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A razão de Catta Preta

A advogada Beatriz Catta Preta esclarecerá nas próximas horas a razão de ter abandonado a defesa de seus clientes no Brasil e se mudado para os Estados Unidos. Ela conduziu nove dos 17 acordos de delação premiadas da Lava Jato.

Segundo Monica Bergamo, ela deve dizer que se sente ameaçada no Brasil.

(DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)

jul
30
Posted on 30-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-07-2015


Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DO EL PAIS

Heriberto Araújo / Anna Veciana

Do Rio de Janeiro

A aparência desértica do estacionamento e dos corredores do único shopping center de Itaboraí é uma perfeita metáfora do colapso sofrido por essa localidade a 50 quilômetros do Rio de Janeiro. Apenas meia centena de automóveis se distribuem em um estacionamento com capacidade para 1.000 veículos, enquanto um hotel, uma faculdade, 160 espaços comerciais, 10 salas de cinema e uma praça de alimentação que pode abrigar mil pessoas completam uma área praticamente vazia.

“Mal chegamos a 60% da cifra planejada do negócio”, explica Sharline Oliveira, dona de um salão de manicure situado no shopping. Durante a meia hora de duração da entrevista, suas seis funcionárias aguardam sentadas a chegada de clientes que, prevê João, empregado de uma franquia de fast-food, dificilmente aparecerão. “Como as pessoas vão vir consumir se toda Itaboraí perdeu o emprego?”, argumenta.

Para um centro urbano de apenas 200.000 pessoas, que não passava de mais uma cidade-dormitório do Rio, o investimento de 265 milhões de reais destinado a erguer o shopping center foi notável. Mas, até que tudo desmoronasse, os ambiciosos planos petroleiros que o Governo brasileiro e sua empresa de ponta de lança, a estatal Petrobras, tinham para a localidade convidavam a ser otimistas. Muitos pensaram que a história de Itaboraí daria um giro em 2006, quando em decorrência do descobrimento das maiores reservas petrolíferas da história do Brasil (o chamado pré-sal, mar adentro), o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou no município “o maior investimento feito no país”: o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, conhecido em geral pelos brasileiros por sua sigla, Comperj.
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O projeto era extraordinariamente ambicioso em seu impacto socioeconômico. Uma unidade de tratamento de gás natural, duas refinarias e uma zona de processamento petroquímico deveriam ser erguidas em uma área de 45 quilômetros quadrados, e os empregos gerados direta ou indiretamente superariam os 200.000. “Não conheço na América Latina um investimento da magnitude do que estamos lançando aqui”, disse Lula em 2010, ao inaugurar as obras com um discurso marcadamente nacionalista. “O século XXI é o século do Brasil. Já perdemos algumas oportunidades, mas não perderemos esta”, concluiu o ex-sindicalista, ao lado de sua mão direita à época, Dilma Rousseff, que liderou o Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010, antes de se tornar presidenta do país.

Ao evocar esse episódio, Helil Cardozo, prefeito de Itaboraí, sente uma irrefreável indignação. “Riram da população e dos investidores que acreditaram nessas palavras. Disseram que iríamos ser a segunda renda mais alta do Estado do Rio de Janeiro. Foi uma piada de mau gosto”, recorda esse prefeito pelo PMDB, paradoxalmente o maior aliado do Governo.

Quase uma década depois de seu anúncio, o Comperj é talvez a melhor ilustração da corrupção, das ineficiências e do intervencionismo político que gangrenam a Petrobras, a maior empresa do Brasil, guardiã das reservas de petróleo e até pouco tempo motivo de orgulho nacional. Como ponto forte de um longo decálogo de más práticas sobressai a redução drástica e súbita do Comperj original – inicialmente, a ideia era criar um polo petroquímico, mas agora tudo se resumirá a uma refinaria com capacidade diária para 165.000 barris –, sem que essa degradação tenha evitado, porém, que o custo orçamentário triplicasse, até os atuais 70 bilhões de reais. Uma cifra colossal à qual terão de ser adicionados alguns milhões mais para concluir as obras, hoje paradas, com 85% terminado.

