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06


Francisco ao lado do presidente Rafael Correa.
/ CIRO FUSCO (EFE)

DO EL PAIS

Soraya Constante

De Quito

O Equador que recepciona o papa Francisco neste 6 de julho não é apenas o país que tem 81% de católicos —segundo o Instituto Nacional de Estatística e Recenseamento. O país andino vive acentuada polarização em razão das recentes mobilizações contra o presidente Rafael Correa, que se prolongaram por quase um mês. As tentativas de taxar as heranças e a valorização extraordinária de bens imóveis incitaram a população, e embora o mandatário tenha provisoriamente retirado os projetos de lei, a indisposição dos cidadãos permaneceu nas ruas. Cerca de 45% da população —de acordo com dados de junho da empresa de pesquisas de opinião Cedatos— desaprova a administração presidencial, e estão no ar novamente demandas que foram ignoradas pelo regime, como a abolição das leis da Justiça Trabalhista e das Águas, a rejeição às emendas constitucionais que preveem reeleições indefinidamente, o livre acesso à universidade, a não criminalização dos protestos, entre outras.

O acirramento de parte da população pôs em risco a imagem do Equador que o presidente Correa queria vender ao mundo durante a visita do papa Francisco. Tão seguro estava de seu sucesso como anfitrião que no dia 2 de junho convidou seus pares da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac) para a missa campal em Quito. O perfil dos convites baixou, e segundo o Ministério das Relações Exteriores apenas os presidentes de Honduras e do Haiti comparecerão.

O discurso atual do Governo é que há paz social. Um dos jingles do regime, que em seu coro dizia “somos mais, somos todos”, agora diz “somos paz, somos todos”. A mensagem para os opositores, que pediram nas redes sociais vaias para o presidente nos atos de massa, é que não façam o país parecer mal. “Se tentarem prejudicar o presidente, prejudicarão a pátria”, disse Correa na semana passada durante a entrega de habitações sociais em Quito. “Creio que a imensa maioria do país, o povo católico, rejeitará qualquer tentativa de politização da vinda do papa Francisco.”

Mas a politização da visita do Sumo Pontífice foi um fato consumado antes pela Secretaria de Comunicação da Presidência do Equador e por seu titular, Fernando Alvarado. Primeiro pôs de lado o logo de apresentação da Conferência Episcopal, com o lema “Evangelizando com alegria” e passou a promover um logo em que o rosto do Papa se funde com o logo multicolorido da Revolução Cidadã. Além disso, a secretaria criou o site oficial da visita e começou a atualizá-lo isoladamente.

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