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Postado em 07-07-2015
Arquivado em (Artigos) por vitor em 07-07-2015 01:02


Rebelo, Temer, Kasab e Amaral durante entrevista coletiva.
/ Romerio Cunha (VPR)

DO EL PAIS

Afonso Benites

De São Paulo

Ceder poder ao vice-presidente, do principal partido aliado, para conter a pressão dos que querem tirá-la do cargo. Aumentar o diálogo com sua base no Congresso Nacional, especialmente a do Senado, para evitar novas derrotas legislativas. Exibir ministros de partidos diferentes para demonstrar que há coesão em torno de seu Governo. Os movimentos da gestão Dilma Rousseff (PT), parte deles postos em prática nesta segunda, seguem uma estratégia anticrise e tentam abafar o eco renovado de pedido impeachment propagado pela oposição nos últimos dias.

A presidente coordenou, nesta segunda-feira, duas reuniões emergenciais que tinham como objetivo evitar que o pavio acendido pelo PSDB, que em seu Congresso partidário não poupou referências ao impeachment ou renúncia, e os estragos dos desdobramentos recentes da Operação Lava Jato se transformassem num incêndio. Na primeira, reuniu ministros e líderes petistas no Congresso para dizer que seu vice-presidente e ministro da Articulação Política, Michel Temer (PMDB), permanecerá no cargo e que ele está mais forte. Era uma resposta ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, em guerra aberta contra Rousseff, havia sugerido que Temer deixasse a função de articulador político por acusar o Planalto de sabotar as gestões do vice.

“Não há sabotagem nenhuma. Há naturais dificuldades. Governar não é apenas o presidente ou vice-presidente da república, e os ministros. Você tem uma governança que se dá em todo país com a participação dos partidos aliados”, disse Temer ao lado de um ministro do PCdoB, Aldo Rebelo (Ciência), um do PSD, Gilberto Kassab (Cidades) e do líder do Governo no Senado, o petista Delcídio do Amaral. Temer disse ainda que acredita que a proposta de impeachment de Dilma não prosperará. “Nós todos achamos que [o impeachment] é algo impensável para o momento atual. Eu tenho repetido isso com muita frequência, os partidos aliados têm repetido isso com muita frequência e eu vejo essa pregação com muita preocupação.”

O aumento do poder do vice-presidente ficará patente da seguinte forma, conforme participantes do encontro: ele vai acelerar a liberação de 4 bilhões de reais de emendas parlamentares previstas no Orçamento deste ano e vai apressar a nomeação de ao menos 30 cargos comissionados em ministérios para honrar suas promessas a integrantes da base aliada no Congresso.

As medidas visam evitar, principalmente, que senadores entrem na onda da oposição e criem dificuldades na aprovação do projeto que prevê o fim da desoneração da folha salarial de 56 setores da economia brasileira. A proposta entrará em votação nos próximos dias no Senado e prevê um aumento de caixa de até 21,5 bilhões de reais por ano. Essa é a última medida do ajuste fiscal planejado pela equipe econômica de Rousseff. A ideia é que a proposta seja votada nos próximos dias, antes do início do recesso parlamentar —e antes que o lobby de empresários vinculados a Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) surta efeito.

Dessa forma, Rousseff se vale de uma estratégia recorrente nesse seu segundo mandato: para aliviar as derrotas na Câmara, o Governo apela ao Senado Federal, onde tem uma maioria um pouco mais folgada. Enquanto na Câmara 304 dos 513 deputados, ou 59%, são da base aliada, no Senado a proporção é um mais favorável, 52 dos 81 parlamentares, ou 64%, dão sustentação a ela.

Na Câmara, foram ao menos oito derrotas governistas, dentre elas estão a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Casa, o fim do fator previdenciário, a autorização para doações empresariais em campanhas eleitorais, a lei da terceirização e a redução da maioridade penal (essa em primeiro turno). Além de garantir a aprovação da sua última medida do ajuste fiscal até a próxima semana, a gestão Rousseff tentará mudar os principais pontos da reforma política e evitar que as aposentadorias tenham reajuste igual ao que é aplicado ao salário mínimo, outra de suas derrotas na Câmara.

As movimentações da presidenta para agradar aos senadores não é nova. Há duas semanas, antes de seguir viagem para os Estados Unidos, ela se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como um gesto de abertura ao diálogo. Calheiros era aliado de toda hora de Rousseff, mas se afastou dela desde que o seu nome apareceu como um dos 49 políticos investigados pela Operação Lava Jato —

A outra reunião de Rousseff com líderes do Congresso aconteceu nesta segunda-feira, na qual ela cobrou empenho de seus aliados.

Desde o início do ano houve apenas duas derrotas petistas no Senado. A primeira foi a indicação do diplomata Guilherme de Aguiar Patriota para o cargo de embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). E esse caso específico houve uma mobilização para demonstrar a insatisfação com a política externa brasileira. A outra, mais grave, foi a aprovação do reajuste dos servidores do Judiciário, o que geraria um impacto de 1,5 bilhão apenas neste ano, segundo o Ministério do Planejamento. Neste caso, o Governo conversa com o Judiciário para vetar esse reajuste para já e o diluir nos próximos quatro anos.

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