Longe de se transformar no novo eldorado do Brasil moderno, o fracasso do projeto provocou “uma situação de caos no município”, explica o prefeito. Um cenário que é consequência da chegada de mais de 30.000 trabalhadores, com suas famílias, em busca de oportunidades, e que motivou um aumento da demanda de serviços e fez disparar os gastos públicos, hoje insustentáveis. “Foram construídas escolas e creches, inaugurados novos postos de saúde. O hospital foi melhorado e houve obras de infraestrutura. Como íamos deixar as crianças recém-chegadas sem salas de aula ou os doentes morrerem sem atendimento médico?”, diz Cardozo, que recebeu o El PAÍS com camisas de manga curta e com a iluminação e o ar-condicionado de seu gabinete desligados, segundo ele, para ser coerente com os cortes orçamentários que está efetuando. “Reduzi meu salário e o dos funcionários em 20%, e estamos cancelando contratos de fornecimento”, garante. A arrecadação municipal caiu pela metade. Cardozo faz uma analogia com o setor automobilístico para definir o atual estado de coisas em Itaboraí. “Antes do Comperj éramos um Fusquinha com combustível. Passamos a dispor de uma Ferrari que ia a toda a velocidade, mas que agora não tem nem gasolina nem pneus.”

O fracasso do macroprojeto tem uma visível cicatriz social. Ao desolado panorama do shopping center se somam dezenas de cartazes de “vende-se” pendurados em lojas fechadas e residências particulares que ninguém quer alugar. Grandes projetos imobiliários – como as ambiciosas torres comerciais Van Gogh Corporate e Hellix Business Center – que foram erguidos para responder à eventual demanda de serviços sofisticados são hoje elefantes brancos com acabamento de primeira e piscinas em terraços ainda sem estrear. Pequenos empreendedores que montaram pousadas fecharam o negócio e vendem, no desespero, as camas e o restante do mobiliário para recuperar uma parte dos investimentos fracassados.

O ambiente de decepção e pessimismo impregna as conversas na cidade, onde o desemprego continua crescendo com força, como explica Anderson Santana, coordenador do único centro de atendimento a desempregados. “Todo mês recebemos umas 5.000 pessoas que querem se inscrever nas listas. Muitos fazem filas até mesmo às três da madrugada”, afirma.

Numa vista aérea, o Comperj é apenas um exemplo – entre muitos outros, como a refinaria Abreu e Lima, também com custos disparatados – do impacto do sonho petrolífero brasileiro, a maior trama de corrupção da história do país. Essa é a definição que usou o procurador-geral Rodrigo Janot para descrever a Operação Lava Jato, que investiga os desvios no interior da Petrobras.
Petrobras, no olho do furacão

A Operação Lava Jato descobriu uma rede de corrupção “enorme e descomunal” na Petrobras, segundo a Procuradoria-Geral, e o caso ameaça ter repercussões internacionais, principalmente nos Estados Unidos, onde a petrolífera enfrenta uma ação judicial promovida por investidores.

A empresa reconheceu, em seu último balanço anual, perdas por superfaturamento e pagamento de propinas estimadas em 6,2 bilhões de reais, mas a Polícia Federal trabalha com estimativas que apontam que o desfalque poderia superar os 20 bilhões de reais entre 2004 e 2012, já que os contratos de fornecimento foram inflados em até 20%.

A lista de envolvidos não para de crescer e corrói a pouca credibilidade da classe governante. Já são 49 os políticos acusados – entre eles, 13 senadores e 22 deputados. Os presidentes do Congresso e do Senado também estão sendo investigados. Na lista de envolvidos ilustres figura também João Vaccari Neto, que foi tesoureiro do Partido dos Trabalhadores até abril, quando foi expulso da legenda governista após ser ordenada sua prisão preventiva.

