DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Prefeito fixa diferenças para o avô

Candidato a prefeito em 2008, o então deputado ACM Neto declarou que seu avô, o senador Antonio Carlos Magalhães, falecido um ano antes,“fazia política do passado”.

A frase, segundo observadores da cena política, muito contribuiu para sua derrota, por ínfima diferença, pela perda de apoio entre os carlistas mais apaixonados.

Como estratégia, o discurso foi refeito para a campanha de 2012, que venceu, mas ontem, na longa entrevista ao radialista Mário Kertész, Neto deu vários exemplos de diferença para ACM.

Primeiramente, pela exposição clara de ideias, na qual definiu parâmetros e princípios o que balizam na vida pública, ao tratar de temas complexos, como a relação com o governo do Estado.

Depois, quando abordou a relação com a Câmara Municipal, como instituição e também pelo “diálogo” com a bancada e o líder da oposição, que teria resultado na “aprovação de todos os projetos importantes, com negociação e emendas”.

Distanciou-se novamente dos métodos avoengos para comentar o futuro imediato, que pode implicar, até setembro, a mudança de partido: “Uma decisão que tomei é não fazer isso (a saída) sozinho nem fazer só com meu partido”.

Provocado sobre a vida amorosa pelos entrevistadores – já estava presente o radialista Bocão –, levou a coisa para a galhofa, propondo um programa somente para que os três revelassem os segredos sentimentais, dando vazão, como disse, aos “fuxicos”.

Kertész encarregou-se então de estabelecer uma diferença final: ACM, “o original”, é que apreciava um bom fuxico, comentários sobre a vida alheia. Neto concordou: quem gostava de fuxico era o senador, não ele.

Mesmo considerando que seja um comportamento ditado pela conjuntura, que não comporta autoritarismo, pelo menos significa que o prefeito tem inteligência política para compreendê-lo. Que o futuro o mantenha democrático.

Resposta só política a ministro

UM assunto aflorou na conversa, e muito oportunamente, pois serviu para comprovar muito do que se tinha deduzido das palavras do prefeito.

Foi quando soube da resposta do ministro Jaques Wagner a críticas que fez ao PT, durante inauguração de mercado em Periperi, citando diretamente os escândalos do Mensalão e do Petrolão.

O ex-governador acusou de “falsidade” o prefeito, “que é só sorriso quando recebe investimento de um bilhão em mobilidade, e depois ataca pelas costas quando inaugura obra local”.

Recusando a “mordaça”, Neto respondeu politicamente: disse que a declaração desrespeita os moradores de Periperi e que o ex-governador, em oito anos, “não conseguiu dar qualidade e decência ao mercado de Paripe”, também no subúrbio.

Redimensionou, ainda, o dinheiro federal programado para o sistema de transporte, informando que a Prefeitura executa na cidade mais de mil obras que, somadas, “custarão dez vezes o valor do BRT”.

Melhor que tenha sido assim. Pelos métodos do passado, Wagner correria risco de xingamento até gerações bem anteriores ao Sr. Joseph e D. Paulina.

Cala-boca classe A

É de impressionar que o ministro Wagner, que tem a marca de pessoa que mais se orienta pela lógica que pela emoção na formulação do pensamento, esteja agora irrefletido quando se trata de encarar certos fatos ou adversários.

Conforme seu raciocínio, o prefeito, por ter recebido ajuda do governo federal para uma obra pública, deve renunciar à crítica legítima como adversário político. Cheira a suborno institucionalizado, pressão, clientelismo…

De bem com o DEM

Até o DEM, em processo de decadência, na opinião dos melhores e dos piores analistas, o prefeito Neto consegue elevar, ajudado pelo quadro atual de caixa 2, doações esquisitas e lavagem de dinheiro.

“Nenhum outro partido”, desafiou, “expulsou governador ou senador por corrupção, como o Democratas fez com José Roberto Arruda e Demóstenes Torres”.

Atestando uma tese que temos defendido por evidente, Neto não precisa deixar o DEM para reeleger-se. “Estou muito bem onde estou. Estou na casa onde fui criado”.

Sem candidatura, sem vice

,A propósito, foi justamente na questão sucessória que o prefeito deu uma demonstração de manha política que lhe deve ser muito importante na construção de caminhos.

Ao descartar firmemente a certeza da candidatura à reeleição, tem condições de afirmar que sua única preocupação é a administração de Salvador, e só no final que poderá estar credenciado ou não a um novo mandato.

Parece demagogia barata, mas é algo mais refinado. Estimula os aliados a o ajudarem na gestão, e assim terem a perspectiva de preservar seus espaços, sem deixar de dar esperança, quem sabe, a outros nomes.

Simultaneamente, prepara o terreno para qualquer opção, porque, rigorosamente, apesar de todo o prestígio que demonstrou ter mantido mesmo com os males da chuva, ninguém sabe o que irá enfrentar em 2016.

Trata-se, aliás, como se sabe, de uma candidatura estratégica, porque, se o script for cumprido a contento, ACM Neto poderá disputar o governo do Estado dois anos depois, sendo muito importante escolher quem completaria um hipotético segundo mandato.

Nesse aspecto, se o prefeito fosse assegurar agora que será candidato no próximo ano, teria, sob pena de deselegância, de manter na chapa a vice Célia Sacramento, que está sempre na cola.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 10 julho, 2015 at 7:19 #

E Wagner fez pose!

O “aquartelado ” tem saudades do Palácio de Ondina.

Vida de caserna é um tédio, especialmente quando se é peixe fora d!água.

De carona na Rússia, ao lado quase caindo, faz o que pode para justificar seu doce cargo, de mordomo dândi, na Base Naval de Aratu.


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