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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Equilíbrio de Dilma está na incredulidade popular

A grande diferença entre o impeachment de Collor e o de Dilma, que certos setores desejam, é que 23 anos atrás a nação estava disposta a mudança, tentava efetivamente encontrar o rumo após a ditadura militar e o contaminado governo Sarney, que a sucedeu.

A repulsa ao fato de o primeiro presidente eleito ter comandando um esquema de corrupção contribuiu para o movimento popular por sua derrubada, corroborado, enfim, pela plêiade de políticos que ainda havia nos cargos mais poderosos.

Hoje, o povo brasileiro está indignado com a situação, mas não vê nome ou solução que possam alterar os fatos. Por outro lado, os operadores principais da cena, muitos deles sem autoridade pessoal, pesam as consequências do jogo perigoso em que estão metidos.

Nesse equilíbrio precário repousa o destino da presidente, pois não se sabe o que viria depois dela. Salvo a possibilidade de vir a ser implicada pessoalmente em atos de corrupção, a ponderação recomenda, de todos os lados, a preservação do seu mandato.

O país atravessa uma fase das mais turbulentas, em que a intuição patriótica sugere que talvez seja melhor criar condições para enfrentar os problemas de verdade – inflação, desemprego, queda da economia.

A “união nacional” proposta, no entanto, não dispensa as consequências penais ou outras que possam advir do processo de esclarecimento sobre para onde está indo o dinheiro público no Brasil, pois essa é uma exigência indispensável do regime republicano.

Temer: o homem certo apareceu na hora

A História deu a Michel Temer a responsabilidade de ser o grande condutor desse processo, não somente pela condição de vice-presidente da República, mas principalmente pelo seu perfil de remanescente de uma época em que o país tinha políticos mais decentes e competentes.

Seu comportamento, desde que ocupou o cargo pela primeira vez, em 2011, tem sido exemplar, e mesmo tendo sido rejeitado todos esses anos pelo Palácio, aceitou, na hora difícil, exatamente o papel de articulador político do governo, quando o abandono, numa circunstâncias destas, seria o desastre irrevogável.

Se Temer agiu assim não é porque não teria benefício com a queda de Dilma. No cargo-chave e com o respaldo e a experiência que detém, poderia conspirar com seus pares para obter o impedimento pessoal da presidente e arrebatarem juntos o poder – tudo dentro da Constituição.

A prova maior de sua postura, acaba de dá-la com a oportunidade e a maestria dos líderes: indagado sobre a manutenção da aliança entre seu partido e o PT, antecipou-se e, ainda que no seu feitio prudente, disse que “o PMDB quer ser o, digamos, cabeça de chapa em 2018”.

Uma senha de que os acontecimentos caminham para uma solução pacífica, pois, se os petistas sonham com Lula na próxima eleição presidencial, os peemedebistas sabem que será difícil o ex-presidente meter a cara e planejam disputar o cargo com a credencial de avalistas da estabilidade.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 17 julho, 2015 at 7:12 #

O que é Temer?

O grande cacique naufragou, faz tempo, em São Paulo.

O PMDB elegeu em 2014, 2 deputados federais de um total de 70, Baleia Rossi e Edinho Araújo. O mesmo Edinho que em 2010 foi o único candidato eleito.

Esta a força política do vice vicejado.

Responde ele pelo desaparecimento do PMDB paulista.

Dirão contudo que sabe negociar, que é exímio equilibrista, que tem uma enorme capacidade de engolir sapos ou postes.

Há verdade nesta observação, realmente sabe negociar nas escuras vielas do poder. Tal qual personagens de filme noir, consegue sair de becos imundos mantendo o fato impecável e o cabelo alinhado.

Temos então um “diplomata” infiltrado no planalto enlameado. Alguém que negocia em meio às pilhagens.

É pouco para ser fiel depositário das esperanças perdidas, é fora de tom, assim como, o trocadilho, como todos infames, de obrigatoriamente, o classificar como temer(ário)


luiz alfredo motta fontana on 17 julho, 2015 at 10:28 #

Da série tudo parece piorar, como “nunca antes neste país”

Uma temer(idade), não temos um Itamar Franco para a tortuosa travessia.


vitor on 17 julho, 2015 at 11:24 #

Perfeito, poeta. Perfeito!Tim Tim!!!


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