O Brasil debate agora uma reforma do modelo de exploração do pré-sal e uma melhoria da gestão da Petrobras, cujos lucros caíram 30% no primeiro trimestre. Além da corrupção, somam-se casos de ineficiência e o uso político da petrolífera para conter a inflação, já que a estatal vende refinados de petróleo abaixo do valor pelo qual os adquire no exterior. “O controle dos preços dos combustíveis por parte do Governo fez a Petrobras perder 20 bilhões de reais entre 2011 e 2014”, assinala José Mauro de Moraes, membro do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e especialista em Petrobras.

Desde que foi desvendado em meados de 2014, o país – fervoroso amante das telenovelas – assiste atônito a essa novela que gira em torno da estatal, e que tem executivos, políticos, intermediários e empreiteiras do porte da Odebrecht – a maior construtora da América Latina – como elenco de primeira categoria, todos em conluio para cometer um multimilionário desfalque por meio de obras superfaturadas em licitações de cartas marcadas. Os promotores estimam que 3% do valor dos contratos firmados pela petroleira com prestadores de serviços foi desviado durante pelo menos uma década para benefício de seus diretores e, sobretudo, dos partidos políticos, entre os quais o PT. O escândalo prejudicou a imagem do país e ensombrece o mandato de Dilma Rousseff.

Para a debacle petrolífera contribuíram, com a corrupção e a ineficiência, a derrocada dos preços do petróleo, que acumula uma queda de 40% em apenas um ano. Uma dinâmica que afeta todas as companhias energéticas do planeta, mas ainda mais a Petrobras, cujas valiosas reservas se encontram a quilômetros de profundidade no mar, sob uma camada de sal que chega a espessuras de até 2.000 metros.

Extrair o ouro negro nessas condições não só representa um desafio técnico, do qual o Brasil está na vanguarda, mas também investimentos anuais no valor de bilhões de dólares, que a Petrobras – obrigada por lei a ser operadora nas grandes jazidas – parece não estar em condições de realizar. Em especial, quando se leva em conta que sua dívida colossal – que passa de 100 bilhões de dólares (335 bilhões de reais) e supera, por exemplo, o PIB da Eslováquia – é a maior do mundo para uma petroleira.

“Para conseguir que o pré-sal tenha efetivamente um impacto no desenvolvimento social e econômico brasileiro, como se pensou que iria acontecer quando as reservas foram descobertas em 2006, é preciso realizar mudanças legislativas e uma reformulação”, opina José Mauro de Morais, membro do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e autor de um livro recente sobre a história da Petrobras.
Queda do preço do petróleo

O impacto da queda dos preços do petróleo é palpável em Macaé, a “capital brasileira do petróleo”, como garantem os cartazes na entrada dessa cidade situada 250 quilômetros a nordeste do Rio. Estradas de mão dupla cortam vales de espetaculares colinas de terra vermelha e natureza tropical. As águias cruzam o céu azul, alheias ao desesperador ritmo que os caminhões impõem em um país que sofre com um extraordinário déficit de infraestrutura.

A economia de Macaé, base de operações de exploração e produção de petróleo na Bacia de Campos, cresceu 600% entre 2003 e 2013. No porto pesqueiro, o movimento de navios e barcos de grande porte é visível a qualquer hora. Mas a imagem pode ser enganosa. “As coisas não vão bem. A crise está sendo muito notada”, comenta Mike, capitão norte-americano de um navio que levará, nas próximas sete semanas, víveres e peças de reposição até as plataformas petrolíferas.

A poucos metros dali, em uma praia na qual é impossível nadar por causa dos tanques de diesel que abastecem pequenas embarcações, um grupo de transportadores joga bola. “Reduziram nossas horas extras e muitos perderam o emprego”, diz João em um intervalo do jogo. Os sindicatos cifram em 20.000 os empregos perdidos no último ano, um terço da força de trabalho que vive do petróleo na cidade.

