BOA TARDE!!!

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

NELSON ROCHA – REPÓRTER

O antropólogo e professor aposentado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Roberto Albergaria foi encontrado morto nessa sexta-feira (03.07), após o meio-dia, em sua residência, situada no Largo de Roma ( ao redor da península de Itapagipe (Cidade Baixa, seu refúgio soteropolitano de sempre, desde a volta do exílio, na França)

A constatação da morte, feita por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), tão logo divulgada causou tristeza em vários segmentos da sociedade baiana e, em particular, na Rádio Metrópole – onde Albergaria participava da programação como comentarista ( e fez programas memoráveis ao lado de Mario Kertész, Abraão e equipe) -, que divulgou nota lamentando o falecimento.

“Foi com muita tristeza que recebi a notícia da morte de Albergaria. A Bahia perde uma das mentes mais brilhantes da sua história. Politicamente incorreto, Albergaria recusava a sisudez do mundo acadêmico ao mesmo tempo em que levava conhecimento para muito além das barreiras da universidade”, disse o apresentador da Rádio Metrópole Mário Kertész, ao lamentar a morte do companheiro de longas datas. Para Mário, a perda vai deixar uma grande lacuna que jamais será preenchida na Bahia.

O governador da Bahia Rui Costa (PT) lamentou a morte do antropólogo baiano e também articulista do Jornal A Tarde. “Albergaria fazia as pessoas refletirem sobre a vida e a sociedade, com bom humor e irreverência, suas crônicas e conferências vão deixar saudade. Meu abraço aos familiares e amigos neste momento de dor. Que Deus conforte a todos”, declarou.

O reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Sales, falou sobre a morte do antropólogo e professor, em entrevista ao Metro1. Para Sales, tratava-se de um intelectual público, uma figura “impagável”.

“Era um homem crítico, capaz de dizer verdades e expressar posições polêmicas, com humor, argúcia, obrigando a pensar, sempre. Era uma figura extraordinária, impagável. Deixa um pesar grande, um sentimento de perda”, disse.

O apresentador do programa Sintonia, da Rádio Metrópole, José Medrado, também lamentou a morte do antropólogo Roberto Albergaria, nessa sexta-feira. “Por formação ele era antropólogo, mas eu digo que ele era um filósofo que questionava essa relação do viver e do estar aqui, do que fazer aqui. É uma lacuna que se abre”, declarou Medrado.

“A Bahia perde uma das suas inteligências mais brilhantes. Erudito por formação, mas extremamente popular, irônico e sarcástico na popularização do seu conhecimento. A Bahia perde um descendente direto de Gregório de Mattos extremamente crítico e bem humorado. Cheio de opinião, nunca fazia concessões e era implacável ao defender o jeito baiano de ser. A Bahia perde um legítimo representante da sua alma e estilo”, comentou, em nota, Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos.

Filho de Cachoeira

Nascido em Cachoeira, em 4 de dezembro de 1953, Roberto Albergaria de Oliveira era formado em História, ensinou na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, pelo Departamento de Antropologia e Etnologia, onde atuou por mais de 20 anos, e tinha doutorado em Antropologia pela Universidade Paris VII, na França.

Albergaria fazia pesquisa voltada para a área de antropologia do cotidiano, urbana e histórica, principalmente em temas como mídia, carnaval, sociabilidade, simbolismos e baianidade.

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BAHIA EM PAUTA sente fundo (e acusa ) o golpe da inesperada partida de Roberto Albergaria. Este editor do BP teve ao lado do incrível professor da UFBA – inquebrantável espírito de inteligência crítica indomável – uma das maiores, melhores e mais ricas experiências profissionais no jornalismo baiano.

Aconteceu no curto período em que ele preparou a redação e coordenou intelectualmente o retorno do “Papão” , o jornal irreverente e anarquista em que se transformava o sisudo e conservador jornal A TARDE na semana do Carnaval. Ideia original do fundador, Simões Filho, retomada quando o jornalista Ricardo Noblat assumiu o comando da reformulação do diário na Avenida Tancredo Neves, com execução bancada quando Florisvaldo Matos já era o editor-chefe, depois da saída de Noblat.

Editor de Opinião de A Tarde, na época, tendo ao meu lado o jovem e brilhante jornalista Claudio Leal (vizinho itapagipano de Albergaria e um dos amigos de imprensa mais admirados e elogiados pelo notável antropólogo e homem de saber), raras vezes me senti tão contente e realizado no exercício da minha profissão quanto no tempo do “Papão”.

