DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Um destino incerto para Lula

Os eleitores que olham de longe a situação política, atendo-se a flashes que supõem ser o principal, hão de estar interpretando a última fala de Lula a religiosos: “Ele está certo. Dilma e o PT são os culpados de tudo”.

Nessa linha de raciocínio, analistas da imprensa nacional entendem que ele quer “se descolar” do que hoje soa mal, numa tentativa de “viabilizar-se”, que é um verbo muito popular entre os políticos, para 2018.

Mas, na verdade, é difícil de crer que o ex-presidente pense em eleição neste momento. Mais razoável é que esteja tonto com a precipitação dos fatos aproximando-o do olho do furacão e, mesmo sem nexo, busque uma saída.

A turbulência é explícita a ponto de ingressarmos na fase “solidariedade”, como a que acaba de prestar a Lula a bancada do PT no Senado, que lança mão até da velha cantilena do menino pobre que superou os obstáculos e buscou a felicidade de seu povo.

Os programas de debate, informação e comentários políticos, em todas as emissoras, já passaram dos boatos. Fala-se com desenvoltura na possibilidade de a Operação Lava-Jato alcançar o ex-presidente, como se se dissesse: “Estamos só esperando essa bomba estourar”.

O terror é alimentado até por um habeas corpus preventivo solicitado em seu favor, que a própria Secretaria Geral do partido apressou-se, em comunicado distribuído à imprensa, em desmentir. Poderia ter dito que, assim como Sarney, “Lula não é uma pessoa comum”.

Tentam compará-lo a ex-presidentes que defenderam a causa popular. Getúlio Vargas suicidou-se. Juscelino Kubitschek foi cassado e morreu no ostracismo. João Goulart amargou o exílio o resto da vida. Mas Lula não está a altura de nenhum desses destinos. Da prisão, talvez.

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Comentários

jader on 28 junho, 2015 at 9:02 #

Do Janio de Freitas:

Jatos que mancham
28/06/2015 02h00

Como inquérito “sob segredo de Justiça”, a Operação Lava Jato lembra melhor uma agência de propaganda. Ou, em tempos da pedante expressão “crise hídrica”, traz a memória saudosa de uma adutora sem seca.

Em princípio, os vazamentos seriam uma transgressão favorável à opinião pública ansiosa por um sistema policial/judicial sem as impunidades tradicionais. Mas, com o jorro contínuo dos tais vazamentos, nos desvãos do sensacionalismo não cessam os indícios que fazem a “nova Justiça” –a dos juízes e procuradores/promotores da nova geração– um perigo equivalente à velha Justiça acusada de discriminação social e inoperância judicial.

É preciso estar muito entregue ao sentimento de vingança para não perceber um certo sadismo na Lava Jato. O exemplo mais perceptível e menos importante: as prisões nas sextas-feiras, para um fim de semana apenas de expectativa penosa do preso ainda sem culpa comprovada. Depois, a distribuição de insinuações e informações a partir de mera menção por um dos inescrupulosos delatores, do tipo “Fulano recebeu dinheiro da Odebrecht”. Era dinheiro lícito ou provou-se ser ilícito? É certo que o recebedor sabia da origem, no caso de ilícita?

A hipocrisia domina. São milhares os políticos que receberam doações de empreiteiras e bancos desde que, por conveniência dos candidatos e artimanha dos doadores, esse dinheiro pôde se mover, nas eleições, sob o nome de empresas. Nos últimos 60 anos, todos os presidentes tiveram relações próximas com empreiteiros. Alguns destes foram comensais da residência presidencial em diferentes mandatos. Os mesmos e outros viajaram para participar, convidados, de homenagens arranjadas no exterior para presidente brasileiro. Banqueiros e empreiteiros doaram para os institutos de ex-presidentes. Houve mesmo jantares de arrecadação no Alvorada e pagos pelos cofres públicos. Ninguém na Lava Jato sabe disso?

Mas a imprensa é que faz o sensacionalismo. É. Com o vazamento deformado e o incentivo deformante vindos da Lava Jato.

A partir de Juscelino, e incluídos todos os generais-presidentes, só de Itamar Franco e Jânio Quadros nunca se soube que tivessem relações próximas com empreiteiros e banqueiros. A íntima amizade de José Sarney foi mal e muito comentada, sem que ficasse evidenciada, porém, mais do que a relação pessoal. Benefícios recebidos, sob a forma de trabalhos feitos pela Andrade Gutierrez, foram para outros.