“Somos um Ferrari sem gasolina nem rodas”, diz o prefeito Cardozo

Na principal área de compras, a avenida Rui Barbosa, o grau de incerteza também é alto. Os comerciantes – de lojistas de eletrodomésticos a vendedores de tecidos ou acessórios para celulares – calculam que a atividade caiu cerca de 30%. “Está tudo parado. Não há trabalho”, queixa-se Francisco José de Holanda, um pintor industrial desempregado cheio de currículos. Jorge Gomes, de 34 anos, vendedor de colchões, está trabalhando, mas mal ganha para viver. “Como dependemos da comissão por vendas, passei a ganhar 2.000 reais, em vez de 4.000”, explica, deixei de cobrar 4.000 reais e passei a cobrar 2.000”, explica, vestindo um vistoso avental branco.

A crise também afeta a arrecadação municipal, e a previsão é que algumas cidades do Estado do Rio – onde se extrai 80% do petróleo brasileiro – percam até 40% das receitas por direitos de exploração. No total, o Estado fluminense arrecadará este ano entre 7 bilhões e 11 bilhões de reais a menos. São números que exigem, inevitavelmente, reduzir os gastos sociais.

No bairro de Lagomar, esse argumento é visto como uma desculpa. Nesta favela de construções sem acabamento, falta água corrente e as ruas estão sem asfalto, embora a cerca de vinte metros da comunidade passe um gasoduto, perceptível pela crista de areia levantada pela tubulação subterrânea. “Os políticos só se lembram de nós quando há eleições”, diz Maria Luisa Santos, dona de um vistosa mercearia. Querem que sejamos ignorantes para que não exijamos deles educação e saúde. Quanto mais burros, mais fáceis nós somos de manipular”, concorda Cintia, uma vizinha.

No entanto, talvez a maior desilusão pelo choque de realidade petrolífero não ocorra em terra, mas no mar. Magé é um modesto município às margens do Atlântico. Ali, na Baía de Guanabara, pescam Alexandre Anderson e seu companheiro de batalhas, Maicon de Carvalho, apelidado de Pelé. Esse lugar, epicentro natural do Rio, é um enclave estratégico para a Petrobras, já que a empresa gera ali uma usina de regaseificação e dois terminais que, por meio de oleodutos, enviam para refinarias o petróleo trazido do alto mar por navios.

Esses navios, diz Anderson, têm “expulsado gradualmente milhares de pescadores” que vivem da captura de espécies como o pregado, o camarão ou a sardinha. “Em 1990 podíamos pescar em 78% da baía, mas hoje essa zona está reduzida a 12%”, denuncia. A associação que ele preside, a Ahomar, representa 9.000 famílias pesqueiras. Seu histórico de vitórias inclui o fato de ter evitado, por meio de uma campanha ecológica, que a Petrobras usasse em 2010 o exuberante rio Maracu – cuja desembocadura gera um mangue que acolhe belas aves, como a fragata – para transportar grandes equipamentos destinados ao Comperj.

Quatro homens carregam o barco até a margem, e Anderson sua. “Já não estou acostumado”, diz o ativista, baixo, forte e eloquente, referindo-se à mudança forçada de seu modo de vida – o fim da pesca e a imposição de uma residência itinerante – desde que entrou, em 2009, em um programa de proteção de defensores dos direitos humanos. Havia sofrido seis ataques a tiros lançados pelas chamadas milícias, formadas por criminosos e até por ex-policiais. “Durante dois anos e meio, o Governo brasileiro pôs policiais militares para me escoltar 24 horas por dia, mas nem assim conseguiram evitar os ataques”, lembra ele. “Uma investigação posterior revelou que os mesmos policiais que me protegiam trabalhavam para a milícia em seus dias de folga. No Brasil, o maior violador de direitos humanos é o Governo”, diz, enquanto conduz o barco perto de um enorme petroleiro.