A experiência durou pouco. Era inteligente e crítica demais para ser suportada por mais tempo pelas falsas celebridades e pelos ídolos e santos de pés de barro da Bahia. Fica a memória, para sempre.

R.I.P, Alberga. Saudades. Muitas saudades!!!

(Vitor Hugo Soares)

Vai para Janio Ferreira Soares, na cidade de Santo Antonio da Glória, na beira do São Francisco, o rio da nossa aldeia..

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

CRÔNICA
Dilma e as profecias de Tom Zé

Janio Ferreira Soares

Não sei se Dilma Rousseff já viu algum filme de Brigitte Bardot. Eu, perdi as contas. Aliás, foi dela o meu primeiro nu em contraluz, visto nervosamente por entre as cortinas do Cine São Francisco, graças à condescendência de um velho porteiro conhecedor dos anseios juvenis. Também presumo que a presidente não conhece a canção composta por Tom Zé em homenagem à francesa, que faz parte justamente daquele polêmico disco da bolinha de gude na capa, que até há pouco pensávamo-la no centro de uma boca, mas agora, depois de anos, finalmente soubemo-la estrategicamente presa pela competente prega rainha de uma abnegada moça, cujo nome segue mantido em absoluto sigilo, certamente para evitar constrangimentos a hoje provável vovó, coitada, que não merece ser alvo de possíveis tentativas de explicações esfincterianas depois de mais de 40 anos de seu espetacular malabarismo oritimbótico. Mas voltando à canção, tenho quase certeza de que Dilma não a conhece, até porque a sonoridade do genial irararense não combina com laquês e mercadantes ao cair da tarde. Simbora.

Semana passada, diante de uma fogueirinha esquentando epidermes e palavras, estávamos exatamente ouvindo esse disco quando alguém comentou sobre a notícia que rolou dando conta de que a presidente estava internada depois de tentar o suicídio – fato, aliás, logo desmentido pela própria. Coincidentemente, depois das acaloradas discussões que esses assuntos sempre provocam quando debatidos por velhos anarquistas com o nível alcoólico acima do permitido, eis que tocam os primeiros versos de Brigitte Bardot, que, se analisados ao arrepio de quentões e garoas juninas (como foi o caso), têm muito a ver com o atual momento da nossa avoada bike woman – a propósito, se desmilinguindo mais e mais a cada nova pesquisa. Som na caixa.

Na primeira estrofe, ainda sem muito a ver com La Rousseff, Tom Zé começa dizendo: “A Brigitte Bardot está ficando velha, envelheceu antes dos nossos sonhos. Coitada da Brigitte Bardot, que era uma moça bonita, mas ela mesma não podia ser um sonho para nunca envelhecer”. Antes de continuar, um parêntese: em 1973, ano da canção, BB, então com 42 anos, envelhecia, é verdade, mas ainda dava um belo consomeé de aspargos e brie ao som do acordeon de Yann Tiersen. Em frente.

As coincidências com a situação atual da pesidente começam no segundo verso, que diz: “A Brigitte Bardot está se desmanchando e os nossos sonhos querem pedir divórcio. Pelo mundo inteiro têm milhões e milhões de sonhos que querem também pedir divórcio e a Brigitte Bardot agora está ficando triste e sozinha.” E aí vem a pergunta fátidica: “Será que algum rapaz de vinte anos vai telefonar na hora exata em que ela estiver com vontade de se suicidar? ”. E arremata, dizendo: “Quando a gente era pequeno, pensava que quando crescesse ia ser namorado da Brigitte Bardot, mas a Brigitte Bardot está ficando triste e sozinha, triste e sozinha…”.

Noves fora o namorinho de portão, o velho baiano nunca foi tão Mãe Diná.

Janio Ferreira Soares, cronista, secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do vale do Rio São Francisco. Habituée do Cine Poty, a primeira tela de Cinemascope de uma cidade do vale nordestino do rio da nossa aldeia, segundo a Rádio Jornal do Comércio ( de Pernambuco) informando para o mundo.


Dilma nos EUA:choque de opinião com Barbosa

ARTIGO DA SEMANA

Delação premiada e delação na Ditadura: Dilma perdida

Vitor Hugo Soares

Confuso, tortuoso, perigoso e condenável. É o mínimo de adjetivação possível ao pensamento da presidente Dilma Rousseff sobre delação e delatores, exposto esta semana na entrevista em Nova Iorque. De rápida duração, mas de largo efeito negativo para a realidade destes dias turvos e a biografia de chefe de estado democrático em périplo costa a costa nos Estados Unidos.

