Levy na chegada a NY: “tudo bem”

DO G1-O GLOBO

O ministro Joaquim Levy, da Fazenda, chegou aos Estados Unidos neste domingo (28) e passa “muito bem”, de acordo com a assessoria de imprensa do ministério. Ele viajou para se juntar à comitiva da presidente Dilma Rousseff no país. Na noite da sexta-feira (26), Levy havia sido hospitalizado e diagnosticado com embolia pulmonar. O médico desaconselhou a viagem, segundo a assessoria da Fazenda, mas o ministro, que recebeu alta horas depois, quis ir mesmo assim.

Levy embarcou na noite deste sábado em um voo comercial. Ele passou o dia em repouso e não viajou no avião presidencial, com Dilma e demais ministros que compõem a comitiva.

A assessoria do ministério informou que o ministro pousou em Miami às 7h30, no horário de Brasília, para fazer escala.Ele chegou a Nova York por volta de 12h30, tambem no horário oficial do Brasil.

Ao chegar ao hotel onde vai ficar hospedado, o ministro falou rapidamente com jornalistas. Questionado sobre seu estado de saúde, ele disse que está bem. Quando uma jornalista perguntou se ele descumpriu ordem médica para viajar, o ministro respondeu: “Não. Não descumpro ordem de ninguém. Sou muito obediente”, afirmou Levy.

Ele disse ainda que a visita da comitiva aos EUA é uma “oportunidade boa” e que o encontro com o presdiente Barack Obama em Washington deve ser “bastante positivo”.

“Eu acho que vai ser positivo. Acho que temos bastante coisa para fazer. A economia está num momento importante. Então, acho que é uma oportunidade. E, como disse a presidente, acho que lá em Washingon também vai ser bastante positivo”, disse o ministro.

De acordo com a assessoria, o médico de Levy considerava o trecho até Miami, de aproximadamente sete horas de duração, o mais delicado para a condição de saúde do ministro.

Em quadros como o dele, viagens longas de avião não são recomendadas. Como a embolia pulmonar ocorre quando um coágulo entope uma veia e obstrui a chegada do sangue ao pulmão, viagens longas, em que o paciente se movimenta pouco, podem prejudicar a circulação e agravar o quadro.

Meta central de inflação

Na chegada ao hotel, o ministro também foi questionado sobre a redução no teto da meta central de inflação para 2017. “Acho que é bom, é mais uma etapa, né, de a gente estar fortalecendo o sistema de metas de inflação. Eu acho que ele aumenta a previsibilidade da economia brasileira e com isso ajuda o trabalho que a gente tá fazendo”, declarou.

A meta central de inflação foi fixada na quinta-feira (25) pelo Conselho Monetário Nacional em 4,5% para o ano de 2017. Trata-se da mesma meta central adotada pelo governo federal desde 2005.

O intervalo de tolerância em relação à meta central, porém, caiu de dois pontos percentuais (para cima e para baixo em relação ao objetivo central) para 1,5 ponto percentual. Na prática, isso significa que o piso será de 3% e que o teto será mais baixo: de 6% em 2017 sem que a meta seja formalmente descumprida.

Se o intervalo de tolerância anterior de dois pontos percentuais fosse mantido – o que não aconteceu – o teto, em 2017, seria de 6,5% (patamar que vigorou entre 2006 e 2016).

Agenda oficial
A viagem da presidente Dilma Rousseff aos EUA conta com 11 ministros e inclui um encontro com o presidente Barack Obama. O objetivo é retomar as relações diplomáticas, atrair investimentos para concessões na área de infraestrutura (aeroportos, portos, rodovias e ferrovias) e impulsionar a economia.

A comitiva presidencial é formada pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Jaques Wagner (Defesa), Joaquim Levy (Fazenda), Renato Janine Ribeiro (Educação), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Nelson Barbosa (Planejamento), Ricardo Berzoini (Comunicações), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia), Kátia Abreu (Agricultura) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), além do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Dilma e os ministros pousaram no Aeroporto Internacional John F. Kennedy por volta das 20h e, às 21h15, chegaram ao hotel.

