DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Empresas são a cara dos donos

Temos ouvido muito, no fragor da Operação Lava-Jato, que é preciso distinguir empresas de pessoas na contemplação da roubalheira geral que se implantou na Petrobras.

Dizem-no muitos políticos ligados ao governo e ao PT, sendo um grande sustentador desse argumento, desde o início, por exemplo, o ex-governador Jaques Wagner, que foi seguido por numerosos correligionários.

Mas agora surge um jornalista, Mino Carta, que não se pode dizer suspeito, porque todo mundo sabe bem quem é ele, para defender a mesma tese, no artigo intitulado “À imitação de Jim Jones”, na Carta Capital.

Carta afirma que “a mídia permanece em campanha maciça contra o governo”, visando ao “impeachment da presidenta” e ao “envolvimento de Lula na Lava-Jato”, o que, como o citado fanático, nos levará ao “suicídio coletivo”.

O texto, como apontado no início, termina com o longo bordão: “Provadas as acusações, punam-se os culpados, está claro, e sem concessões ou resguardos. Salvem-se, porém, as empresas, que garantem trabalho e progresso”.

Dos políticos se entende o apelo ao discurso disponível, mas, quando feito por um técnico da qualidade do criador de Veja, nele se deve procurar o conteúdo de justiça e verdade, pelo que lamentamos Mino Carta não ter se estendido.

A nação precisa saber, primeiro, que consequências haverá para grandes empresas cujos donos foram flagrados roubando descaradamente dinheiro público, em conluio com agentes governamentais e políticos – e por isso estão presos, passíveis de condenação.

E depois, uma vez comprovado que ruirão, arrastando para o buraco dezenas de milhares de empregos, índices de crescimento econômico e divisas que o país receberia, se, em nome da estabilidade, deveria ter sido feita vista grossa à corrupção.

É óbvio que as empresas atuam segundo diretrizes traçadas pelos diretores e, necessariamente, deles refletirão o caráter. Não há empresas idôneas de donos ladrões nem empresários honestos de empresas que ferem a lei e manipulam o mercado.

Empresas são corporações orgânicas que suprem demandas em sociedades de livre concorrência e têm limites a respeitar. Não desabarão, com os donos, por osmose, mas a depender do que eles fizeram na sua administração, comprometendo-as.

Quanto ao papo do significado social, é intrinsecamente furado, já que os recursos desviados eram do povo brasileiro. Por outro lado, sobre o patriótico progresso, para quem mesmo essas empresas estavam “produzindo riquezas”?

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 1 julho, 2015 at 1:14 #

Não é sobre o assunto da postagem, mas que merece ser comemorada, merece:

“Redução da maioridade penal para crimes graves é rejeitada pela Câmara”
http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-07/reducao-da-maioridade-penal-para-crimes-graves-e-rejeitada-pela-camara

Que os deputados fundamentalistas e demais reacionários, sejam impedidos de dar um golpe no que foi decidido hoje. Mas cuidado, eles não desistem nunca.


Taciano Lemos de Carvalho on 1 julho, 2015 at 1:47 #

Luís Augusto.
Melhor análise não se pode fazer sobre o assunto. Parabéns mais uma vez.

Autoridades do governo, advogados ligados de uma forma ou outra aos empreiteiros, e muitos jornalistas —e até um jornal on line—, usam do terror dizendo que as empresas devem ser intocáveis. Se forem punidas, o Brasil para, o desemprego dispara, será o caos total. Que prendam os donos, mas que as empresas fiquem impunes, defendem os odebrechistas, os Utecistas, os Gutierrecistas os Engevixcistas e coisas tais. Não hás argumentos mais falsos, enganosos, hipócritas e cínicos do que os usados e propagandeados por aí.

Como se a economia do país já não estivesse parada —melhor, encolhendo—; como se o desemprego real não já estivesse batendo muito acima do divulgado. Hoje, todo trabalhador que recebe por menos que seja do Bolsa Família, está fora do cálculo do desemprego. Alguém que leva mais de uma semana sem procurar emprego, não é considerado mais na estatística de desemprego. Um sujeito que dê uma de flanelinha duas vezes por semana aí na frente do Mercado Modelo da Bahia, para o governo está empregado. Taxa real? Estaria no mínimo a caminho dos 20 por cento.

Ora, é revoltante ver alguém defender que empresas que causaram tanto prejuízo ao país, ao povo, que roubaram bilhões, devam ser protegidas e nada as atingir.

Como se o trabalho de construir uma grande obra, uma estrada, por exemplo, seja realizada pelos donos das empresas. Que sem os donos não será possível se conseguir administradores.

Pena que não tenhamos mais um homem público com o peito e firmeza de, por exemplo, encampar essas empresas. O roubo é tamanho, que essas empresa já deveriam pertencer ao patrimônio público.

Quanto ao Mino, a história, e não só o episódio que envolveu Cesare Battisti, é bastante clara. Seu famoso editorial na Veja nos anos de chumbo revela sua postura.


luiz alfredo motta fontana on 1 julho, 2015 at 5:41 #

Perfeito Luís Augusto.

O que existe, em desespero, é a tentativa vã de ampliar a impossibilidade de pessoa jurídica responder por crimes, para a imunidade quanto às consequências civis.

Ao mais, no caso destes “senhores da corrupção”, o que se tem é a utilização de suas !empresas”como instrumentos do crime, cresceram e tornaram-se extremamente lucrativas não pelos, talvez até, ausentes méritos de administração e sim pela utilização metódica do crime como seu principal insumo.


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