DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Atentado à imprensa na agressão a jornalista

Praticamente todos os deputados estaduais, por discursos, notas à imprensa e entrevistas, repudiaram com veemência a agressão que policiais militares praticaram contra o jornalista Marivaldo Filho, do site Bocão News.

Entre dezenas de manifestações, houve um parlamentar que, da tribuna, disse ter telefonado ao jornalista para prestar solidariedade, outro relatou os anos de convivência que tiveram na área política.

Pelo desinteresse com que, em geral, as violências cometidas pela Polícia Militar são tratadas na Assembleia Legislativa, no máximo despertando o protesto de parlamentares mais diretamente ligados à ocorrência, vê-se o motivo de tanta “indignação”.

O jornalista encontrou todo respaldo porque milita num veículo de grande penetração, associado, como se sabe, a um radialista detentor de generosos espaços em emissoras baianas. A sociedade espera reação semelhante também quando as vítimas forem anônimas.

O que diferencia a arbitrariedade contra o jornalista Marivaldo Filho de outras – e isso os deputados não disseram – é o fato de que ele a sofreu quando exercia legitimamente sua profissão, filmando uma ação policial violenta.

Mas, se não tivesse sido ele a vítima, para tristeza dos que sonham com uma sociedade democrática, provavelmente denunciaria a agressão a um “cidadão comum” que não teria a menor consequência.

Os infiltrados de sempre

Outro bordão bastante repetido pelos parlamentares que trataram do assunto foi a afirmação de que “os policiais não representam a Polícia Militar”.

Ora, isso é conversa tão fiada quando o tal “choveu em algumas horas o que era esperado para o mês inteiro”, quando as casas despencam e a cidade é inundada.

Os policiais são treinados pela PM, vestem a farda da PM, usam armas da PM e estão na folha de pagamento da PM.

Precisará o cidadão, na presença de um PM, identificar se ele é legítimo ou não? E quantos, em episódios anteriores, também “não representavam a corporação” e dela continuam fazendo parte?

O laudo é que vai dizer

Justamente pelo clamor que se formou em torno, é possível que os policiais acusados sejam punidos, até com expulsão, embora, com os métodos modernos de perícia hoje disponíveis, não cause surpresa se ficar provada a inocência de todos.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 8 julho, 2015 at 10:48 #

E quem é mesmo o Comandante Chefe da PM da Bahia? Pela constituição estadual, o governador do estado.

Cabe a ele mandar apurar com rigor a truculência policial (que é uma truculência do Estado) contra o jornalista e, claro, o possível crime contra o exercício da profissão de jornalista. E contra a liberdade de informação, essa prevista na Constituição Brasileira e em acordos internacionais assinados pelo nosso país.


Taciano Lemos de Carvalho on 8 julho, 2015 at 10:51 #

Se aconteceu isso com um jornalista de um programa de grande audiência, o que não acontece nas quebradas e madrugadas de Salvador e das demais cidades brasileiras quando alguém usa o celular para filmar esse tipo de crime do Estado?


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