Ao chegar ao hotel, Dilma foi perguntada sobre qual é a expectativa para o encontro com Obama. “Muito boa”, respondeu a presidente. Ela não parou para conversar com a imprensa.

Denúncias
A ida para os EUA ocorre num dia delicado para o governo. Na edição deste fim de semana, a revista “Veja” publicou reportagem que lista o nome de 18 políticos supostamente citados pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, como beneficiados com dinheiro oriundo do esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. De manhã, o embarque da presidente atrasou devido a reunião com ministros marcada de última hora

BRAVO! BRAVO! BRAVO!

BOA TARDE!!!


Toque retal:Jara agride a Cavani no Chile-Uruguai.
/ F. Gómez / S. Izquierdo (AP)

DO EL PAIS

A Copa América dos escândalos

Diego Torres

O toque retal de Gonzalo Jara em Edison Cavani no jogo de quartas de final da Copa América disputado entre Chile e Uruguai na quarta-feira, e a imediata expulsão do ofendido, acentuam a forte sensação de fiasco que se abate sobre essa competição centenária. Quando os árbitros que velam pela pureza do jogo medem com os mesmos critérios o trapaceiro e o poeta, privam o espetáculo de interesse. Pode ser que os funcionários da Confederação Sul-Americana de Futebol e de sua matriz, a Fifa, não sejam da área de letras, mas deveriam saber que o fenômeno que administram deixará de ser lucrativo se não distinguir o bem do mal.

O espanhol Baltasar Garzón conta que Giovanni Falcone lhe disse que durante o interrogatório do chefão Frank Coppola, o juiz lhe pediu que definisse o que era “a máfia”. Coppola meditou e respondeu: “Senhor juiz: atualmente são três os magistrados que desejam ser procuradores da República. Um é muito inteligente, outro é apoiado pelos partidos do Governo e o terceiro é um imbecil. Quem o senhor acredita que será o eleito? Pois bem, o imbecil. Isso é a máfia”.

Não é verdade que as atividades estocásticas, como o futebol, careçam de um componente moral. O futebol pode ser idêntico à máfia se seus dirigentes esquecerem que o jogo só existe sob princípios de justiça. Na segunda-feira foi publicada uma gravação do falecido Julio Grondona, ex-vice-presidente da Fifa e diretor da Conmebol, insinuando por telefone a Abel Gnecco, presidente do Colégio de Árbitros da Argentina, que a designação espúria do árbitro Carlos Amarilla tinha sido um êxito. “Foi bem, né?”, celebrou Grondona, depois que Amarilla anulou dois gols legítimos do Corinthians. O desastre permitiu a classificação do Boca Juniors para as quartas de final da Taça Libertadores da América de 2013.

Cavani reagiu ao manuseio de Jara desfechando-lhe um golpe. O árbitro, o brasileiro Sandro Ricci, respondeu ao incidente expulsando Cavani e deixando Jara impune. Não pareceu perceber que Jara, um jogador de futebol vulgar que coleciona antecedentes disciplinadores por toques genitais, tinha tocado o traseiro do atacante uruguaio em uma tentativa furtiva de irritá-lo. Era uma missão fácil. Meio estádio sabia que Cavani havia chegado ao jogo com os nervos destroçados. Fazia horas que os meios de comunicação estavam informando que o goleador soube nesse dia da prisão de seu pai por atropelar e matar um motorista enquanto dirigia sob efeito do álcool. Mas Ricci não ligou para os antecedentes. Expulsou Cavani e facilitou a sobrevivência do Chile em seu torneio.

