França Teixeira e o sambista Edil Pacheco

França Teixeira: O Cara

Gilson Nogueira

Primeiro bateu apressado o coração setentão, depois vieram umas estrelinhas piscando em meus olhos como se eu tivesse levado um soco no queixo. E uma emoção gostosa fez-me sorrir saudade. Tudo por conta da ausência do meu querido França Teixeira que, há dois anos, viajou
para a Eternidade.

Você é o cara, diria, hoje, o fã que o ouve, ainda, no ar, sintonizado nos mistérios da existência e de bem com os modismos que não pertencem ao patrimônio dos idiotas.

Estou, de algum modo, por acreditar na perenidade do espírito, ao lado dele, gargalhando na cara dos caretas.

Lembrar do velho guru de uma geração de repórteres de primeira é coisa de todo dia, na rotina do companheiro de jornada esportiva e de resenhas que, um dia, na Avenida Euclides da Cunha, no bairro da Graça, em Salvador, teve a impressão de haver conhecido, ao microfone de uma emissora
de rádio, um ser de outro planeta.

França nos espia, rodopiando em sóis de mistério, a bordo de um nave mãe!
Lembrando sua fisionomia, ao perguntar-me quem deveria chamar para uma entrevista ao vivo, ou por telefone, na Volta do Meio Dia, que era o nome do programa que parava a Bahia, sinto que estou diante de um ser que pilota um
veículo prateado de outro mundo. O cara de barba ruiva, voz marcante, olhar de onça e sorriso de Noel foi o ET nascido na Liberdade que veio
ao mundo para fazer a diferença onde atuou. No Rádio, provocou uma revolução, seguido por seus pupilos, ao inventar termos inimagináveis que se transformaram em gíria nacional. Sobretudo, buscou o fazer diferente, ao
sentir que, por obra divina, era ele o divisor de águas que
faltava, o homem determinado – e escolhido por Deus – para promover a mudança. E a fez.

Desassombradamente, Antonio Gustavo França Teixeira alcançou os píncaros da glória, como comunicador. Fez sua parte. Se não teve um discípulo no seu modo de falar para o povo, na radiofonia baiana, deixou apreciadores do seu
estilo direto em buscar a verdade dos fatos, nas suas entrevistas.

Certamente, ouvindo Paulinho Boca de Cantor cantar Ferro na Boneca, o “louro”, como o chamava o saudoso Serginho Botto, está gargalhando.
“Tudo passa, Migué. Até um dia!”

Escuto sua voz, ao abraçar uma das netas imitando a buzina
do carro que passa na rua. Bruummmmmm!!!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do BP

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