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17


Andy Russel, para encerrar sua semana de bem com a vida!

BOA TARDE!

(Gilson Nogueira)

DO G1/ O GLOBO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autorizou nesta sexta-feira (17) a criação de quatro comissões parlamentares de inquérito (CPIs). Desse total, duas contrariam o governo. A leitura em plenário da criação das comissões, ocorreu horas após Cunha anunciar rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff.

Uma das comissões que desagradam o Executivo irá investigar empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A outra vai apurar supostas irregularidades nos fundos de pensão das estatais.

Esses dois requerimentos de criação de CPI estavam atrás na lista de espera de instalação. A do BNDES estava em sétimo na lista e a dos fundos de pensão, em oitavo. Apenas cinco comissões podem funcionar ao mesmo tempo.

Cunha arquivou quatro pedidos de instalação de comissões que estavam na frente, alegando que elas não possuíam “objeto de investigação determinado”, conforme exige o regimento interno da Câmara. A criação das novas CPIs é possível devido ao término do prazo de funcionamento de quatro comissões que atuavam nesse primeiro semestre. Só a CPI da Petrobras vai continuar a funcionar.

A decisão ocorre poucas horas depois de o peemedebista anunciar que rompeu com o governo federal e que fará parte da oposição. Ele acusa o Palácio Planalto de ter se articulado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incriminá-lo na Operação Lava Jato. Nesta quinta (16), o ex-consultor da Toyo Setal Júlio Camargo relatou à Justiça Federal do Paraná que Cunha lhe pediu propina de US$ 5 milhões.

Cunha também autorizou a criação de uma CPI para investigar maus tratos contra animais e outra que apurará crimes cibernéticos. Com a leitura de criação das CPIs, a expecativa é que os partidos indiquem os integrantes de cada colegiado em agosto. A partir da próxima semana, o Legislativo estará em “recesso branco”, com a interrupção dos trabalhos até o dia 31. A instalação das comissões será feita em seguida.

No caso da CPI do BNDES, apesar de criada nesta sexta, ela só instalada depois do recesso. Já a CPI do Fundo de Pensões, embora já esteja com autorização assinada pelo presidente da Casa, será criada apenas em agosto, quando se encerra o prazo de outra comissão em andamento – isso porque, pelas regras da Câmara, podem funcionar simultaneamente apenas cinco comissões por vez.
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BOM DIA

jul
17
Posted on 17-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-07-2015

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA

O PT tem medo

José Eduardo Cardozo reuniu-se com Rodrigo Janot e Ricardo Lewandowski — agora abertamente, fato pouco usual para o ministro. Na saída, ele disse:

“É equivocado, a partir de denúncias, a partir de delações premiadas, a partir de testemunhas, dizermos se uma pessoa é culpada ou não. Nós não podemos execrar uma pessoa antes que ela possa exercer seu direito de defesa, apresentar suas provas e antes mesmo de um juiz de direito sentenciar.”

José Eduardo Cardozo deu voz ao medo dos petistas da vingança de Eduardo Cunha.

(Dos jornalistas Diogo Mainardi e Mario Sabino)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Equilíbrio de Dilma está na incredulidade popular

A grande diferença entre o impeachment de Collor e o de Dilma, que certos setores desejam, é que 23 anos atrás a nação estava disposta a mudança, tentava efetivamente encontrar o rumo após a ditadura militar e o contaminado governo Sarney, que a sucedeu.

A repulsa ao fato de o primeiro presidente eleito ter comandando um esquema de corrupção contribuiu para o movimento popular por sua derrubada, corroborado, enfim, pela plêiade de políticos que ainda havia nos cargos mais poderosos.

Hoje, o povo brasileiro está indignado com a situação, mas não vê nome ou solução que possam alterar os fatos. Por outro lado, os operadores principais da cena, muitos deles sem autoridade pessoal, pesam as consequências do jogo perigoso em que estão metidos.

Nesse equilíbrio precário repousa o destino da presidente, pois não se sabe o que viria depois dela. Salvo a possibilidade de vir a ser implicada pessoalmente em atos de corrupção, a ponderação recomenda, de todos os lados, a preservação do seu mandato.

O país atravessa uma fase das mais turbulentas, em que a intuição patriótica sugere que talvez seja melhor criar condições para enfrentar os problemas de verdade – inflação, desemprego, queda da economia.

A “união nacional” proposta, no entanto, não dispensa as consequências penais ou outras que possam advir do processo de esclarecimento sobre para onde está indo o dinheiro público no Brasil, pois essa é uma exigência indispensável do regime republicano.

Temer: o homem certo apareceu na hora

A História deu a Michel Temer a responsabilidade de ser o grande condutor desse processo, não somente pela condição de vice-presidente da República, mas principalmente pelo seu perfil de remanescente de uma época em que o país tinha políticos mais decentes e competentes.