Pode ser que o povo chileno esteja eufórico. Mas os demais torcedores se perguntam por que Brasil e Uruguai, duas das três seleções mais laureadas das Américas, não puderam contar com suas respectivas estrelas nos momentos decisivos. Cavani, vítima do furor proctológico de um jogador de futebol qualquer, e Neymar, fervido a pontapés por Camilo Zúñiga antes de sua explosão de raiva e posterior expulsão, caíram sob o peso de um sistema que encobre a imbecilidade.

jun
28
Posted on 28-06-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-06-2015

DEU NO EXPRESSO-ÉPOCA (VIA TWITTER)

Acomodado na poltrona de número 2, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, espera decolagem do voo da American Airlines de Brasília para os Estados Unidos. Ele vai acompanhar viagem da presidente Dilma Rousseff. Levy teve alta de hospital na madrugada deste sábado, após diagnóstico de embolia pulmonar. Médicos aconselharam Levy a não viajar. Como se pode observar, o ministro não acatou o conselho.

Vai para Cida Torneros, amiga do peito e colaboradora da primeira hora do BP, que provavelmente dançou esta canção romântica (comme il faut) nos bailes da escola ( e da vida), no Rio de Janeiro.

BOM DIA A TODOS OS OUVINTES E LEITORES!!!

(Vitor Hugo Soares)

Uma mulher morreu no desabamento de muro na manhã deste sábado (27), no bairro do Trobogy, em Salvador. De acordo com informações da Central de Polícia e Defesa Civil, este foi o acidente mais grave causado até o começo da tarde, pelas chuvas acompanhadas de fortes ventanias que sacodem a capital baiana desde a madrugada do primeiro sábado de inverno. O desastre aconteceu por volta das 7h30, na rua Procurador Nelson Castro, localizada atrás da faculdade Unijorge.

Até o começo da madrugada deste domingo, 28, A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros já haviam atendido mais de 90 chamados de emergência. Em Candeias, no Recôncavo Baiano, um prédio desabou. As chuvas e a ventania seguem seguem intermitentes na capital e recôncavo.

Devido às chuvas, o muro de um condomínio caiu e atingiu Evani Pereira dos Santos, 28 anos, Uma criança ficou ferida. Não há informações sobre outros feridos. Equipes do Corpo de Bombeiros estão no local; o Departamento de Polícia Técnica também foi acionado.

Tensão volta com as chuvas

Até as 8h16 deste sábado (27), a Defesa Civil de Salvador (Codesal) já havia recebido 13 solicitações de emergência. Foram dois alagamentos de área, um alagamento de imóvel, três ameaças de desabamento de imóvel, uma ameaça de queda de árvore, uma avaliação de imóvel alagado, um desabamento de imóvel, dois desabamentos parciais e dois deslizamentos de terra.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo deve permanecer nublado a parcialmente nublado com chuva esparsa. A Codesal permanece com o plantão 24 horas atendendo às solicitações pelo telefone gratuito 199. Depois dos temporais recentes que deixaram mais de 20 mortos , o temor de novos desabamentos voltam a deixar a população de Salvador sob tensão, sobretudo a que vive em casebres nos altos dos morros e nas encostas, onde moram o perigo mair.

(Com informações do portal iBahia e do Correio24Horas)

Correio24horas

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Um destino incerto para Lula

Os eleitores que olham de longe a situação política, atendo-se a flashes que supõem ser o principal, hão de estar interpretando a última fala de Lula a religiosos: “Ele está certo. Dilma e o PT são os culpados de tudo”.

Nessa linha de raciocínio, analistas da imprensa nacional entendem que ele quer “se descolar” do que hoje soa mal, numa tentativa de “viabilizar-se”, que é um verbo muito popular entre os políticos, para 2018.

Mas, na verdade, é difícil de crer que o ex-presidente pense em eleição neste momento. Mais razoável é que esteja tonto com a precipitação dos fatos aproximando-o do olho do furacão e, mesmo sem nexo, busque uma saída.

A turbulência é explícita a ponto de ingressarmos na fase “solidariedade”, como a que acaba de prestar a Lula a bancada do PT no Senado, que lança mão até da velha cantilena do menino pobre que superou os obstáculos e buscou a felicidade de seu povo.

