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DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Viva o sol sobre Salvador

“Nasce o sol a 2 de julho, brilha mais que no primeiro…” – nunca foi tão expressivo o verso inicial do Hino da Bahia.

Depois de longo período de intensas chuvas, o tempo parece firmar-se nos céus de Salvador nesta tarde.

Que contribua para afastar o perigo eterno sobre as chamadas “zonas de risco” da cidade e ajude a melhorar um pouquinho também a situação das ruas, porque trânsito com lama e buracos é fogo.

Heróis e poetas na guerra e na arte

O originalmente Hino ao 2 de Julho foi tornado o hino oficial do Estado em 20 de abril de 2010, por sanção do então governador Jaques Wagner, curiosamente, o primeiro governador desde Juracy Magalhães (1959-1963) não nascido nestas plagas.

Mas justiça histórica se faça: a composição, brotada certamente do espírito revolucionário de seus autores, é de autoria de José dos Santos Barreto (música) e Ladislau dos Santos Titara (letra), constituindo-se na mais autêntica homenagem aos que morreram pela pátria e aos que sobreviveram para contar.

Na ausência da professora Consuelo Pondé de Sena e na impossibilidade de consultar o professor Cid Teixeira ou o professor Luís Henerique, ícones da História da Bahia, este editor apelou para o jornalista Jorge Luiz Ramos, que está prestes a lançar a biografia de Titara, sob o título provisório de “O poeta soldado”.

Localizado, por telefone, no Pelourinho, onde vive a segunda etapa dos festejos, Jorginho, como é chamado pelos amigos e colegas, dispôs-se a explicar, mesmo com todo barulho: Barreto (1764-1848), um músico cachoeirano, e Titara (1801-1861) lutaram na guerra da independência contra os portugueses.

Titara foi alferes, condecorado com a Medalha da Ordem D. Pedro I, que lhe foi entregue pelo próprio príncipe regente, em sua vinda a Salvador em 1826. Barreto era civil, mas integrou como voluntário o Exército Libertador. Ambos conceberam a obra que os imortalizou em 1835.

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O sangue jorrou na periferia

Hors concours em qualquer antologia que se faça sobre as épicas batalhas vividas nos arredores de Salvador, Castro Alves compôs “Ode ao Dous de Julho”, cuja primeira estrofe abaixo reproduzimos, em singela homenagem ao Poeta dos Escravos e da Liberdade.

“Era no Dous de Julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia…
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
Neste lençol tão largo, tão extenso,
Como um pedaço roto do infinito.
O mundo perguntava erguendo um grito:
‘Qual dos gigantes morto rolará?!’”

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