Ao misturar, enganosamente, as “confissões” obtidas sob torturas aviltantes no tempo da ditadura, com o instituto jurídico constitucional da delação premiada, conquista da democracia brasileira para apanhar e punir corruptos e corruptores (a exemplo do que acontece nos desdobramentos da Operação Lava Jato e do escândalo do Petrolão), Dilma diz ter-se mirado no seu próprio exemplo. Uma lástima de fazer chorar de vergonha.

Estratégia política de defesa mambembe, ou pura e simples fragilidade de pensamento? Em qualquer dos casos, esclarecer as coisas, ou torná-las mais esdrúxulas e polêmicas ainda, caberá só a Dilma, “coração valente” da propaganda de uma das mais enganosas campanhas políticas para eleger um presidente da República já realizadas no Brasil.

Mas as palavras da atual ocupante do Palácio do Planalto (de governo reduzido a míseros 9% da aprovação popular), segundo a mais recente pesquisa Ibope/CNI – pior que nos piores tempos de Collor – lançaram também a memória do jornalista aos desvãos de um tempo no Brasil: “Quando me encontrava preso na cela de uma cadeia”, dos versos do santamarense Caetano Veloso em sua memorável canção.

Ao lado de mais alguns colegas “subversivos”, com matrícula “cassada” na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia no meio da tempestade causada pelo AI-5, acabei preso por agentes da Polícia Federal (o então coronel diretor regional da PF, à frente) dentro da sala de aulas, no começo do ano letivo de 1969, no qual deveria concluir o curso e receber o diploma de bacharel.

Conduzidos todos algemados, desde a Faculdade, para a sede da PF na área portuária de Salvador, daí ao Quartel General do Exército, no Campo da Pólvora e, finalmente, levados a uma unidade militar no distante bairro do Cabula, para cumprir uma temporada de cárcere. Repito: era o período imediatamente após a decretação do tenebroso Ato Institucional Nº 5 (“amigos presos, amigos sumindo assim, pra nunca mais”), como na estupenda versão de Gilberto Gil para a canção “No Woman, no Cry”, de Bob Marley.

Vi, pela última vez, naquela manhã de amarga memória no campi da UFBA, bairro do Canela, alguns colegas e amigos mais próximos e queridos, daquele tempo de juventude e resistência política e de utopia intelectual, regadas todos os dias com os melhores e mais sinceros propósitos de mudar o país e o mundo.

Reconheço: pode existir nessas considerações uma boa dose de romantismo, ingenuidade e até desvario. Afinal, era visível também e impossível não reconhecer (salvo por brutal lavagem cerebral) que no meio de tudo aquilo havia, também, uma boa dose de empulhação política, manipulação e cegueira ideológica por parte de alguns. Além de oportunismos revoltante e carreirismo rasteiro por parte de muitos, no meio dos movimentos de resistência de então.

Mas os dias eram assim, como cantava Elis: Na escola, nas passeatas, no Clube de Cinema de Walter da Silveira, no Teatro Castro Alves, nos concertos musicais na Reitoria, no campinho de baba ao lado da faculdade, nos bares da boemia baiana pensante e atuante na época. O fato é que quando saí do quartel do Décimo Nono Batalhão de Cavalaria, meus amigos haviam sumido. Igualzinho ao canto de Gil e Marley.

Desculpem este remoer de memória. Mas, depois das palavras de Dilma nos Estados Unidos (desastrosas e desabonadoras perante a sua própria história pessoal), isso se tornou praticamente inevitável para o jornalista. Inevitável também a recordação mais uma vez de Ingemar. Aquele incrível garoto sueco, personagem do filme “Minha Vida de Cachorro”. Quando diante de suas atribulações de vida, dúvidas e indignações, dizia sempre: “É preciso comparar”.

Inacreditável, portanto, a infeliz comparação da presidente. Igualar no mesmo estágio ético e moral, os que delatavam, ou simplesmente “confessavam” sob ditames ilegais e perversos do regime ditatorial – torturas atrozes do quase afogamento em tonéis ou bacias, das unhas arrancadas a alicate, das sevícias mais torpes a homens e mulheres (como a própria Dilma), com o legítimo e constitucional instituto da delação premiada do regime de plena democracia em que vive o país nestes dias de Mensalão, da Operação Lava Jato e do Petrolão, seu desdobramento mais escandalosamente criminoso.

