Dilma:tensão à flor da pele nos Estados Unidos

DEU NO PORTAL G1/ O GLOBO

Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (29), em entrevista coletiva nos Estados Unidos, que não respeita delatores. Indagada sobre as supostas declarações do dono da UTC Ricardo Pessoa em depoimento de delação premiada, a petista ressaltou que recebeu doação de R$ 7,5 milhões da empresa investigada na Operação Lava Jato, porém, disse que o dinheiro foi repassado legalmente à sua campanha eleitoral no ano passado.

A petista argumentou nesta segunda-feira que não respeita delatores porque foi presa política durante o regime militar (1964-1985).

“Eu não respeito um delator, até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar em delatora, a ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês: eu resisti bravamente e até em alguns momentos fui mal interpretada quando disse que, em tortura, a gente tem de resistir porque, senão, você entrega. Não respeito nenhum, nenhuma fala”, disse a presidente a repórteres em Nova York, onde se reuniu nesta segunda com investidores norte-americanos.

Durante a entrevista, Dilma garantiu que “nunca” se encontrou com Ricardo Pessoa e que não o recebeu desde que assumiu a Presidência. Ao explicar que as doações da UTC foram legais, a presidente ressaltou que não aceita e “jamais” aceitará que “insinuem” qualquer irregularidade sobre ela ou sobre sua campanha. “Se insinuam, têm interesses políticos”, enfatizou.

A petista destacou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), seu adversário no segundo turno da corrida presidencial de 2014, também recebeu contribuições da construtora UTC. Segundo ela, a diferença de valores entre as doações feitas pela empreiteira às campanha do PT e do PSDB foi “muito pequena”.

“A minha campanha recebeu dinheiro legal, registrado, de R$ 7,5 milhões [da UTC]. Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores. Eu estou falando do Aécio Neves – até porque só teve um candidato que concorreu comigo, estou falando do segundo turno”, observou.

Após as declarações da presidente, o senador Aécio Neves divulgou nota na qual a criticou por comparar o processo de delação premiada ao que ele chamou de “pressão” sofrida por ela na ditadura militar. Ele disse também que é preciso alguém informá-la “rapidamente” de que o objetivo da Operação Lava Jato é investigar o esquema que atuou na Petrobras.

Dilma também foi questionada sobre se pretende tomar providências em relação às denúncias de Ricardo Pessoa. Segundo ela, se ele a citar nominalmente, ela cogita processá-lo.

‘Vazamento seletivo’

No último sábado, antes de embarcar para os Estados Unidos, a presidente convocou os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça) para reunião no Palácio da Alvorada.

Tesoureiro da campanha de Dilma à reeleição, Edinho Silva confirmou, em entrevista após a reunião, que a UTC doou R$ 7,5 milhões à petista na eleição do ano passado. O ministro, no entanto, criticou o que chamou de “vazamento seletivo” da delação do empresário e disse que pediria ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso aos depoimentos do empresário.

“Então, me causa indignação que meu nome tenha sido envolvido em uma delação premiada. Me causa indignação o vazamento seletivo desta delação e me causa indignação a tese de criminalização das doações à nossa campanha”, reclamou Edinho Silva na entrevista do último sábado.

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Comentários

jader on 30 junho, 2015 at 10:36 #

Taciano Lemos de Carvalho on 30 junho, 2015 at 12:19 #

Tá explicado o porquê Dilma não deu asilo político a Edward Snowden (que denunciou a espionagem americana, inclusive contra ela e a Petrobras).

Achava que era temor ao Tio Sam. Mas deve ser por odiar Snowden, por achar ele um delator. E a Julian Assange (WikiLeaks), também.

Quanto ao instituto da colaboração premiada, sou mais:
https://blogdovladimir.wordpress.com/


Taciano Lemos de Carvalho on 30 junho, 2015 at 12:39 #

Não tenho maiores simpatias pelo ex-ministro Joaquim Barbosa. Mas no Twitter ele lembrou uma coisa importante quanto à colaboração premiada:

“esqueci de dizer: “colaboração” ou “delação” premiada é um instituto penal-processual previsto em lei no Brasil! Lei!!!

E mais, disse.

Caberia à assessoria informar a Presidente que: atentar contra o bom funcionamento do Poder Judiciário é crime de responsabilidade!


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 12:45 #

Dona Dilma, um poste em transe!

A indicada de Lula, nosso Brahma, tem todo o direito de não respeitar delatores, mas nenhum direito em desrespeitar o ordenamento jurídico pátrio.

A Delação Premiada é instituto legal, pressupõe a confissão do delator, a denúncia do envolvimento dos denunciados na consumação do crime, obedece a ritos judiciais com a devida homologação judiciária.

Aqui a regência do devido processo legal, nenhuma semelhança com a tortura levada a efeito nos carceres da ditadura.

Valer-se da condição anterior de presa política para eximir-se de responsabilidades inerentes à sua condição de candidata, recebendo doações consubstanciadas em valores obtidos na corrupção delatada traduz, no mínimo, ato de desespero face à realidade fática que lhe assombra nos umbrais palacianos.


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 12:51 #

A mentira tem perna curta, no caso em tela, curtíssima.

“Durante a entrevista, Dilma garantiu que “nunca” se encontrou com Ricardo Pessoa e que não o recebeu desde que assumiu a Presidência.”

Verdade?

