No breu:Biblioteca da UFBA (Ondina)

DO CORREIO 24HORAS

Biblioteca fechando mais cedo — com direito a breu entre as prateleiras e ar-condicionado quebrado. Faculdade sem água e banheiros sem papel higiênico. Equipamentos sem funcionar e sem previsão de reparo. Empresas terceirizadas, que contratam vigilantes, seguranças, agentes de limpeza e porteiros, sem receber. Professores e alunos pagando do próprio bolso a compra de material.

“Temos que fazer muito sacrifício para continuar com a pesquisa. Precisa sempre de um jeitinho”, conta o estudante do doutorado em Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Leonardo Teles, 28 anos. A situação está longe de ser só dele: ontem, o CORREIO visitou 10 institutos e faculdades da Ufba e escutou funcionários, professores e alunos de 12 cursos. Todos tinham uma lista de problemas na ponta da língua e acrescentavam uma nova preocupação: a redução de custos anunciada em carta da Reitoria na última segunda-feira.

Foi só depois que a universidade divulgou uma carta anunciando a diminuição em contratos de terceirizados e gastos com custeio (água, energia e telefone), que muita gente ficou sabendo da crise da Ufba. No entanto, para quem vive a universidade, os tais tempos difíceis já tinham começado em 2014.

Serão R$ 60 milhões a menos no orçamento de custeio de 2015 da Ufba — ao todo, eram esperados R$ 180 milhões. Devido às limitações orçamentárias anunciadas pelo governo federal, o repasse às universidades foi reduzido em um terço. Inicialmente, a assessoria da Ufba informou que o valor total a ser recebido era R$ 310 milhões, mas corrigiu o número ontem.

Em reunião com reitores das federais, o Ministério da Educação (MEC) informou, ontem, no entanto, que pelo menos este mês, o repasse de recursos não teve contingenciamento. A notícia é boa, porém a Ufba já registra um “expressivo déficit” referente ao ano de 2014 — o valor continua não sendo informado pela instituição.

Livros no breu
Na Biblioteca Central da Ufba, o problema vai além de um apagar de luzes (parte das lâmpadas do setor de empréstimos está quebrada) e do calor sem ar-condicionado. Por conta do atraso no pagamento dos funcionários terceirizados, o horário de fechamento foi encurtado: passou das 22h para 18h desde a semana passada. “Teve dia de eu chegar antes e não conseguir livro”, diz a estudante do 3º semestre de Biologia Maria Lua Costa, 19. Para completar, parte do forro cedeu há meses e pode terminar de cair a qualquer momento.

Na biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, em São Lázaro, quem chegasse depois das 14h na semana passada não conseguia mais retirar livros. Normalmente, o local funciona até as 17h, mas, com salários atrasados por 15 dias (só foram pagos anteontem), funcionários da terceirizada Líder faziam rodízio para trabalhar. “Vinha num dia, folgava no outro. Sem transporte ou alimentação. Estava pagando pra trabalhar”, desabafa um funcionário que não quis se identificar.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 29 julho, 2015 at 2:38 #

Soube que a minha querida, e sempre lembrada, Escola de Administração, no Vale do Canela, ficou ontem (28/7) sem energia. Apagão por falta de pagamento.

Nesta falsa Pátria Educadora, o grande problema da UFBa, e das demais universidades federais, não é faltar lâmpadas, água, papel, pessoal. É faltar vergonha aos governos. Aos passados e ao presente. Sacrificam a educação, a saúde, a segurança, e tudo o mais, para que “honremos” a agiotagem da dívida.

O corte anunciado no orçamento da UFBa foi de R$60 milhões para este ano. Isto corresponde a tão somente 2,22 por cento do quanto nos custa a dívida diariamente. De janeiro deste ano até 15 de julho, a dívida pública consumiu R$530 bilhões (isso mesmo, R$530 BILHÕES), o que dá uma média DIÁRIA de R$2,7 bilhões. Ou seja, a cada minuto gastamos R$1,8 milhão. Assim, o corte do orçamento da UFBa corresponde a apenas 32 minutos de dívida.

E ainda querem que acreditemos que esta é uma Pátria Educadora? Não é Pátria Educadora. Definitivamente não é. Temos, sim, uma pátria pagadora.


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