DEU NO JORNAL TRIBUNA DA BAHIA

Por David Mendes

As críticas que o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), tem feito ao PT e ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), nos últimos eventos públicos de que tem participado (as mais duras e recentes na entrega das obras de contenção de desabamentos encostas na Baixa do Cacau e de mercado popular no subúrbio), tem gerado a ira de diversos petistas baianos.

Na semana passada, durante a inauguração do Mercado de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, o gestor soteropolitano afirmou em seu discurso que a capital baiana nunca tinha visto uma prefeitura realizar tantas obras em apenas dois anos e meio – período desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2013.

A fórmula, segundo o democrata, mesmo com a crise que atinge o país e, inevitavelmente, a Bahia e Salvador, era porque na administração soteropolitana não existia “nem mensalão, nem petrolão”, em referência aos dois escândalos de corrupção do país, praticados nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma.

“Aqui se faz um governo sério, onde se aplica corretamente o dinheiro público. Em Salvador não existe ‘mensalão’, nem ‘petrolão’, nem corrupção. Aqui o dinheiro público é sagrado. Aqui se respeita o dinheiro do povo. Aqui, o dinheiro do cidadão é feito em obras, ações e serviços para a população”, afirmou o democrata.

As críticas direcionadas ao Partido dos Trabalhadores, desta vez, provocaram a ira do ministro da Defesa e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. Ontem, em declaração à imprensa local, o ex-líder baiano, que já teve seu nome cogitado por aliados para disputar as eleições em Salvador em 2016, fez severas críticas ao prefeito com quem se relacionou nos seus dois últimos anos de mandato à frente do Estado.

“Tem prefeito que é só sorriso quando recebe investimento de um bilhão em mobilidade, e depois ataca pelas costas quando inaugura obra local. Nosso governo seguirá investindo (…) sem se importar com o partido, nem com a falsidade do abraço do prefeito”, disparou Jaques Wagner.

Ontem, ACM Neto foi à Rádio Metrópole e, ao tomar conhecimento das declarações do ex-governador, reagiu: “Primeiro, é um desrespeito com as pessoas de Periperi que aguardavam há 40 anos a construção do mercado, e nós conseguimos construir. Ali do lado, em Paripe, tem um mercado que o governo do estado, infelizmente, durante os oito anos do ex-governador não conseguiu qualidade e decência ao Mercado de Paripe”, rebateu.

Para o democrata, não são apenas as obras do BRT, que contarão com patrocínio do governo federal, que resumirão a sua administração. “É a soma de obras locais que faz o trabalho de uma prefeitura. Imagine se eu passasse quatro anos e apenas fizemos o BRT, que nós vamos fazer e que custa R$ 1 bilhão, como disse o governador, mas se eu apenas fizer uma obra de R$ 1 bilhão, as pessoas iriam me matar. Nós temos um programa de mais de mil obras na cidade, para acontecer em todos os bairros que, se somados todos os investimentos, vai dar dez vezes os custos do BRT”, disse ao ressaltar que o governador Wagner desconhece Salvador, já que depois que deixou o governo e se tornou ministro de Estado “tem sido visto pouco aqui em Salvador”.

Sobre as críticas ao PT e ao governo federal, ACM Neto afirmou que jamais permitirá “mordaça” já que ele, como político e cidadão, tem o direito de dar opinião. “O PT tem um problema sério. Depois que chegou ao poder, subiu no salto e deixou de ouvir as críticas. O petrolão e o mensalão estão aí. E não adianta achar que uma, duas ou dez obras servem para atenuar esse grave problema de corrupção que existe no Brasil e foi criado pelo PT. E não interessa, porque quem rouba um real ou um bilhão tem que ser punido. E o PT não tem compreensão disso. Se achava intocável e não aceitam as críticas e a realidade”, alfinetou, ao concluir que tanto ele quanto os brasileiros já estão de “saco cheio” de tanta roubalheira.

“O mensalão foi comprovado, e o Supremo Tribunal Federal botou muitos petistas atrás das grades. No petrolão, o tesoureiro do PT está preso. E o Brasil está de saco cheio disso. Eu também estou de saco cheio disso, porque muito do que estamos vivendo na economia hoje, o desemprego, a inflação, os problemas que o país está enfrentando, deriva da corrupção e dessa estrutura que montou o PT no Poder”, acusou.

Embate atiça aliados

O embate entre o prefeito ACM Neto e o ministro da Defesa, Jaques Wagner, atiçou os aliados de ambos. Do lado dos petistas, diversos aliados saíram na defesa do ex-governador e atacaram o adversário.

Do lado do gestor soteropolitano, apenas o presidente estadual do DEM e deputado federal, José Carlos Aleluia, se manifestou. O parlamentar democrata criticou as declarações de Wagner que, segundo ele, além de antirrepublicanas, foram interpretadas como uma ameaça aos recursos que o governo federal deverá repassar para a implantação do corredor exclusivo para o BRT (Bus Rapid Transit) que vai fazer, inicialmente, o trajeto Estação da Lapa x Ligação Iguatemi-Paralela (LIP).

A contrapartida do Tesouro Nacional para a obra, que tem custo previsto de R$ 1,2 bilhão, é de R$541,8 milhões de recursos federais. “Vejam a forma com a qual o ministro da Defesa e ex-governador da Bahia entende a coisa pública: na sua cabeça, prefeito para receber recurso federal não pode mais criticar o PT”, disse.

Para Aleluia, “é assim que eles operam”. “Wagner, que em oito anos não fez nada na Bahia com recursos locais, em vez de se preocupar com a iminência da queda de Dilma, vem dar um recado-ameaça citando a verba federal empenhada para a mobilidade urbana de Salvador”.

Na outra ponta, o deputado federal Jorge Solla (PT), ex-secretário de Saúde do governo Wagner, afirmou que “virou obsessão” de ACM Neto não parar de falar mal do PT. “Essa bravata ética que ele faz não combina com o DEM.

O atual presidente do DEM, senador Agripino Maia, responde a processo no STF por ter recebido propina na máfia da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Ele continua presidente do DEM. O líder do DEM no Senado, Caiado, é acusado de ter recebido dinheiro do bicheiro Carlinhos Cachoeira. E quem acusa é Demóstenes Torres, ex-DEM, também envolvido com a contravenção”.

Em âmbito municipal, o vereador Gilmar Santiago, ex-líder da oposição na Câmara, afirmou que quem levou ACM Neto pela primeira vez até a presidente Dilma Rousseff (PT) foi o governador Jaques Wagner (PT). “É muito diferente da época em que Lídice foi prefeita, quando o avô dele [ACM] fechou as portas do governo federal e usou o estadual para perseguir ela”, comparou.

O vereador petista disse ainda que foi nos governos do PT que a corrupção começou a ser investigada. “Em um determinado momento do país, ninguém foi parar na cadeia. Não esqueci o ‘rouba, mas faz’. Na violação do painel do Senado, nos grampos telefônicos, quem prendeu quem?”, questionou Santiago.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 9 julho, 2015 at 13:31 #

Deu pra perceber que os dois se equivalem?

Quanto ao BRT, o pernóstico ‘Bus Rapit Transit’, chamado também de VLP (Veículo Leve sobre Pneus), se for igual ao construído em Brasília, pelo governador do PT, vai ser também um buzunto (sem trocadilho). Um buzuntão. Custou um bilhão e quase nada resolveu até agora.


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