“Somos vulneráveis porque o Estado de Direito é vulnerável. Não estamos contra a Petrobras, mas contra a forma como ela é administrada”, afirma, antes de lembrar a morte ou o desaparecimento de sete pescadores nos últimos cinco anos. Homicídios carregados de crueldade – colocaram uma das vítimas de mãos amarradas em seu barco e o afundaram – para minar a resistência. Trata-se de um crime frequente no Brasil, que lidera o índice mundial de países com mais assassinatos de ativistas de defesa do meio ambiente, com 29 mortes em 2014, segundo a ONG britânica Global Witness.

Os pescadores não reclamam apenas que as atividades petrolíferas na baía lhes causem um prejuízo econômico que tem consequências sociais como o aumento do alcoolismo, a depressão ou o êxodo de população das localidades pesqueiras. “Estão acabando com um processo histórico, com uma pesca herdada por gerações, que agora não poderemos transmitir para nossos netos”, critica Anderson, que em plena travessia mostra uma barragem de pesca, um viveiro artesanal feito com varas de bambu erguidas sobre o fundo arenoso. “Estão colocando em risco um modo de vida que perdura há séculos”, concorda o biólogo Breno Herrera.

BOA TARDE!!!

jul
29

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (LISBOA)

A fotografia de uma mulher vestida de burca rendeu a manchete do The New York Post. O jornal afirma que quem se esconde atrás desta peça de vestuário muçulmano, que cobre todo o corpo e também a cara, é Gisele Bündchen. O motivo? Não ser reconhecida enquanto se dirigia para uma clínica estética francesa, onde teria sido submetida a uma intervenção cirúrgica nos seios.

O The New York Post explica os indícios que levam ao nome da modelo brasileira, uma vez que na imagem a cara da mulher encontra-se coberta. Em primeiro lugar o fato de a mulher em causa estar acompanhada pelo motorista de Gisele Bündchen, com quem a top model brasileira já tinha sido vista a sair de um hotel parisiense dias antes destas imagens.O jornal também aponta o fato de a mulher vestida de burca estar calçada com sandálias, o que vai contra as regras do uso desta veste.

O jornal avança que a manequim brasileira, de 35 anos, submeteu-se a uma cirurgia aos seios, que perderam firmeza após a gravidez. Recorde-se que Gisele tem dois filhos, Benjamin, 5 anos, e Vivian, 2. Ainda assim, Gisele tinha afirmado em ocasiões anteriores que não pretendia fazer cirurgias plásticas. A representante da manequim não quis comentar a notícia adiantada pelo The New York Post.

OPINIÃO

Para Dilma, trabalho é mais eficaz que passeio

Informa-se que o ex-presidente Lula e o ministro Jaques Wagner são os mentores de um giro da presidente Dilma Rousseff pelo Nordeste para tentar reverter a queda de popularidade que sofreu na região onde teve sua maior base de apoio.

É um programa mais fadado a fracasso que a sucesso, pois se caracteriza pela superficialidade do pensamento de “articuladores políticos” que parecem não enxergar um palmo diante do nariz e querem “divulgar investimentos e inaugurar obras de forte apelo popular”.

Dilma e seu antecessor Lula foram os grandes beneficiários das políticas voltadas para a população nordestina desenvolvidas em três governos consecutivos, mas a aprovação que tinham deteriora-se rapidamente pela crise fiscal que restringe direitos e pela imagem pouco edificante projetada pela corrupção.

Os índices desabam perigosamente, e seria por certo mais eficaz que os governantes se concentrassem em buscar soluções consistentes e duradouras que possam mudar o quadro mais adiante. Turismo presidencial, mesmo em tão importantes companhias, não vai resolver nada e ainda pode piorar as coisas.

BOM DIA!!! NÃO CUSTA REPETIR. E FAZ BEM, APESAR DE TODOS OS DESVÃOS E DE TODAS AS LOUCURAS!!!

