E então, dá para explicar direito ou está difícil?

Deu na VEJA ONLINE / Blog de Felipe Moura Brasil

Em Ufá, na Rússia, Dilma Rousseff afirmou: “Quem é golpista mostra na prática as suas tentativas”.

Na escala técnica que fez na cidade do Porto, em Portugal, antes de seguir para a Rússia, Dilma mostrou na prática a sua tentativa, tendo um encontro reservado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, fora da agenda oficial.

Segundo o blog do Camarotti, políticos da base aliada foram informados de que a conversa foi ampla e que incluiu entre os temas a Operação Lava Jato, que investiga a roubalheira na Petrobras.

Mas o ministro da Justiça (do Foro de São Paulo) e especialista em reuniões secretas, José Eduardo Cardozo, negou que a Lava Jato tenha sido tema da conversa e alegou que se tratou apenas de “um encontro casual” solicitado por Lewandowski, que estava na cidade de Coimbra com ele e outros ministros do STF para participar de um evento jurídico.

“Estávamos em Coimbra e, como iriámos para um almoço no Porto, marquei essa conversa”, disse Cardozo, que também participou. “O assunto do encontro foi o reajuste do Judiciário. Ele levou números para a presidente Dilma”.

Aham.

Ricardo Noblat desmente o ministro:

“Dilma, Lewandowski e Cardozo discutiram, sim, a Operação Lava Jato. O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, confessou ter dado dinheiro sujo para a campanha de Dilma à reeleição. Dilma nega, mas está preocupada com o que possa acontecer se isso acabar provado.

Da Operação Lava Jato, os três passaram a avaliar as chances de um pedido de impeachment de Dilma. Por falhas, o Tribunal de Contas da União poderá rejeitar as contas do governo de 2014. E o Tribunal Superior Eleitoral concluir que houve abuso de poder econômico na campanha de Dilma.

Os jornalistas brasileiros destacados para cobrir a viagem de Dilma à Rússia não foram informados sobre o encontro dela no Porto com Lewandowski. Muito menos os que ficaram aqui.” E os dois “apostaram que ninguém ficaria sabendo do encontro”.

Repito: o maior programa do governo do PT é o Transparência Zero.

O encontro às escondidas de dois chefes de poderes no exterior para examinar a delicada situação política de um deles é o enésimo exemplo disso.

Pior: Lewandowski foi indicado ao STF por Lula, é amigo da família do ex-presidente, próximo aos petistas e fez de tudo para salvar os mensaleiros que acabaram condenados pelo STF, a corte que agora poderá vir a decidir se procede ou não um eventual pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Nesta semana, Dilma já havia emporcalhado o cargo que ocupa ao atacar os delatores e os procedimentos da Lava Jato, em interferência indevida do Executivo no Judiciário.

Agora emporcalha mais ainda em encontro indevido com o presidente do Supremo para salvar sua pele.

Não é só na hora da eleição que ela faz o “diabo”, não. Para não cair, ela “casualmente” apunhala as instituições e os brasileiros pelas costas.

“Quem é golpista mostra na prática as suas tentativas”.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 4:51 #

Flagrados!

O que mais precisa?

Chamem a Delegacia de Costumes, no mínimo é contravenção!


luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 7:56 #

Caro VHS, para não dizer que a poesia é distraída!
O poeta sempre foi, mas ela!

O vinho de Coimbra

(luiz alfredo motta fontana)

Era uma vez 11 togados
Todos eles abrigados
numa bela estalagem
Diziam que seu ofício
era especializado
Sentiam-se tão seguros
que alongavam os prazos

Era uma vez um deles
Cuja mãe era amiga
Da Marisa e não da Rose
O que lhe valeu a unção

Era uma vez uma ciclista
Que temia o destino
Entre suas paixões
Jantares e vinho lusitanos

E assim foram pegos
Por um olhar atrevido
Culparam o acaso
Pelas manchas do vinho

Que farão os outros dez?
Serão cúmplices calados
Mancharão sua togas?

