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A publicação do jornal britânico Financial Times nesta quinta-feira (23) que compara o Brasil a “um filme de terror sem fim” é vista com descrédito pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner.

“Esse jornal nunca olhou para o Brasil com bons olhos. A adjetivação deles eu prefiro que eles guardem com eles. Nós estamos num filme de superação e, como todo filme de superação, é um filme de dificuldade”, disse o ex-governador da Bahia.

Ele se referiu ao período em que 40 milhões de pessoas entraram na classe média entre os governos de Lula e da presidente Dilma Rousseff.

“A linha condutora de uma nação não é horizontal, ela tem altos de baixos. Já tivemos momentos melhores, agora estamos num momento de dificuldade. Vamos superar como superamos e vamos chegar lá. Quem sabe o Financial resolve dizer que foi um conto de fadas”, afirmou Jaques Wagner em conversa com jornalistas após visitar um navio de pesquisa hidroceanográfico no Rio de Janeiro.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 24 julho, 2015 at 15:21 #

O ministro da (in)Defesa — isso em razão dos enormes cortes da pasta durante o governo Lula e agora na gestão Levy/Dilma— falou uma verdade quando disse que o Financial Times é um jornal que nunca olhou para o Brasil com bons olhos.

Mas pisou na bola (ou na bala?) ao afirmar que no período dos governos Lula e Dilma 40 milhões de pessoas entraram na classe média. Nesse período o que aconteceu foi a falsa, a mentirosa, criação de uma classe média.

Marcelo Neri, na época chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas —FGV, “demonstrou” (entre aspas, entre aspas) que uma família com cinco membros, e com renda familiar de um pouco menos de R$1.500 (menos de dois salários mínimos) seria uma família economicamente de classe média. Era um renda média individual de somente R$297,00. Essa é a classe média incorporada pelos governos Lula e Dilma. Menos de meio salário mínimo por pessoa da família.

Como “provou” ser classe média essa vergonha aí em cima, e deu “argumentos” para a propaganda enganosa do governo, Marcelo Neri recebeu como recompensa em setembro de 2012 a direção do Ipea — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. E isso sob as bençãos de duas manjadas figuras da República. O na época tido como ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Gato Angorá (crédito para Brizola), o também na época ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco. Depois, Neri assumiu em maio de 2014 o lugar de Moreira.

Se tivermos que ir à guerra com um ministro da defesa tão desinformado quanto o carioca-baiano, Jaques Wagner, estamos fritos. Ou não, como diz o Mano Caetano (o de Santa Amaro). Pode ser a velha estratégia da Alemanha dos tempos de Hitler e de seu ministro da propaganda Joseph Goebbels, que usou e abusou da propaganda mentirosa. Uma mentira repetida mil vezes passa a ser uma verdade, dizia o ministro. E olha que essa estória mentirosa de incorporação de milhões e milhões de pessoas à classe média brasileira é repetida exaustivamente pelo governo. Para muitos, muitos mesmo, já é uma verdade.

Mentira, mas “verdade”.


rosane santana on 24 julho, 2015 at 17:43 #

Na classe média não entrou ninguém, ao contrário, a classe média virou classe C e pode estar ai a justificativa para os 40 milhões. Sobre o delírio chamado Classe C, recomendo a leitura do extraordinário sociólogo e historiador marxista Perry Anderson, um dos maiores pensadores do século XX, em ” O Brasil de Lula”.


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