Os programas de debate, informação e comentários políticos, em todas as emissoras, já passaram dos boatos. Fala-se com desenvoltura na possibilidade de a Operação Lava-Jato alcançar o ex-presidente, como se se dissesse: “Estamos só esperando essa bomba estourar”.

O terror é alimentado até por um habeas corpus preventivo solicitado em seu favor, que a própria Secretaria Geral do partido apressou-se, em comunicado distribuído à imprensa, em desmentir. Poderia ter dito que, assim como Sarney, “Lula não é uma pessoa comum”.

Tentam compará-lo a ex-presidentes que defenderam a causa popular. Getúlio Vargas suicidou-se. Juscelino Kubitschek foi cassado e morreu no ostracismo. João Goulart amargou o exílio o resto da vida. Mas Lula não está a altura de nenhum desses destinos. Da prisão, talvez.

DA REVISTA VEJA DESTA SEMANA (REPRODUZIDO NO BLOG DO NOBLAT )

Em cinco dias de depoimentos prestados em Brasília, Pessoa (Ricardo Pessoa, dono da UTC) descreveu como financiou campanhas à margem da lei e distribuiu propinas. Ele disse que usou dinheiro do petrolão para bancar despesas de dezoito figuras coroadas da República.

Foi com a verba desviada da estatal que a UTC doou dinheiro às campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. Foi com ela também que garantiu o repasse de 3,2 milhões de reais a José Dirceu, uma ajudinha providencial para que o mensaleiro pagasse suas despesas pessoais.

A UTC ascendeu ao panteão das grandes empreiteiras nacionais nos governos do PT. Ao Ministério Público, Pessoa fez questão de registrar que essa caminhada foi pavimentada com propinas.

O empreiteiro delatou ao STF essas somas que entregou aos donos do poder, segundo ele, mediante achaques e chantagens. Relatou que teve três encontros em 2014 com Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma e atual ministro de Comunicação Social.

Nos encontros, disse, ironicamente, ter sido abordado “de maneira bastante elegante”. Contou ele: “O Edinho me disse: ‘Você tem obras na Petrobras e tem aditivos, não pode só contribuir com isso. Tem que contribuir com mais. Eu estou precisando”. A abordagem elegante lhe custou 10 milhões de reais, dados à campanha de Dilma. Um servidor do Palácio chamado Manoel de Araújo Sobrinho acertou os detalhes dos pagamentos (…).

Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014.

Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Só não cumpriu o prometido porque foi preso antes.

(…)

Segundo o empreiteiro Ricardo Pessoa, a UTC contribuiu com 2,4 milhões de reais em dinheiro vivo para a campanha à reeleição de Lula, numa operação combinada diretamente com José de Filippi Júnior, que era o tesoureiro da campanha e hoje trabalha como secretário de Saúde da cidade de São Paulo.

Para viabilizar a entrega do dinheiro e manter a ilegalidade em segredo, o empreiteiro amigo de Lula e o tesoureiro do presidente-candidato montaram uma operação clandestina digna dos enredos rocambolescos de filmes sobre a máfia.

Pessoa contou aos procuradores que ele, o executivo da UTC Walmir Pinheiro e um emissário da confiança de ambos levavam pessoalmente os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha presidencial de Lula. Para não chamar a atenção de outros petistas que trabalhavam no local, a entrega da encomenda era precedida de uma troca de senhas entre o pagador e o beneficiário.

Ao chegar com a grana, Pessoa dizia “tulipa”. Se ele ouvia como resposta a palavra “caneco”, seguia até a sala de Filippi Júnior. A escolha da senha e da contrassenha foi feita por Pessoa com emissários do tesoureiro da campanha de Lula numa choperia da Zona Sul de São Paulo.

Antes de chegar ao comitê eleitoral, a verba desviada da Petrobras percorria um longo caminho. Os valores saíam de uma conta na Suíça do consórcio Quip, formado pelas empresas UTC, Iesa, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, que mantém contratos milionários com a Petrobras para a construção das plataformas P-53, P-55 e P-63.