Que fará o PGR
Esquecerá sua recondução
Ou simplesmente incluirá
No curriculum a omissão

Um suspeito já é
Outros dez poderão
Dividir a desdita
Ou romper a submissão

Uma certeza se tem
Por mais espessa a toga
Por mais lenta a Justiça
Conter o odor
Será tarefa inglória
Não há nariz que resista
Aos eflúvios que advém
do vinho de Coimbra.


luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 8:02 #

Errata:

Aos eflúvios que advém = aos eflúvios que advêm

Nota técnica: é o que dá improvisar versos em espaços de comentários.

Mas ficam aqui, apesar do ´no lugar do ^


luis augusto on 12 julho, 2015 at 8:30 #

Puxa, poeta, quando chegamos a esse nível de dúvida na máxima e seleta do país é porque precisamos de uma ruptura, não sei como. Parabéns.


luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 10:53 #

Pois é, Caro Luís Augusto!

O que salva o judiciário brasileiro é o desmedido “Temor Reverencial” que os formadores de opinião dedicam às Togas.

O medo, esse “cuidado”, quase sacro, pode até não cegar, mas emudece, tisna de cinza o vermelho das evidências, minimiza o cheiro do ilícito, torna invisíveis as condutas dúbias.

Temor reverencial é salvo-conduto de velhacos e velhacarias.


Taciano Lemos de Carvalho on 12 julho, 2015 at 10:57 #

A explicação de que foi um encontro casual lá em Portugal está mais esfarrapada do que a usada pelo Chaves (não o da Venezuela). Então a conversa sobre riscos de impedimento, sobre as pedaladas, a tragédia que é o governo, as crises, foi apenas “sem querer querendo”?.

Acredito mais na frase do Chaves.

Falei tragédia? Certo estava Plínio de Arruda na campanha eleitoral de 2010, quando disse em debate na TV que um governo de Dilma seria um desastre, uma tragédia.

Tem sido.


jader on 12 julho, 2015 at 12:56 #

Do janio de feritas:
Fogo amigo e outros fogos
12/07/2015 02h00

A mais recente acusação de Aécio Neves a Dilma Rousseff, segundo a qual a presidente estaria pressionando o Tribunal Superior Eleitoral, tem sequer indício de realidade, mas fornece uma prova cômica da alienação que aciona o ataque incessante do senador à sua vencedora adversária eleitoral.

O TSE deverá ouvir Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC/Constran. Conforme um dos vazamentos da delação premiada que está sob alegado segredo de Justiça, o empreiteiro afirmou que a campanha de Dilma recebeu doação proveniente da corrupção na Petrobras. Não deu comprovação, mas os oposicionistas consideraram a afirmação suficiente para pedir ao TSE a cassação do mandato de Dilma.

As boas almas podem entender que Aécio Neves é ingrato. Pode-se achar que são outras as carências que o levaram à ação na Justiça Eleitoral. O certo é que, a haver pressão de Dilma contra a aceitação de Ricardo Pessoa como declarante veraz, Aécio Neves deveria ser o primeiro a manifestar gratidão à presidente.

A fonte e a espécie de dinheiro que favoreceram a campanha de Dilma foram as mesmas, no dizer do delator premiado, que favoreceram as campanhas de Aécio Neves à Presidência e de Aloysio Nunes Ferreira ao Senado. Na perturbação das ideias, Aécio e suas forças imitam os militares americanos, craques no que chamam, para abrandar ao menos nas palavras, de “fogo amigo”.

No caso de Aécio e do PSDB, porém, o fogo é ainda mais consequente: é fogo suicida. Aécio Neves não se deu conta de que, se Dilma perdesse o mandato por consequência da afirmação de Ricardo Pessoa, no mesmo dia poderia dar entrada em um pedido de cassação dos mandatos dos senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, para obter a sentença de efeitos judiciais idênticos em fatos iguais.