A resposta está no site “O antagonista”

http://www.oantagonista.com/posts/dilma-pixuleco-ao-lado-de-ricardo-pessoa


Mariana Soares on 30 junho, 2015 at 14:04 #

Quanto mais as provas dos crimes cometidos pela turma do PT se aproximarem dela e do Lula, mais bobagem ela vai falar, afinal, além do pavor que devem sentir de “comer cana dura” pelos “malfeitos” cometidos (e o Juiz Sergio Moro não teria dúvida em coloca-los lá, caso fosse possível), concatenar as ideias e falar em público nunca foi o seu forte. É muito fraquinha das ideias, coitada!


vitor on 30 junho, 2015 at 14:06 #

Justiça seja feita, poeta Fontana: Esta foto (que rola há anos na página da UTC na internet) foi publicada originalmente neste humilde Bahia em Pauta, ilustrando um artigo semanal deste editor sobre a paralisação das obras do estaleiro do Paraguaçu (em Maragogipe). Noblat também publicou no seu blog, ilustrando o segundo artigo que escrevi sobre o assunto, mais recentemente. Só para esclarecer, sem tirar o mérido de O Antagonista.


Taciano Lemos de Carvalho on 30 junho, 2015 at 14:16 #

Um ótimo artigo sobre as atrapalhadas do discurso de Dilma lá em cima, nos donos do mundo. É do jornalista Celso Lungaretti —um sobrevivente, e torturado, da ditadura— em seu blog Náufrago da Utopia. Sobre essa confusão proposital que ela, a presidente, fez entre delatores de ontem e delatores de hoje.

¿POR QUE NÃO TE CALLAS, DILMA?

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/06/por-que-nao-te-callas-dilma.html


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 14:44 #

Caro VHS

Anoto e registro seu mérito quanto à publicação da foto.

Aprendemos, com Michelangelo Antonioni, no hoje clássico Blow-Up, o quanto de horrores a análise aprofundada de um instantâneo pode esconder.

Este poeta distraído completou 62 anos no último domingo, 28 de junho, o que permitiu aprender que, por vezes, a análise não é autoral, advém de inserções ao acaso.

Como este acaso, que permitiu que “O Antagonista” citasse como prova da mentira uma foto garimpada pelo BP na página da UTC, sem a devida citação, .sendo que minha atenção à ela propiciou seu reclamo.

Abraços!

(As vezes sinto falta de simplesmente conversar contigo VHS, neste espaço, por óbvio, os limites restringem, mas, por instantes, permito sentir que estou numa mesa de bar, em meio a prosa solta)


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 16:10 #

Lula, “o antes nunca visto, o “namorado” de Rose, o Brahma, desespera-se em eflúvios etílicos.

Dilma, o poste antes nunca rebelado, busca escusas no passado remoto, num desatino de neurônios ausentes tenta transformar o instituto da Delação Premiada no pau-de-arara do DOI-CODI.

Alguém precisa gritar a plenos pulmões:

– Acabou a festa!

Enquanto não gritam, o país míngua.


regina on 30 junho, 2015 at 17:10 #

Corrijam-me se estiver errada, mas tenho entendido que o corajoso e, no meu entender, um caso muito diferente de um “delator premiado”, Edward Snowden, nunca chegou a formalizar um pedido de asilo ao governo Brasileiro, à Dilma, no caso.


Taciano Lemos de Carvalho on 30 junho, 2015 at 19:03 #

Edward Snowden enviou pedido de asilo aos governos de vários países, dentre eles o Brasil. Isso aconteceu quando, em 2 de julho de 2013, chegou ao Aeroporto de Moscou vindo de Hong Kong. Os pedidos foram entregues a um diplomata russo no aeroporto. Tais documentos foram logo após distribuídos pela diplomacia russa às embaixadas dos 21 primeiros países que o pedido foi feito. A brasileira recebeu o pedido.

O governo brasileiro chegou a divulgar que não teria recebido o documento. Que não houve um pedido formal. Talvez quisesse que Snowden descesse no Aeroporto JK, em Brasília, pegasse um taxi, entrasse no Eixão Sul, dobrasse para a Esplanada dos Ministérios, desembarcasse no Itamarty ou fosse uns 850 metros adiante para pessoalmente entregar a carta à presidente.

Em entrevista à TV, Snowden desmentiu o governo do Brasil, pois havia sim entregue a carta de modo formal, pelos serviços de diplomacia. E mostrou-se surpreso com a postura do nosso governo.


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 19:21 #

Uma única verdade

A diplomacia brasileira está morta enterrada em cova rasa, sob os auspícios de Marco Arélçio “top top” Garcia.

O escárnio é tamanho que não é facultado às nossas embaixadas sequer verbas para o papel higiênico ou material de limpeza

Dilma é o que é, um poste tosco, sem um mínimo de civilidade, o que explica a tibieza destes “meninos indolentes”, com problemas sérios de higiene, que fingem ser diplomatas.


luiz alfredo motta fontana on 30 junho, 2015 at 19:38 #

O exercício pleno da carreira diplomática não permite essa submissão explícita que hoje grassa no Itamaraty.

Não existem inocentes em nossas embaixadas, mas sim omissos e acovardados.

Lembram, em muito, os altos funcionários daquela estatal hoje em frangalhos, tudo viram e nada fizeram, preferiram garantir o “sagrado” cargo. Agora posam de vitimas inocentes, nunca o foram. Fingiram-se de mortos, ou melhor de tolos.


jader on 30 junho, 2015 at 20:20 #

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