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Posted on 05-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 05-07-2015


Partidários do ‘não’ comemoram a vitória em Atenas.
/ YANNIS KOLESIDIS (EFE)

DO EL PAIS

Com quase a totalidade dos votos apurados, 61% dos eleitores que participaram no domingo do referendo convocado há uma semana pelo primeiro ministro Alexis Tsipras rechaçaram a última proposta dos parceiros europeus, que contemplava uma nova rodada de cortes e ajustes. Depois de tomar conhecimento dos primeiros dados, o primeiro-ministro convocou uma reunião de urgência com o diretor do Banco da Grécia para colocar em prática as primeiras medidas de alívio aos bancos, depois de uma dramática semana de corralito (retenção de depósitos bancários) e de controle de capitais, e com a economia à beira de um colapso.

Em um referendo crucial, inédito por seu alcance desde que a democracia voltou ao país em 1974 depois da queda da junta militar, uma maioria absoluta de gregos (61,2% com 92,5% dos votos apurados) respaldou a proposta do Governo e votou contra os termos do programa de auxílio que os parceiros puseram sobre a mesa no Eurogrupo de 25 de junho, e que consistiam — no passado, já que essa proposta é extemporânea desde terça-feira, pois a prorrogação do resgate expirou — em uma nova dose de austeridade. Era o que figurava na cédula, ainda que muitos, os defensores do sim, tenham votado convencidos de que a pergunta era um sim ou um não ao euro e à Europa.

O que o primeiro ministro pretendia quando convocou a consulta há apenas oito dias, deixar o povo falar para evitar a ruptura com as instituições — o que, no entanto, se consumou unilateralmente depois da convocação —, foi amplamente conseguido, e de forma inequívoca; o que acontecer a partir de hoje precisará, no entanto, de uma legião de adivinhos. Entre a difícil recondução do diálogo com os credores a uma saída do euro por asfixia econômica e insolvência — se o Banco Central Europeu não aumentar a oferta de liquidez dos bancos gregos, e cortar definitivamente o cordão umbilical da linha de liquidez de emergência, ou ELA —, qualquer opção é plausível.

“Com este valente ‘não’ que o povo grego disse, amanhã estenderemos nossa mão aos credores. Chamaremos cada um deles para tentar um acordo”, declarou Yanis Varoufakis, ministro das Finanças.
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Reunião de emergência

Sem tempo para comemorar, ocupadas em praticar respiração boca a boca em uma economia esgotada depois de uma semana de corralito e de controle dos capitais, as autoridades gregas agiram em seguida. À primeira hora da noite, o próprio Varoufakis, e o governador do Banco da Grécia, Yanis Sturnaras — inimigo declarado do Governo de Syriza —, se reuniram com o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, com o objetivo de acelerar a ajuda dos bancos, e pouco antes da anunciada reunião do Banco Central Europeu. Depois da emergência bancária, as linhas mestras de Atenas serão duas, já rascunhadas semana passada: o relatório do Fundo Monetário Internacional, que admite que a dívida grega é insustentável, e um novo mandato para Atenas, amparado na vontade do povo grego, segundo anunciou o negociador chefe, Efklidis Tasakalotos, depois de confirmada a vitória do não.

O referendo popular absoluto à proposta de Tsipras poderia ser suspeitado já desde sexta-feira, na manifestação de uma multidão no centro de Atenas que reuniu 25.000 pessoas segundo a polícia (três ou quatro vezes mais, segundo os organizadores, e muito maior do que a concentração do sim); pela pesquisa oficiosa que o Governo conduzia, que no sábado dava ao sim apenas 29% dos apoios (segundo os mesmos resultados parciais, foram dez pontos a mais), e sobretudo, pelo agitado rumor que desde a tarde, horas antes do fechamento das urnas, começou a percorrer a dilapidada sede central do Syriza, o partido dirigido pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras. Depois de conhecer os primeiros resultados, milhares de pessoas foram para a praça Sintagma para comemorar a vitória, com uma presença massiva de bandeiras gregas — o orgulho nacional, a possibilidade de erguer a cabeça diante dos ditames de Bruxelas, foi outra das chaves da vitória — e muito poucos cartazes oficiais.

