DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

O país dos escândalos sem proveito

A reforma política volta a ocupar o palco principal do grande teatro nacional com a votação, em segundo turno, de algumas medidas já aprovadas pela Câmara dos Deputados.

Depois, virão mais duas rodadas no Senado, ao fim das quais a nação conhecerá o monstrengo que funcionará como legislação eleitoral nos breves próximos anos, até que novas encruzilhadas nos empurrem novamente para o caminho da “mudança”.

Será tarefa ociosa esperar que essa maioria de deputados e senadores que aí estão não vá moldar a reforma por seus interesses pessoais diretos, agora com a preocupação adicional – muitos deles – de não parar na cadeia.

Não se podem esperar, por exemplo, restrições aos pequenos partidos, que continuarão servindo de biombo para negócios particulares, o fim do financiamento privado de campanhas, que nos arrastou ao quadro atual. De certo, só mesmo os dribles na fidelidade partidária.

Manter o poder a todo custo, a esta altura, é desiderato essencial para que amplas e verdadeiras intervenções no campo institucional não venham a botar esta república de pernas pro ar, investigar tudo, esclarecer tudo.

Trata-se de autopunição que os caracteres predominantes no meio político brasileiro não comportam. Parece que somos culturalmente inferiores e jamais conseguiremos reerguer-nos da nossa própria podridão, só piorar.

Depois do regime militar, entre outros escândalos, passamos por Collor, Anões do Orçamento, Mensalão e, agora, Petrolão, todos com maiúscula, porque é assim que se grafam os acontecimentos históricos, e a conclusão a tirar é de que pouco proveito nos trouxe tanta experiência.

Com o modelo de sociedade que temos hoje, do individualismo e da acomodação, não há esperança de reação. A tendência é a crescente inconsistência do tecido social, que se disporá em estamentos tão estanques quanto o permitir a vida diária, que, afinal, não tira férias.

A interação entre pessoas e classes continuará a existir, mas sob o enfraquecimento progressivo das regras de convivência, criando, portanto, um cenário de conflito exacerbado e sem direção. Esse é o Brasil que nos espera – e aos nossos filhos e netos.

Ícone dissolvido

O envolvimento do então ministro José Dirceu no escândalo do Mensalão surpreendeu, sobretudo, por ter ele sua origem política no movimento estudantil de esquerda, que se apresentava para o combate com o intuito de promover uma revolução no Brasil, na qual não caberia, obviamente, a prática de corrupção.

Nos bastidores ideológicos, no entanto, cuidou-se na época de tentar salvar sua imagem. Dizia-se que “Dirceu não usou nada em benefício próprio” e que a compra de votos na Câmara dos Deputados era a única forma de vencer os conservadores e “levar adiante o projeto do governo, fazer mudanças”.

Sem contar que não apareceram os frutos dessa manobra extremamente arriscada, em que o velho líder da juventude, com passagem em Cuba, se meteu com um tipo como Roberto Jefferson, agora se vê a JD Consultoria faturando milhões a rodo por “serviços” a empreiteiras da Lava-Jato.

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