Ocorre mesmo, com os vazamentos deformantes, o deslocamento da suspeita. Não importa, no caso, o sentido com que o presidente da Odebrecht usou a palavra “destruir”, referindo-se a um e-mail, em anotação lida e divulgada pela Lava Jato. O episódio foi descrito como um bilhete que Marcelo Odebrecht escreveu com instruções para o seu advogado, e cuja entrega “pediu a um policial” que, no entanto, ao ver a palavra “destruir”, levou o bilhete ao grupo da Lava Jato.

Muito inteligível. Até que alguém, talvez meio distraído, ao contar o episódio acrescentasse que Marcelo, quando entregou o bilhete e fez o pedido ao policial, já estava fora da cela e a caminho de encontrar seu defensor.

Então por que pediria ao policial que entregasse o bilhete a quem ele mesmo ia encontrar logo?

As partes da historinha não convivem bem. Não só entre si. Também com a vedação à interferência na comunicação entre um acusado e seu defensor, considerada cerceamento do pleno direito de defesa assegurado pela Constituição.

Já objeto de providências da OAB, a apreensão de material dos advogados de uma empreiteira, em suas salas na empresa, foi uma transgressão à inviolabilidade legal da advocacia. Com esta explicação da Lava Jato: só os documentos referentes ao tema da Lava Jato seriam recolhidos, mas, dada a dificuldade de selecioná-los na própria empresa, entre 25 mil documentos, foram apreendidos todos para coleta dos desejados e posterior devolução dos demais.

Pior que uma, duas violações: a apreensão de documentos invioláveis, porque seus detentores não são suspeitos de ilicitude, e o exame violador de todos para identificar os desejados. Até documentos secretos de natureza militar, referentes a trabalhos e negócios da Odebrecht na área, podem estar vulneráveis.

Exemplos assim se sucedem. Em descompasso com uma banalidade: condenar alguém em nome da legalidade e da ética pede, no mínimo, permanentes legalidade e ética. Na “nova Justiça” como reclamado da “velha Justiça”.


jader on 28 junho, 2015 at 13:15 #

Do Cafezinho

Advogada da Odebrecht: a delação premiada é um incentivo à mentira

Miguel do Rosário

Dora Cavalcanti, advogada de Marcelo Odebrecht, o mais recente empresário enviado para a Guantanamo de Moro, deu uma excelente entrevista ao Globo, que pode ser lida neste link.

Eu reproduzo um trecho, que considero uma denúncia gravíssima às fragilidades da delação premiada.

Na verdade, nem considero apenas uma denúncia: a advogada destrói completamente a credibilidade das delações, com uma lógica simples. Elas estão sendo montadas, ajustadas, corrigidas pelos delatores, ao longo de um processo, com a cumplicidade criminosa de procuradores.

“Globo: As denúncias estariam baseadas só em depoimentos de delatores?

Dora: A Operação Lava-Jato vai entrar para o “Guinness” (o livro dos recordes) como a investigação que mais teve delatores. E o interessante é que cada delator vai ajustando o próprio relato para salvar a sua delação. Temos longa cadeia de delatores que vão refrescando a memória gradualmente, vão lembrando pouco a pouco das coisas. E temos o delator que, em face do que o outro disse, tem que reajustar o que disse inicialmente. E tem ainda um terceiro tipo de delator, que inclui na delação dele o que ele ouviu dizer de outro delator. A meu ver, a delação criminal, da forma que está acontecendo na Lava-Jato, é um verdadeiro incentivo à mentira.”

Em outro trecho da entrevista, Dora nos dá uma informação estarrecedora:

“É uma defesa serena e dentro das regras do jogo. O juiz disse no despacho sobre a prisão do Alexandrino também que a empresa se recusou a fazer acordo de leniência e que o ideal para resguardar o juízo seria a interrupção de todos os contratos e de todas as atividades da empresa.”

Moro quer que a Odebrecht paralise todas as suas atividades?

Ora, isso embutiria, além de um desemprego em massa, num prejuízo muito superior, para o Estado, para a Odebrecht, para a sociedade, a qualquer suposto desvio de verba que Moro suspeite que tenha ocorrido!

Moro regula bem?

A Odebrecht é quase um país!

