jul
09
Postado em 09-07-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-07-2015 00:28

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Um golpe institucional em progressão

OPINIÃO
Há apenas 15 dias estranhamos a pesquisa Datafolha para presidente da República, quando estamos a mais de três anos da eleição. Não tivemos a ousadia de fazer uma especulação clara, até pelo temor de sermos interpretados como adeptos de teorias conspiratórias.

Mas agora, com a intensificação dos rumores e declarações sobre o impeachment da presidente Dilma, a impressão é de que aquele fato, partindo de uma empresa que, afinal, é vinculada à “grande mídia golpista” apontada pelo PT, indica uma etapa no plano com que se pretende acelerar a “alternância do poder”.

A pesquisa traz números que, quatro anos atrás, seriam impensáveis: o senador Aécio Neves à frente do ex-presidente Lula. No rastro, Aécio é reconduzido à presidência do PSDB e ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique vem a público para, quase, cantar-lhe “se todos fossem iguais a você”.

Simultaneamente, levantam-se acusações contra a presidente, pavimentando a estrada do julgamento político, e apertam-se as suspeitas sobre Lula, que já paga o preço pela má fama que acumulou e por ter sido, afinal, o avalista de Dilma junto ao eleitorado. Com esses dois fora de combate, a vitória é certa.

Eleição “democrática” já está no forno (*)

O grande enigma nessa história toda é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a quem cabe acatar ou rejeitar eventual pedido de impeachment. De início, descartou-o com veemência, em ato que até foi visto como demonstração de equilíbrio e responsabilidade.

Entretanto, como não está praticando essas qualidades no exercício da magistratura legislativa, é possível que Cunha, ao sabor de sua avaliação do quadro político, esteja mudando de posição, embriagado pela própria perspectiva, a ponto de levar o país a uma instabilidade institucional.

Não há autoridade originária – apesar de, oficialmente, muitos estarem dela investidos – com credibilidade e autenticidade para promover sem oportunismo esse processo. O povo brasileiro não identifica em nenhum partido e em nenhum político uma instância ou uma pessoa em que possa confiar para tão doloroso trauma.

Com nova eleição num intervalo que seria pouco superior a um ano, poucas alternativas estariam reservadas para o país. No caso de Dilma ser pessoalmente atingida, o vice Michel Temer concluiria o mandato. Se toda a chapa for cassada, governa o Brasil por três meses Eduardo Cunha, para eleger-se Aécio sem maiores problemas. Esse é o plano.

(*) Título reeditado por ter saído truncado o original.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 9 julho, 2015 at 5:42 #

Tucanos são psicólogos ou ilusionistas?

Está na origem.

Nasceram saqueando o ninho peemedebista.
Furtaram Ulisses, transformaram Montoro em bobo da corte, tudo em nome do “repúdio” ao Quércia.

Quanto ao Aécio, está no DNA, Tancredo se ofereceu como “alternativa” à posse de Jango, “sacrificou-se” como 1º Ministro de um parlamentarismo chamado de seu. Traduzindo, golpeou Jango.

Mas é pouco, quando a história e a luta de Ulysses triunfava contra a ditadura, Tancredo, redivivo, ofereceu-se como a única alternativa confiável aos militares. Deu no que deu, Sarney e seu bigode agradecem.

Tucanos são assim, Aécios também.

Mas……

Dilma e Lula são apenas horrores, despidos causam asco.

Triste república, oh quanto é claudicante.


Taciano Lemos de Carvalho on 9 julho, 2015 at 9:29 #

“Alternância de poder”. Com aspas, sim. Pois todos esses que brilham por aí estão a serviço da banca, das empresas campeãs, das empreiteiras, dos latifundiários, do Senhor Mercado.

Não há um estrelinha mais tucano do que aquele que chega ao poder. Seja na Presidência da República ou nos palácios dos governos estaduais. O arrocho, que cinicamente eles chamam de ‘austeridade’, é o mesmo. Os aliados são os mesmos. O desastre é o mesmo.

Pois não há alternância de poder entre iguais. Há simples troca de guarda. Guarda que não protege nada. Nem ao povo, nem ao país. Associada —a guarda— aos ladrões de sempre. Incluído neste grupo de ladrões os bancos que roubam nações, saqueiam tudo que encontram pela frente, diretamente ou por seus representantes legais ou ilegais. Principalmente pelos ilegais e dissimulados.


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos