DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Marin: 40 anos depois de Herzog

Há quem não sinta piedade pelo ex-presidente da CBF José Maria Marin, que aos 83 anos está preso na Suíça, com risco de extradição para os Estados Unidos, de onde, imagina-se, jamais sairia.

Proeminente figura da elite de São Paulo, onde foi vereador, deputado e governador, sempre apoiando a ditadura militar, Marin é autor de célebre discurso na Assembleia Legislativa em que incita o regime contra jornalistas “de esquerda” da estatal TV Cultural.

Feito no dia 9 de outubro de 1975, o pronunciamento produziu uma caça às bruxas que resultou, no dia 25, na morte por tortura de Vladimir Herzog, do quadro da emissora, nas dependências do Doi-Codi do II Exército.

“As denúncias estão sendo levantadas pela imprensa de São Paulo e, de forma particular e corajosa, pelo jornalista Cláudio Marques”, disse Marin, da tribuna, revelando seu conceito de coragem: a delação de desprotegidos colegas aos tiranos da época.

O hoje presidiário suíço acrescentaria, na crítica ao trabalho desenvolvido pelo departamento de jornalismo da Cultura: “Não se vê nada de positivo, apenas problemas e miséria”.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 13 julho, 2015 at 9:12 #

Último dia do mês de outubro de 1975. Culto ecumênico na Catedral de São Paulo no sétimo dia da morte de Vladimir Herzog (assassinado em 25/10). As tropas da repressão cercando a catedral; “quebrando” veículos pelas vias que levavam à igreja, para atravancar o trânsito e impedir que as pessoas chegassem até o ato.
Eu vi. Estava fazendo um curso em São Paulo no segundo semestre de 1975. E infelizmente eu vi tudo isso.
Que José Maria Marin vá pra cadeia e depois queime no fogo mais ardente do Inferno, não só pelos crimes cometidos na FIFA, mas principalmente por ter sido um apoiador e dedo-duro da ditadura. E grande beneficiário, também.


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