Como você pretende que um país inteiro paralise todas as suas atividades?

Não é a tôa que eu chamo a Lava Jato de conspiração midiático-judicial. É isso que ela é: uma conspiração, uma operação bandida e perigosíssima, que usa técnicas de narrativa e manipula a psicologia das massas (prender empresário rico), além de dar um cheque mate político na esquerda (que fica paralisada, pois como defenderá empresários ricos).

É algo parecido ao que Marx descreve no 18 de Brumário de Luis Bonaparte. Os capitalistas apóiam Luis Bonaparte, o sobrinho farsante e golpista de Napoleão, mesmo sacrificando seus próprios parlamentares e a própria estabilidade econômica da França, porque entendiam que Bonaparte cumpriria o papel de destruir todo um campo de ideias.

Assim como a Lava Jato, Luis Bonaparte contou com o apoio do populacho e com a indiferença da classe trabalhadora organizada, que não viu o perigo que corria.

O grande capital apoia a Lava Jato, mesmo observando a destruição de grandes empresas nacionais, porque a vê como oportunidade para criar uma atmosfera favorável à destruição da esquerda e, com ela, as leis trabalhistas e o monopólio da Petrobrás.

O aumento do desemprego também interessa ao capital, porque ele força os trabalhadores a se ajoelharem.

Além disso, o grande capital tem sua matriz nos EUA, e interessa a ele destruir empresas nacionais que mantinham o país fechado à entrada das empresas norte-americanas.


Taciano Lemos de Carvalho on 28 junho, 2015 at 15:01 #

A Odebrecht, pelo que se está vendo, é um país inteiro. Inteiro e meio. De propina, se é que as provas até aqui juntadas pela PF e MPF são tão contundentes como mostradas. Vale, a empresa, muitos presidentes, senadores (alô, Gim. Alô, muitos outros das bases do PSDB e PT), muitos deputados, e, infelizmente, muitos partidos.

Críticas excelentes sobre a colaboração premiada se encontram em https://blogdovladimir.wordpress.com/

É o blog do Vladimir Aras, administrado por quem entende e combate o crime do colarinho branco, evasão de divisas, lavagem de dinheiro.

Vocês viram como o Edinho Silva arregalava os olhos na entrevista de ontem (27/6) para “explicar” as denúncias feitas pelo Ricardo Pessoa, da UTC, um dos comandantes do esquema de propinas para um monte de gente. Do esquema do Petrolão. Enquanto Edinho, o tesoureiro da campanha de Dilma, e atual ministro da Comunicação Social do atual governo, tremia, José Eduardo Cardoso, aquele que sempre renuncia à renúncia, fechava os olhos e torcia a boca. Deprimente o quadro.

Chantagem, pura chantagem, essa história de que as empreiteira corruptas não podem ser penalizadas, pois isso pararia o Brasil. Balela, mentira, engodo.


jader on 28 junho, 2015 at 17:18 #

Taciano Lemos de Carvalho on 28 junho, 2015 at 19:10 #

As Olimpíadas deixarão um legado tão grande quanto a Copa da Fifa de 2014 deixou, ou o Jogos Pan-Americanos do Rio. Nada de bom. Só despejos, miséria, especulação imobiliária e enriquecimento de construtoras. Enriquecimento para as mesmas empreiteiras.

Nem a copa da máfia Fifa, nem as olimpíadas deveriam se realizar aqui.

A Suécia desistiu de sediar Olimpíadas de 20122 para economizar dinheiro público. Mas como no Brasil dinheiro está sobrando…tome grana para empreiteiras.

JB? Aquilo?

Sou mais https://comitepopulario.wordpress.com/tag/despejo/


Taciano Lemos de Carvalho on 28 junho, 2015 at 19:13 #

Corrigindo: 2022


Taciano Lemos de Carvalho on 28 junho, 2015 at 19:25 #

Ah! E um rastro de violência do Estado contra manifestantes. Todos, menos um ainda cuja sentença ainda não transitou em julgado, inocentados. Na semana passada dois de São Paulo foram inocentados. Um estudante da USP, Fábio Hideki Harano, e o professor de inglês Rafael Lusvarghi.

E gente, que antes se manifestava nas praças públicas, gritava agora na Copa, não só na internet: Vai PM! Vai PM! Arrebenta PM!


jader on 28 junho, 2015 at 21:02 #

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