Também na política, e sobretudo na democracia, não se deve brincar com fogo.

A CPI da Petrobras faz o mesmo. Criada com o fim óbvio de gerar embaraços para Dilma, para o governo e para a empresa, a CPI vai ouvir o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, sobre uma escuta ilegal dentro da Polícia Federal em Curitiba. Ocorre que o grampo na cela de Alberto Youssef, ainda no início da Lava Jato, foi posto e já confessado por agentes da polícia. Sob ordem, disseram, do principal delegado que integra o grupo da Lava Jato.

A PF está mal nessa história. Mas não está sozinha, nem na pior situação. Há notícia de que foram identificados sinais do uso, em inquirições, de falas captadas pelo grampo. Se a escuta ilegal já era um procedimento inadmissível, o seu uso em interrogatório compromete o inquérito. E refuta as acusações dos procuradores aos advogados que apontam práticas ilícitas na Lava Jato.

A CPI de apoio à Lava Jato resulta em puro fogo amigo.

O que nos acena com a salvação, sob os fogos que se cruzam, é a sabedoria do FMI. Dessa vez expressa por seu economista-chefe, Olivier Blanchard, que, apesar do nome apropriado para enriquecer no Brasil com enfeites em umas comidas mínimas e bobas, ganha do mesmo jeito em outra área. Este ano vai ser “duro” para os brasileiros, adivinha ele no relatório do FMI, mas a política correta fará a economia voltar a crescer já no ano que vem.

Quase no mesmo dia, a economista Laura Carvalho estreou coluna na Folha. Um aperitivo: “No jogo das projeções econômicas, achar erros ficou fácil demais. Basta dar uma olhadinha, por exemplo, no crescimento projetado pelos relatórios do FMI para a economia grega desde 2008”. Gentil, a professora os diz “excessivamente otimistas”. Estavam mesmo era arrogantemente errados, apregoando êxito nas imposições do FMI que levaram a Grécia ao naufrágio. O FMI é fogo inimigo.

Laura Carvalho faz uma pergunta: “Mas por que os economistas erram tanto as suas projeções?”. Essa pergunta é fogo. É melhor lembrar de velho bordão: cala-te, boca.


Taciano Lemos de Carvalho on 12 julho, 2015 at 15:45 #

O Escondidinho embaixo do angu

O encontro escondidinho em Portugal fez eu lembrar do escondidinho, prato muito popular. Não na terra do poeta Camões, mas sim na região do poeta Patativa do Assaré, o Nordeste brasileiro.

Normalmente feito com carne de sol desfiada, com jabá (não o que alguns jornalistas recebem) e ela, a cantada em verso e prosa pela nossa presidente Dilma, a famosa mandioca, mas transformada em purê. Pra temperar, manteiga de garrafa. É gratinado com queijo coalho.

Resumindo, lá em Portugal, debaixo do gratinado, tem carne, muita carne escondidinha. E não é, acho, carne da Friboi.


rosane santana on 12 julho, 2015 at 18:20 #

É Jader, quem diria, desta vez vou concordar com sua postagem. Desde sua derrota nas eleições presidenciais de 2014, Aécio Neves faz périclo errante para destituir Dilma, mesmo no tapetão. Encomendou pareces de juristas renomadas sobre a possibilidade de impeachment. Ao ver juridicamente minadas suas pretensões, uniu-se ao que há de mais reles na política brasileira para derrubar Dilma, democraticamente eleita.Prova-se, a cada dia, um político fraco, porque fraco em política é seu orientador Fernando Henrique, não obstante um grande acadêmico. As cenas que tem protagonizado o neto de Tancredo, em minha opinião, são deprimentes. Oxalá nos livre de um governante dessa envergadura. À Dilma pode-se atribuir a inexperiência de mandatos, mas no caso de Aécio, é só incompetência mesmo!


rosane santana on 12 julho, 2015 at 18:28 #

correção: périplo, segunda linha.


luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 19:27 #

O Jogo da Insensatez

Divida o tabuleiro em duas cores
Escolha, alternadamente, uma delas, azul ou vermelho, como situação, a outra. por óbvio, oposição, já que não queremos surpresas e esquisitices.