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAIS

O juiz Sergio Moro aceitou nesta terça-feira a denúncia do Ministério Público Federal contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros 12 por crimes como organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro nacional e internacional. Entre os denunciados, estão o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

O grupo, que ainda conta com quatro ex-diretores da Odebrecht e os ex-executivos da Petrobras Pedro Barusco e Renato Duque, foi denunciado pelo MPF na última sexta-feira. A partir de agora, todos eles são considerados réus na ação penal. Ao aceitar a denúncia, Moro considerou que as provas apresentadas até o momento justificam a abertura do procedimento. “Há, em cognição sumária, provas documentais significativas da materilidade dos crimes, não sendo possível afirmar que a denúncia sustenta-se apenas na declaração de criminosos colaboradores”, escreveu no despacho.


Gráficos sombrios: Bolsa de Xangai registrou a maior queda dos últimos anos na segunda/ / FRED/El Pais

DO EL PAIS

Heloísa Mendonça

De São Paulo

Os sinais da temida desaceleração da economia chinesa se intensificaram após a Bolsa de Xangai registrar a maior queda dos últimos oito anos e lançaram um alarme para a economia brasileira. O forte recuo de 8,5% da bolsa chinesa, na segunda-feira, influenciado pela divulgação de dados ruins da indústria, teve impacto nos preços das commodities e levou à desvalorização de várias moedas emergentes como o real, que chegou à cotação mais baixa em 12 anos.

A freada do gigante asiático, maior comprador do Brasil, e a própria mudança de rumo no modelo da economia chinesa, que aposta agora no consumo interno, já se reflete na balança comercial brasileira deste ano. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, de janeiro a junho deste ano, as exportações para a China registraram uma queda de 22,6% em receita, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Ao todo, a China comprou 18,4 bilhões de dólares no período, equivalente a 19,6% do total das vendas ao exterior do Brasil, mantendo-se como o maior comprador do país.

Vários indicadores ruins divulgados recentemente voltaram a mostrar que os esforços do Governo chinês para retomar o bom desempenho das Bolsas do país, que caíram cerca de 28% nos últimos 45 dias, não foram suficientes. Um deles foi a notícia de que o lucro das maiores companhias do país caiu 0,7% no semestre em relação ao mesmo período de 2014. Pelas novas estimativas do FMI, a segunda maior economia do planeta deve seguir um ritmo mais lento neste ano e crescer 6,8%. No ano passado, a expansão foi de 7,4%.

“Claramente, a produção chinesa vai reduzir e, consequentemente, diminuirá a demanda por commodities nos países exportadores, como o Brasil”, diz o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Além da queda de volume exportado, o Brasil sofrerá pela queda no preço do minério de ferro, soja e o petróleo enviados a Pequim.

“O modelo chinês está mudando, dando uma ênfase maior no consumo com o avanço do processo de urbanização. Eles estão colocando um freio em novos investimentos já que há uma descompasso entre a oferta e a demanda. Desacelerar é uma estratégia, mas claramente essa transição não poderá ser abrupta”, explica o professor André Nassif, da FGV.

Para o Presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, o fundamento da economia ainda é sólido, porém a preocupação com um crescimento mais sustentável faz o país desacelerar economicamente. “O Governo já não está preocupado com uma expansão de dois dígitos, ele está focado na qualidade do crescimento. Os investimentos serão mais sofisticados nos próximos anos”, explica Tang que acredita que o país asiático ainda tem interesse de investir no Brasil e exportar seus produtos para o mercado brasileiro.

“A China possui hoje uma produção que ultrapassou a demanda e vê no Brasil a possibilidade exportar os seus excessos”, prevê. Ele lembra que mesmo com desaceleração, a China também ainda precisa dos grãos e do petróleo brasileiro.

Mudança de rumo

Apesar do recuo chinês impactar a economia brasileira, Nassif pondera que o novo cenário mundial de queda dos valores das commodities indica que o modelo brasileiro tão dependente da exportação de matérias-primas já não é sustentável e precisa ser alterado. “Se o Brasil continuasse assim, entraríamos em um ciclo da doença holandesa (que, em economia, refere-se à relação entre o aumento da exportação de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro”, explica Nassif.