Seu comportamento, desde que ocupou o cargo pela primeira vez, em 2011, tem sido exemplar, e mesmo tendo sido rejeitado todos esses anos pelo Palácio, aceitou, na hora difícil, exatamente o papel de articulador político do governo, quando o abandono, numa circunstâncias destas, seria o desastre irrevogável.

Se Temer agiu assim não é porque não teria benefício com a queda de Dilma. No cargo-chave e com o respaldo e a experiência que detém, poderia conspirar com seus pares para obter o impedimento pessoal da presidente e arrebatarem juntos o poder – tudo dentro da Constituição.

A prova maior de sua postura, acaba de dá-la com a oportunidade e a maestria dos líderes: indagado sobre a manutenção da aliança entre seu partido e o PT, antecipou-se e, ainda que no seu feitio prudente, disse que “o PMDB quer ser o, digamos, cabeça de chapa em 2018”.

Uma senha de que os acontecimentos caminham para uma solução pacífica, pois, se os petistas sonham com Lula na próxima eleição presidencial, os peemedebistas sabem que será difícil o ex-presidente meter a cara e planejam disputar o cargo com a credencial de avalistas da estabilidade.


Cunha:acusado na véspera da comemoração


DO EL PAIS

Às vésperas de completar seu primeiro semestre à frente da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi acusado de ter cobrado 5 milhões de dólares em propina. Em depoimento à Justiça Federal, o consultor Julio Camargo, um dos primeiros delatores da Lava Jato, afirmou que Cunha exigiu pessoalmente o pagamento da propina como forma de viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras. Os dois teriam se encontrado no Rio de Janeiro. As informações foram vazadas nesta quinta-feira à imprensa.

É a acusação mais grave contra Cunha desde o início das investigações da Lava Jato, sobre o esquema de corrupção na Petrobras, das quais ele também é alvo — ele já havia sido citado anteriormente pelo doleiro Alberto Yousseff. O peemedebista, uma das maiores pedras no sapato do Governo Dilma Rousseff lhe impondo sucessivas derrotas na Câmara, se prepara para ter um momento único de exposição: vai ao ar em rede nacional de televisão nesta sexta-feira, às 20h25, para fazer um balanço de seu ativo semestre na Presidência da Casa. Com Cunha no centro do artilharia, a crise política ganha nova voltagem. Nos bastidores, ele ameaça retaliar Rousseff e o Governo devido aos desenvolvimentos da Lava Jato. Ele acredita que o Planalto tem estimulado os vazamentos de denúncias envolvendo seu nome. Apesar de acossado pelas investigações, o peemedebista rebelde tem dado demonstrações de poder em Brasília: conta com apoio maciço de uma bancada suprapartidária de parlamentares, inclusive de deputados da oposição, como o PSDB.

No vídeo vazado do interrogatório da Lava Jato, Julio Camargo diz que Cunha afirmou que o dinheiro da propina pedida seria dividido entre ele e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, tido como o operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras. O depoimento foi prestado na presença do juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso. Cunha negou as acusações, e chamou Camargo de mentiroso. “Obviamente, ele foi pressionado a esse tipo de depoimento. É ele que tem que provar” (leia a nota completa do peemedebista abaixo). O deputado também afirmou achar “estranho” que essa acusação apareça “às vésperas da eleição para o cargo de procurador-geral da República (Rodrigo Janot) e de seu pronunciamento em cadeia nacional de TV”.

A acusação abre novo capítulo na guerra aberta entre Cunha e Janot, cuja permanência no cargo depende de uma indicação do Executivo, e o mais delicado agora, uma aprovação pelo Senado. Em maio, o presidente da Câmara chegou a defender a convocação do procurador-geral, Rodrigo Janot, para depor na CPI da Petrobras. A razão foi um mandado de busca e apreensão no departamento de informática da Câmara para apurar se Eduardo Cunha teria usado o seu mandato parlamentar para ajudar a quadrilha que desviou bilhões de reais da Petrobras. Desde então ele tem adotado um discurso de que é perseguido pelo Governo. “Ele [Janot] escolheu a mim e está insistindo na querela pessoal porque eu o contestei. Virou um problema pessoal dele comigo”, afirmou à época. Os petardos contra Janot também vieram do Senado, após operações de busca na quarta-feira em imóveis do senador Fernando Collor (PTB-AL) nesta semana. O presidente da Casa, Renan Calheiros – que também é investigado na Lava Jato ao lado de uma dezena de parlamentares, “estuda” ingressar com uma ação no Supremo por conta das buscas da PF.