Se é preciso comparar, prefiro ficar com as comparações críticas do ministro Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal: “Há algo profundamente errado na nossa vida pública. Primeiro: nunca vi um Chefe de Estado tão mal-assessorado como a nossa atual Presidente. Assessoria da Presidente deveria ter lhe informado o significado da expressão ‘law enforcement’: cumprimento e aplicação rigorosa das leis. Zelar pelo respeito e cumprimento das leis do País: esta é uma das mais importantes missões constitucionais de um presidente da República! (…) Nossa Constituição não autoriza o Presidente a “investir políticamente” contra as leis vigentes, minando-lhes as bases. Caberia à assessoria informar a Presidente que: atentar contra o bom funcionamento do Poder Judiciário é crime de responsabilidade!”

E uma última lição do juiz Barbosa, antes do ponto final nestas linhas: “Reflitamos coletivamente: vocês estão vendo o estrago que a promiscuidade entre dinheiro de empresas e a política provoca nas instituições? Esqueci de dizer: “colaboração” ou “delação” premiada é um instituto penal-processual previsto em lei no Brasil! Lei!!!”, disse o relator do mensalão em reação justamente indignada na noite de segunda-feira (29), em seguida à entrevista da atual mandatária , ex-presa política e torturada no tempo da ditadura.

É preciso dizer mais alguma coisa? Responda quem souber.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. Email:vitor_soares1@terra.com.br

BOM DIA!!!

jul
04


O juiz Moro durante evento da Abraji, em São Paulo.
/ Lalo de Almeida (Folhapress)

DO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Afonso Benites

De São Paulo

Alçado ao status de celebridade nacional e super herói antipetista, o juiz federal Sérgio Moro (Maringá, 1972) diz que não tem prazer em condenar criminalmente ninguém. Responsável por mandar para a cadeia, ainda que temporariamente, dezenas de empreiteiros, lobistas e políticos, o jovem magistrado paranaense não se vê como uma referência nacional e até demonstra um certo desconforto com isso. “Não sou uma celebridade”, disse nesta sexta-feira para uma plateia com quase 500 jornalistas e estudantes de comunicação do Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.

Ao vivo, não soa vulcânico como nos despachos em que dialoga com o noticiário e defende as prisões que faz. Optou por um discurso de humildade ao tratar da importância de seu papel na Operação Lava Jato: “Sou uma peça dentro de um processo muito mais amplo”. De fato, é. Magistrado de primeira instância, Moro só age em resposta à rígida atuação de uma força-tarefa formada por procuradores da República e policiais federais. Além disso, por mais que suas decisões tenham tido repercussão internacional, já que raramente se vê tanta gente endinheirada atrás das grades, elas ainda poderão ser revistas em dois ou três tribunais superiores.

Em pouco mais de uma hora de conversa, Moro não tratou especificamente da Lava Jato porque é um caso que vai julgar futuramente e não quer ter sua decisão tecnicamente questionada. Apenas negou que seu objetivo seja prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante um descontraído bate-papo com os participantes do evento, ele evitou dar detalhes de sua vida pessoal. Não falou quantas horas trabalha por dia, se gosta de ler livros ou assistir à televisão e muito menos tratou de sua segurança pessoal. “Não falo sobre segurança por questões de segurança”. Evitou também opinar sobre questões que não são de sua esfera de atuação – lavagem de dinheiro –, como a redução da maioridade penal aprovada em primeira votação pela Câmara dos Deputados nesta semana. Analisando o sistema judiciário nacional o classificou como moroso, especialmente quando se trata de crimes de colarinho branco
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jul
04
Posted on 04-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-07-2015


Myrria, no jornal A Critica (AM)

jul
04
Posted on 04-07-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-07-2015

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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Gasto com propaganda vira princípio de gestão

Como se sabe, os pareceres, em geral, não são de autoria dos parlamentares que o leem, a exemplo do desta semana, que foi elaborado na Casa Civil do governo do Estado, o que levou o deputado Joseildo a usar um argumento capcioso no “seu” relatório.

Ao negar amparo à emenda que pretendia limitar em 0,5% da receita corrente líquida o investimento em propaganda, o deputado lembrou que um dos princípios da administração pública – além da impessoalidade, razoabilidade, legalidade e moralidade – é a publicidade.

Mas a publicidade de que trata a Constituição não é o gasto de dinheiro público com veículos de comunicação e agências de propaganda para a criação e divulgação de peças que enaltecem, indiretamente, os governantes.

O conceito de publicidade, nesse caso, está ligado à obrigação que os governos têm de divulgar em diários oficiais ou outros meios reconhecidos as medidas que adota, e não as baixar sigilosamente.

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