o momento, e afirmou que “jamais houve uma recuperação de valores tão grande” quanto os da operação: 870 milhões de reais já foram restituídos aos cofres públicos, “por meio de acordos com investigados”. Desse valor, 385 milhões vieram de contas de fora do pais.

A Odebrecht e a Andrade Gutierrez sempre negaram participação no esquema investigado pela Lava Jato. Após a denúncia do MPF, a advogada da Odebrecht Dora Cavalcanti afirmou que as investigações não justificam a prisão dos executivos da empresa, consideradas por ela ilegais, e disse que “não houve nenhuma razão que justificasse a imposição dessa medida”.

jul
25
Posted on 25-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-07-2015


Paixão, na Gazeta do Povo (PR)

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES )

enador quer reunião de Dilma com governadores

Em entrevista à repórter Raquel Ulhôa, do Valor Econômico, publicada terça-feira (21) sob o título “Um pacto pelos Estados em meio à crise política”, o senador Pinheiro propôs que a presidente Dilma promova ainda em julho uma reunião com os 27 governadores num entendimento para evitar que a crise política se agrave e impeça a votação das propostas do pacto federativo em agosto, o que levaria à “quebradeira geral” no país.

“Há 27 governadores pilotando crises locais. Eles precisam ser chamados pela presidenta para discutir uma saída para o Brasil. O governo tem 15 dias para gestar essa proposta. O país precisa voltar a funcionar, senão, além da crise política, haverá uma crise de solução no país, com demissão em massa, não pagamento de folha salarial, crise de abastecimento, etc” – afirmou.

Pinheiro entende que as medidas em apreciação no Senado são a “única solução para os graves problemas fiscais, econômicos e de gestão enfrentados pelos Estados e municípios, e essa não é uma situação a ser liderada pelo ministro Joaquim Levy, um “técnico”, e sim pela presidente.

Dilma, na sua opinião, não detém o “comando dos acontecimentos” na crise e deveria deixar claro que “não está buscando salvar a sua pele, mas o país”. Para o senador, nas condições atuais, o governo não tem condições da fazer qualquer matéria ser votada no Congresso, porque “não tem uma liderança para chamar os caras”.

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