As delações premiadas de Júlio Camargo já implicaram também o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – que pediu um habeas corpus preventivo para não ser preso. Segundo o delator, o petista teria recebido 4 milhões de reais em propinas por intermédio do empresário Milton Pascowicth. Na audiência em Curitiba vazada, Camargo disse que “o deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva”, mas que foi “extremamente amistoso, dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era merecedor de 5 milhões de dólares”. O peemedebista teria dito ainda que era importante saldar a dívida o quanto antes, já que havia uma eleição municipal à vista. O delator disse que conversou também com Fernando Soares, e este lhe disse que vinha sendo pressionado pelo deputado para que o pagamento fosse feito.

Diante da ebulição em Brasília após o início de uma nova fase da Lava Jato, Cunha ironizou o cerco, dizendo a jornalistas que os agentes da Polícia Federal sabem onde ele mora: “Eu acordo às 6h, só peço para não chegarem antes disso”.

jul
17
Posted on 17-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 17-07-2015


Sinovaldo, no jornal NH (Minas Gerais)

DO EL PAIS

ARTIGO

VENDEM-SE MILAGRES!

Luiz Ruffato

Em agosto, a Câmara dos Deputados vota, em segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, projeto imposto pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como solução para a violência urbana no país. Cunha, com sua estreita visão populista, consegue mobilizar a parte da população que acredita poder resolver profundos problemas estruturais com rasas ideias salvacionistas. O que ele oferece ao Brasil são milagres – e quem busca milagres são aqueles que já perderam toda a esperança.

A questão é que aqueles que perderam a esperança não pensam racionalmente, mas agem por impulso na crença em algo improvável. É assim que crescem as seitas fundamentalistas, é assim que surgem as lideranças messiânicas. Uma sociedade desencantada é um organismo refém de aventureiros. Já vivenciamos situação semelhante em tempos recentes, quando, em 1990, com o país destruído pelos militares e pela gestão desastrosa de José Sarney, entregamos a Presidência da República a Fernando Collor de Melo, um político obscuro que transformou a administração pública num balcão de negócios.

Aquele conturbado período de desmandos provocou um sério desvio de conduta na jovem democracia brasileira. Se num primeiro momento pensamos que a operação que forçou Collor a renunciar extirpara de vez o tumor da corrupção, logo o vimos ressurgir, agressivo e devastador, alastrando por todos os setores da sociedade e atingindo até mesmo políticos e partidos que julgávamos imunes à doença, como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso e o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, as metástases desse câncer colocam em risco a própria sobrevivência da nossa democracia.

Aceitar que Eduardo Cunha paute as demandas da sociedade com seu catálogo de ideias retrógradas é admitir melancolicamente que já não alimentamos sonhos de um futuro melhor. Cunha, que surgiu para a política pelas mãos do então tesoureiro de Collor, Paulo Cesar Faria, de funesta memória, possui extensa ficha corrida na Justiça, incluindo citação no processo da Operação Lava Jato. Seu discurso oportunista viceja entre os despossuídos sociais, os desamparados ideológicos, os fracos de vontade, os ignorantes.

A primeira e necessária condição para tentar resolver um problema é aceitar que temos um problema. Nossa sociedade, individualista e narcisista, embora perceba que algo não vai bem no seu entorno, prefere responsabilizar o próximo pelas mazelas e aguardar de braços cruzados soluções mágicas. A violência urbana não é enfermidade, mas sintoma. A inacreditável taxa de homicídios – 29 assassinatos a cada 100 mil habitantes, a 11º do ranking mundial – tem que ser compreendida de maneira ampla. São várias as suas causas: o tráfico de drogas, a desigualdade social, a disseminação de armas de fogo, o álcool, a corrupção, a educação de péssima qualidade, o desemprego, a impunidade, a aceitação pela população da ruptura jurídica (chacinas, execuções sumárias, tortura), a desestruturação dos núcleos familiares, o racismo, o machismo, a homofobia, o desrespeito aos direitos básicos dos cidadãos.

Chega a ser patético pensar que a maior parte da população acredita – pois trata-se de questão de fé – que a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos significará um passo adiante no enfrentamento do complexo tema da violência urbana. Enquanto nos mantemos alienados, recusando a assumir nossa cota de responsabilidade, delegamos a solução do problema a curandeiros, que oferecem milagres a baixo custo. O ponto é que, atuando assim, nos tornamos dependentes de ações complementares, e o curandeiro ganhará mais e mais espaço em nossa vida. Vivemos numa democracia, imperfeita, mas em curso. Resta saber o queremos legar aos nossos descendentes. Podemos pensar grande e nos orgulharmos de deixar para eles um país mais decente, mais justo, mais solidário. E podemos assumir nossa mediocridade, acatando as promessas que o camelô espiritual da esquina nos oferece.

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