A cada ação venal da situação, busque o equivalente imoral na oposição.

Feito isto, discurse academicamente, afinal tudo é tese, encerre demonstrando que é assimilável o ilícito da vez. Ganhará pontos cínicos e brindes alienados.

O tédio é garantido, o tabuleiro será diuturnamente conspurcado, ao final, quando o cheiro estiver insuportável, lave as mãos, você acaba de ganhar um álbum de figurinhas de “O Leopardo” de Visconti.

Sorria, você é mais um passageiro da “Nau dos Insensatos”!

“Bon Voyage!!!!


luis augusto on 12 julho, 2015 at 21:41 #

Só para deixar claro meu comentário: “na máxima e seleta corte do país…”


luiz alfredo motta fontana on 12 julho, 2015 at 22:10 #

Caro Luís.

Um agrupamento, composto de 11 ungidos pelos pretensiosos de plantão,cumprem a triste sina de apequenarem essa Suprema Corte.

10 deles, têm a chance de repudiar o que o filho da amiga de Marisa, não de Rose, aprontou em terras lusitanas.

Por cautela, tradição e histórico, melhor não acalentar esperanças.

São apenas ungidos por caprichos, menores que as togas que desfilam, em enredos prolixos, em infindas laudas produzidas por assessores regiamente remunerados.

Que os Deuses da Democracia lhes puxem as venerandas orelhas!


luis augusto on 13 julho, 2015 at 8:09 #

Caro Fontana, não sei se por genética, história de vida ou opção inconsciente, sou no íntimo um pessimista. Se vou chupar uma manga, por mais bonita que seja, sempre acho que está azeda.

Paradoxalmente, porém, tenho convicção de que minha vida vai ser cada dia melhor, e isso é otimismo.

É por isso que, embora analisando as coisas, observando o cenário e os atores sem ver motivo para ter esperança técnica (?), pelo menos nessa duas próximas gerações, acredito na invisível roda da História, que sempre produz o inesperado.

Como diria seu registrado VHS, a conferir, mas pra nossa faixa tá difícil. Abraços.


luiz alfredo motta fontana on 13 julho, 2015 at 18:04 #

O fedor aumenta.

Aqui O antagonista:

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Em Portugal, com Lewandowski

Brasil 13.07.15 17:23

Ricardo Lewandovski, antes de reunir-se clandestinamente com Dilma Rousseff no Porto, e depois de tomar café-da-manhã ao lado do incógnito antagonista em Lisboa, esteve em Coimbra, para participar do seminário “O Direito em Tempos de Incertezas” — título, aliás, muitíssimo apropriado para a modalidade incerta do Direito praticado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.

Quem fazia parte do entourage de Ricardo Lewandowski? Ela, Luciana Lóssio, a advogada da primeira campanha de Dilma Rousseff que, se não declarar-se impedida, julgará a segunda campanha de Dilma Rousseff. Luciana Lóssio era a única integrante do TSE presente na comitiva de Ricardo Lewandowski.

O que isso quer dizer? Nada. Mas também pode dizer muita coisa, nesses tempos de incertezas do Direito.

————————————–

O filho da amiga de Marisa, não da Rose, deve explicações urgentes à nação e aos seus pares.

Liturgia do Judiciário é fundamental, quebrá-la, em noite lusitana não é admissível, a não ser que o sistema bolivariano, de Chaves e Maduro, tenha impregnado os palácios brasileiros.

Aceitar essa promiscuidade, mesmo que em terra outras, é afundar-se em cínica omissão.

Já que falamos de Coimbra, “Inês é morta”, no que diz respeito à suspeição do intrépido viajante.


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