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Luís XVI, por Jean Duplessis, o pintor da corte, 1780.


DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

O país se assemelha à corte de Luís XVI, na qual elite dirigente, indiferente à sorte do povo, gozava dos privilégios num processo de decadência que resultou na Revolução Francesa.

Um símbolo perfeito do quadro promíscuo da política brasileira está na apreensão de três carros do senador Fernando Collor, com custo estimado em R$ 5 milhões.

Tanto a situação do país quanto sua própria história recomendariam parcimônia e discrição de conduta, e eis que ele, mais de 20 anos depois do impeachment, desponta com os mesmo delírios materiais da época da presidência.

Mas Collor não está na mesma posição de 1989, quando foi à porta do Palácio do Planalto chamar o então presidente Sarney de ladrão.

São seus aliados hoje o próprio Sarney e o Lula que derrotou naquela eleição, todos no mesmo barco, em apavorante cronograma de naufrágio.

O Estado corrupto que eles hipertrofiaram, acumpliciados com outros “líderes” sem responsabilidade com a nação, está em ponto de ruptura, e a sorte de muitos é que por aqui não guilhotinamos.

O nosso absolutismo

Quando um tipo como o deputado Paulinho da Força (PDT) chega às altas instâncias da República, ao lado do presidente da Câmara e de um ministro do Supremo, para dizer que “agora podemos pensar seriamente em uma derrubada do governo” é porque tudo está absolutamente perdido.

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Comentários

jader on 20 julho, 2015 at 8:25 #

Da Folha

Conspiração não entra em recesso

Ricardo Melo

Esta Folha (14/07) noticiou um fato da maior gravidade. Na residência oficial da Presidência da Câmara dos Deputados, o chefe da Casa, Eduardo Cunha, dividiu o “breakfast” com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o impagável Paulinho da Força, do partido Solidariedade. Além de guloseimas habituais, constou do cardápio nada menos que o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Boquirroto como sempre, Gilmar confirmou o debate sobre o assunto. “Ele [Cunha] falou dos problemas de impeachment, esses cenários todos”. Perguntados pela reportagem, Paulinho da Força e o presidente da Câmara tergiversaram, sem convencer. O texto afirma que o deputado do Solidariedade especulou que a derrubada da presidente (pois é disso que se trata) supõe um acordo entre Eduardo Cunha, o vice Michel Temer, Renan Calheiros, chefe do Senado, e o presidente do PSDB, Aécio Neves.

Se isto não é conspiração, é bom tirar a palavra do dicionário. Que diabo pode representar a reunião entre o terceiro nome da linha de sucessão do Planalto, um ministro da mais alta corte da Justiça e um parlamentar adversário obsessivo do governo –os três para discutir a deposição de uma presidente eleita?

A qualidade dos interlocutores dissipa dúvidas. A capivara é geral. O presidente da Câmara, de currículo mais do que suspeito, foi acusado de embolsar milhões de dólares em negociatas. O ministro Gilmar, dono de um prontuário de atitudes controversas, é conhecido por travar o fim do financiamento empresarial nas eleições.

A presença de Paulinho da Força mostra-se tão exótica quanto reveladora. Exótica porque se desconhece, pelo menos em público, qual credencial do insignificante Solidariedade para participar no colóquio. A contribuição mais relevante da legenda vem sendo a de responder “impeachment” a qualquer questão do cenário político.

Reveladora quando se sabe que o ex-sindicalista protagoniza vários processos e membros do seu grupo estão enrolados até o pescoço na Lava Jato. Detalhe: o partido destacou-se como o único a soltar nota de solidariedade, sem trocadilho, ao pronunciamento destemperado de Eduardo Cunha após ser acusado de beneficiário da corrupção. Nem a legenda dele, PMDB, atreveu-se a tanto.

Nesse clima, nenhum recesso parlamentar coloca tropas em descanso. A coisa é bem maior. Na verdade, a conspiração sempre prefere trabalhar à sorrelfa. Limites constitucionais, veleidades jurídicas e direitos elementares mais atrapalham do que ajudam num cenário de vale tudo.

As denúncias contra o ex-presidente Lula trazem novo exemplo. Vão das baixarias das “nove digitais” esgrimidas num documento tucano até acusações de… ajudar a expandir negócios do Brasil no exterior quando já havia deixado o cargo público! Por causa disso, Lula virou alvo de ação estimulada por um procurador notório pela campanha nas redes sociais contra o PT; e por outro que tem mais de 200 ocorrências de negligência no exercício da função. Já a fundamentação judicial nem zero tiraria em redação de vestibular.

Quem vai assumir a responsabilidade por tanta irresponsabilidade? A sensação é a de um conjunto de forças sem liderança. Sua única bandeira parece ser Delenda est PT. Em torno dela, cada um opera a seu bel prazer –Sergio Moro, Rodrigo Janot, procuradores excitados, Polícia Federal desgovernada, parlamentares paroquiais– tudo isso diante de um governo entre atônito e preocupado, mas sem iniciativa face à degradação das condições de vida da maioria. Cabe lembrar: nem sempre do caos nasce a ordem.


Taciano Lemos de Carvalho on 20 julho, 2015 at 11:53 #

E também aos da corte do Luiz? O daqui?


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