O referendo foi definido esta semana pelo Governo como uma arma da negociação com as instituições, mas os resultados dele ameaçam se tornar uma destruição em massa. Dentro da Grécia, como prova de uma polarização menor do que a esperada — durante a fugaz campanha os dois blocos praticamente empatavam em todas as pesquisas —, mas real e evidente; e também de uma divisão marcadamente geracional, com 67% dos jovens a favor do não, e 37% dos mais velhos votando no sim, apesar de as aposentadorias sempre terem estado no centro de todas as discussões.

As ondas de choque do referendo vão mais longe e confirmam que, eleitoralmente, a vitória reuniu votos de extremos opostos — de um lado as esquerdas, do Syriza a pequenos partidos extra-parlamentares, passando por um número expressivo de votantes comunistas; de outro, os nacionalistas do Gregos Independentes, parceiro do governo do Syriza, e não poucos neonazistas, radicalmente opostos a Bruxelas — diante de uma oposição incapaz de se unir a favor do sim, apesar da tentativa de conservadores e socialistas de forjar uma frente europeia.

O triunfo do não também confirma o apoio à gestão das negociações por parte do Syriza; apesar do desgaste e de uma situação econômica que beira a asfixia, o partido de Tsipras voltaria a ganhar as eleições com algo em torno de 36% dos votos, rondando a maioria absoluta, se elas fossem convocadas agora.

De Waltinho Queiroz, na voz de Maria Creuza, um samba para homenagear o grande Albergaria!

BOA TARDE DE DOMINGO, SE POSSÍVEL FOR EM SALVADOR SEM ALBERGARIA.

(Gilson Nogueira)

jul
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Posted on 05-07-2015
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DEU NO BLOG O ANTAGONISTA (DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)

Navegar é preciso

Ricardo Lewandowski está em Lisboa, acompanhado de amigos. Não, Kakay não está com ele, até onde foi possível verwandowski.

O corpo do professor Roberto Albergaria será enterrado neste domingo, às 11h, no Cemitério do Campo Santo, na Federação.

Antropólogo, historiador e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Albergaria morreu em casa na sexta-feira, aos 63 anos.

Famoso pelo largo conhecimento acadêmico (construído entre Bahia e França), humanístico e popular, cultura e irreverência desconcertante e lúcida, Albergaria era persença constante nos meios de comunicação, opinando sobre temas de atualidade e comportamento.

Sua morte foi lamentada por companheiros de universidade, como atesta matéria assinada pela jornalista Cleidiana Ramos, de quem era amigo e interlocutor frequente, em matéria publicada na edição deste sábado, 4 de julho, em A TARDE.

“Albergaria era a inteligência mais viva, criativa e provocativa da Bahia”, disse o antropólogo Luiz Mott.

(Com informações do jornal A TARDE)

jul
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Posted on 05-07-2015
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Sid, no portal de humor gráfico A Charge Online

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Assembleia vai juntando queixas contra Rui

Não há dúvida de que o extremo desconforto entre o governo do Estado e sua base de apoio na Assembleia Legislativa poderá evoluir para uma crise de maior monta se os pontos de conflito – basicamente o atendimento pelo governo de pleitos de deputados e de prefeitos – não forem aliviados.

Depois de manifestações de bastidores e protestos isolados de um ou outro parlamentar, é o próprio presidente Marcelo Nilo quem verbaliza abertamente a situação, tanto em pronunciamentos no plenário da Casa como na imprensa, a exemplo de recente entrevista à Tribuna da Bahia.

Nilo procura, numa jogada diplomática, concentrar a “culpa” no secretário de Relações Institucionais, Josias Gomes, encarregado da articulação entre o governador e a bancada, preservando Rui Costa, mas é óbvio que o secretário, há seis meses no cargo e mantendo a postura desde o início, cumpre ordens ou tem plena anuência do superior.

Ao tempo que elogia o governador, o presidente da Assembleia emite conceitos que sugerem outra prática nas relações Executivo-Legislativo. Ao avaliar a gestão Rui Costa, dá-lhe “nota nove, agora, como político…” – e repentinamente muda rumo: “…está faltando uma atenção da secretaria da articulação…”

Chegou a ser cansativa carretilha de lamentações de Nilo, referindo-se, em seguidas respostas, ao desprezo do governador aos parlamentares e ao critério de atendimento, que “beneficia muito o PT”, embora também ressalvando a “certeza” de que Rui “vai sentar e dialogar” para “encontrar o caminho exato”, pois “as críticas são no sentido de ajudar”.