A saída do Brasil para retomar o crescimento, segundo o professor, é incentivar o desenvolvimento industrial e do setor manufatureiro. “Só assim é possível reverter esse quadro de dependência de vendas de minério e de produtos agrícolas”, diz. Nos primeiros seis meses deste ano, os manufaturados representaram apenas 37% das exportações brasileiras.

No entanto, o caminho para essa transformação do setor exportador não é fácil já que o Brasil enfrenta uma situação adversa interna e está imerso em uma conjuntura de crescimento mundial rastejante. Ainda que o atual patamar da taxa de câmbio favoreça a competitividade de produtos exportados pelo Brasil, o país depende da volta de um crescimento mundial mais robusto, que não tem dado grandes sinais de recuperação, com exceção dos Estados Unidos.


No breu:Biblioteca da UFBA (Ondina)

DO CORREIO 24HORAS

Biblioteca fechando mais cedo — com direito a breu entre as prateleiras e ar-condicionado quebrado. Faculdade sem água e banheiros sem papel higiênico. Equipamentos sem funcionar e sem previsão de reparo. Empresas terceirizadas, que contratam vigilantes, seguranças, agentes de limpeza e porteiros, sem receber. Professores e alunos pagando do próprio bolso a compra de material.

“Temos que fazer muito sacrifício para continuar com a pesquisa. Precisa sempre de um jeitinho”, conta o estudante do doutorado em Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Leonardo Teles, 28 anos. A situação está longe de ser só dele: ontem, o CORREIO visitou 10 institutos e faculdades da Ufba e escutou funcionários, professores e alunos de 12 cursos. Todos tinham uma lista de problemas na ponta da língua e acrescentavam uma nova preocupação: a redução de custos anunciada em carta da Reitoria na última segunda-feira.

Foi só depois que a universidade divulgou uma carta anunciando a diminuição em contratos de terceirizados e gastos com custeio (água, energia e telefone), que muita gente ficou sabendo da crise da Ufba. No entanto, para quem vive a universidade, os tais tempos difíceis já tinham começado em 2014.

Serão R$ 60 milhões a menos no orçamento de custeio de 2015 da Ufba — ao todo, eram esperados R$ 180 milhões. Devido às limitações orçamentárias anunciadas pelo governo federal, o repasse às universidades foi reduzido em um terço. Inicialmente, a assessoria da Ufba informou que o valor total a ser recebido era R$ 310 milhões, mas corrigiu o número ontem.

Em reunião com reitores das federais, o Ministério da Educação (MEC) informou, ontem, no entanto, que pelo menos este mês, o repasse de recursos não teve contingenciamento. A notícia é boa, porém a Ufba já registra um “expressivo déficit” referente ao ano de 2014 — o valor continua não sendo informado pela instituição.

Livros no breu
Na Biblioteca Central da Ufba, o problema vai além de um apagar de luzes (parte das lâmpadas do setor de empréstimos está quebrada) e do calor sem ar-condicionado. Por conta do atraso no pagamento dos funcionários terceirizados, o horário de fechamento foi encurtado: passou das 22h para 18h desde a semana passada. “Teve dia de eu chegar antes e não conseguir livro”, diz a estudante do 3º semestre de Biologia Maria Lua Costa, 19. Para completar, parte do forro cedeu há meses e pode terminar de cair a qualquer momento.

Na biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, em São Lázaro, quem chegasse depois das 14h na semana passada não conseguia mais retirar livros. Normalmente, o local funciona até as 17h, mas, com salários atrasados por 15 dias (só foram pagos anteontem), funcionários da terceirizada Líder faziam rodízio para trabalhar. “Vinha num dia, folgava no outro. Sem transporte ou alimentação. Estava pagando pra trabalhar”, desabafa um funcionário que não quis se identificar.

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