Em nome do consórcio, a empresa suíça Quadrix enviava o dinheiro ao Brasil. A Quadrix também transferiu milhares de dólares para contas de operadores ligados ao PT. Pessoa entregou aos investigadores as planilhas com todas as movimentações realizadas na Suíça. Os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presidente Lula foi beneficiado diretamente pelo petrolão.

Até agora, as autoridades tinham informações sobre as relações lucrativas do petista com grandes empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, mas nada comparável ao testemunho e aos dados apresentados pelo dono da UTC.

Depois de deixar o governo, Lula foi contratado como palestrante por grandes empresas brasileiras. Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram que ele recebeu cerca de 3,5 milhões de reais da Camargo Corrêa. Parte desse dinheiro foi contabilizada pela construtora como “doações” e “bônus eleitorais” pagos ao Instituto Lula.

Conforme revelado por VEJA, a OAS também fez uma série de favores pessoais ao ex-presidente, incluindo a reforma e a construção de imóveis usados pela família dele. UTC, Camargo Corrêa e OAS estão juntas nessa parceria. De diferente entre elas, só as variações dos apelidos, das senhas e das contrassenhas. “Brahma”, “tulipa” e “caneco”, porém, convergem para um mesmo ponto.

(…)

O empreiteiro contou que conheceu Vaccari durante o primeiro governo Lula, mas foi só a partir de 2007 que a relação entre os dois se intensificou. Por orientação do então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, um dos presos da Operação Lava-Jato, Pessoa passou a tratar das questões financeiras da quadrilha diretamente com o tesoureiro.

A simbiose entre corrupto e corruptor era perfeita, a ponto de o dono da UTC em suas declarações destacar o comportamento diligente do tesoureiro: “Bastava a empresa assinar um novo contrato com a Petrobras que o Vaccari aparecia para lembrar: ‘Como fica o nosso entendimento político?’”. A expressão “entendimento político”, é óbvio, significava pagamento de propina no dialeto da quadrilha. Aliás, propina não.

Vaccari, ao que parece, não gostava dessa palavra. Como eram dezenas de contratos e centenas as liberações de dinheiro, corrupto e corruptor se encontravam regularmente para os tais “entendimentos políticos”.

João Vaccari era conhecido pelos comparsas como Moch, uma referência à sua inseparável mochila preta. Ele se tornou um assíduo frequentador da sede da UTC em São Paulo. Segundo os registros da própria empreiteira, para não chamar atenção, o tesoureiro buscava “as comissões” na empresa sempre nos sábados pela manhã.

Ele chegava com seu Santa Fé prata, pegava o elevador direto para a sala de Ricardo Pessoa, no 9º andar do prédio, falava amenidades por alguns minutos e depois partia para o que interessava. Para se proteger de microfones, rabiscava os valores e os porcentuais numa folha de papel e os mostrava ao interlocutor.

O tesoureiro não gostava de mencionar a palavra propina, suborno, dinheiro ou algo que o valha. Por pudor, vergonha ou por mero despiste, ele buscava o “pixuleco”. Assim, a reunião terminava com a mochila do tesoureiro cheia de “pixulecos” de 50 e 100 reais. Mas, antes de sair, um último cuidado, segundo narrou Ricardo Pessoa: “Vaccari picotava a anotação e distribuía os pedaços em lixos diferentes”. Foi tudo filmado.

jun
28
Posted on 28-06-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-06-2015


Mariano, no portal de humor gráfico A Charge Online


DEU MO BLOG O ANTAGONISTA (DOS JORNALISTAS MARIO SABINO E DIOGO MAINARDI)

O melhor e o pior do cinema nacional

Na falta do filme que mostra Vaccari recebendo propina na sede da UTC — o melhor filme nacional de todos os tempos –, reprisamos Sérgio Mamberti na sua bisonha interpretação de petista indignado com a prisão do companheiro tesoureiro:

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