Quando as coisas estão bem, o discurso dos políticos é só positivo e de muitos planos. A ocorrência de qualquer senão, ou de vários senões, indica que há problemas sérios a superar. Por enquanto, praticamente começando a gestão, o governador tem força, mas não se sabe o que o futuro reserva, principalmente porque não contará mais com a imagem positiva do seu partido.

Tá difícil

De malas prontas para sair do PDT e na dependência da criação do PL para ingressar na legenda, que faria nascer forte na Bahia, Marcelo Nilo disse que “pensaria com carinho” numa candidatura a prefeito de Salvador, mas “só se houvesse um pedido do governador Rui Costa”.

BOM DIA, GRÉCIA!!! ADEUS, SÁBIO ALBERGARIA!!!

BOM DOMINGO

(Vitor Hugo Soares)

DO EL PAIS

OPINIÃO

UM REFERENDO BIZANTINO

Luis Prados

Um colossal mal-entendido da pedagogia moderna tem levado quase ao desaparecimento o ensinamento do passado clássico, que só sobrevive na cultura popular nos tópicos sobre esporte ou nos bárbaros quadrinhos do cinema de Hollywood. Mas houve um tempo em que a profunda emoção por esse passado, sentida pelas pessoas cultas dos países do norte da Europa, foi vital para o destino da Grécia, como a ajuda inglesa na luta pela independência dos turcos — Lord Byron — ou evitar sua queda na órbita soviética — Winston Churchill — após a Segunda Guerra Mundial.

Esse passado também está muito distante para os gregos atuais além do seu valor turístico, embora talvez sobreviva como uma radiação de fundo no seu gosto pela dialética, no orgulho pelo idioma ou no prestígio da oratória. Um grego de hoje pode desqualificar um político com toda naturalidade, para o espanto de um espanhol, com estas palavras: “Fala muito mal, não sabe usar o gênero neutro”.

Os séculos passados, como o centro do Império Bizantino ou sob o domínio turco, talvez tenham sido muito mais decisivos para a formação da identidade nacional grega. Mil anos de civilização no primeiro caso que o Ocidente eliminou com uma canetada como sinônimo de decadência — “discutiam até o sexo dos anjos” —, para converter o termo bizantino em uma classificação pejorativa.

A divisão do Império Romano entre Oriente e Ocidente, o cisma religioso entre ortodoxos e católicos, o jugo turco — que não deixou na Grécia o legado de giraldas e alhambras, como a civilização muçulmana na Espanha — e a Guerra Civil (1946-1949) configuraram a ambivalência da visão grega do Ocidente, entre a admiração e o desprezo, entre o desejo e o ressentimento. Essa ambivalência nunca se expressou de forma mais evidente como nas discussões sobre a entrada da Grécia na União Europeia, no início dos anos oitenta. O conservador e pai da transição democrática grega, Kostas Karamanlis, gritou: “A Grécia pertence à Europa”. A quem o carismático líder socialista Andreas Papandreou respondeu: “A Grécia pertence aos gregos!”. O falso dilema desse debate já passou — a Grécia entrou na UE em 1981, depois de uma negociação express na qual tampouco na época olhou-se muito os números —, mas a relutância em relação ao Ocidente, agora Bruxelas, permaneceu transformada em uma relação mais por interesse (ajudas) do que por convicção (regras), em grande parte da opinião pública grega.
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Agora Alexis Tsipras, com a gasolina de uma política de austeridade europeia que fez estragos na sociedade grega e a manipulação de sentimentos nacionais, retomou esse debate convocando um referendo, este sim, bizantino, no sentido pejorativo do termo, com base em uma pergunta inexistente. Pede o não – uma palavra com prestígio, sempre em 28 de outubro comemora-se o Dia do Não, em memória da data em que o ditador Metaxas, em 1940, negou a Mussolini a entrada das tropas italianas no país – com o apoio da extrema-direita e o voto contra de conservadores, liberais e socialistas, as três famílias políticas que construíram a Europa. Tsipras joga com a história neste domingo. Será absolvido?

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