CHOVE INCONSEQUENTE NA PROVÍNCIA

Poema de Carlos Sampaio
Música: Wilson Aragão

Chove inconsequente na província,
Vesperal de inverno

As noites são aquáticas
Navegamos ruas etílicas
Quando não mais escutamos
O solfejar do cancioneiro gitano

No pelourinho cresce o sexo
Anísio, o melhor, hasteia a bandeira livre do São João de Deus

Chove inconsequente na província,
Vesperal de inverno
Camacã conta o mundo
Edson Diniz teme a execução de Bach
Jehová de Carvalho é passo na noite
E a égua relincha madrinhando estradas

Chove inconsequente na província,
Vesperal de inverno
Cuide Nery dos loucos
Pois a viagem se fez viúva
Com a morte do seu amor turístico quando o navio apitou

Chove inconsequente na província,
Vesperal de inverno
Se as noites são aquáticas
E navegamos ruas etílicas
Meus cavalos partem em despedida de tempo..

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Grande e saudoso Carlos Sampaio: Venha nos socorrer com a sua poesia embebida em sentimentos e baianidade boêmia, neste sábado de tempestade e de perigos insondáveis nas encostas e nas morros da Cidade da Bahia.
Rogai por nós, poeta e boêmio!!

(Vitor Hugo Soares)


Brizola;partida há 11 anos…


…e Lula no congresso do PT em Salvador.

ARTIGO DA SEMANA

Lula: Retrato na moldura de Brizola

Vitor Hugo Soares

Meio atirado já às traças do esquecimento, (estranho até em um país desmemoriado) transcorreu, domingo, 21/06, o décimo primeiro aniversário da morte de Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul e uma das figuras mais marcantes da política brasileira ao longo de décadas. Goste-se ou não dele, um nome sobre cuja cabeça e memória se encaixam preceitos fundamentais do célebre Decálogo do Estadista, de Ulysses Guimarães. A começar pela Coragem, primeiro e principal mandamento do homem público.

Por décadas, o gaúcho de Carazinho foi figura amada e seguida até a devoção por muitos. Temida, traída, atacada e perseguida por outros tantos (com igual intensidade, ou mais). Sempre, porém, legendária personalidade de governante ativo e de administrador capaz em sua geração (protótipo no campo trabalhista – herança da proximidade com Getúlio Vargas; e da Educação, com E maiúsculo -, ao lado de Darcy Ribeiro).

Acima de tudo, Brizola é um nome associado aos maiores e melhores combates políticos, sociais e na defesa de comportamento ético e moral das figuras públicas em geral, e dos governantes em particular .

Um fato inexorável, jornalística e politicamente falando: No redemoinho insano deste junho de 2015, a justa e merecida celebração da data ficou esmaecida. As pautas e os espaços nas editorias de política, geral e de comportamento da grande, média ou pequena imprensa foram tomados por outros acontecimentos.

A saber: a) As mais recentes “tonterias” da presidente Dilma Rousseff (como qualificam os espanhóis e a gente de língua castelhana na América do Sul); b) as manobras do ex-presidente Lula (pós desastroso Congresso Nacional do PT em Salvador), na tentativa, meio óbvia demais, de se desvincular do PT e da atual mandatária do Palácio do Planalto (mesmo que só momentaneamente, nesta tormentosa hora de escárnio e corda no pescoço). Sem tirar os olhos da sucessão presidencial em 2018, diga-se.

Lembrou, com extrema sensibilidade, o jornalista e escritor Juan Arias, na edição brasileira do jornal espanhol El Pais, a charge que corre nas redes sociais, na qual o ex-presidente da República e fundador do PT, aparece (mal) disfarçado no meio de grande manifestação popular de protesto contra o governo, carregando um cartaz com a palavra de ordem: “FORA LULA!”

Espaços fartos de imprensa foram destinados ainda: c) À troca das mãos pelo pés do empresário Marcelo Odebrecht, autor do arrogante e complicador bilhete capturado pela PF. O principezinho (das colunas sociais e das reportagens laudatórias até recentemente), manda chuva da megaempresa brasileira com braços multinacionais, fundada na Bahia (ora recolhido em uma cela do prédio da Federal em Curitiba), determina aos seus advogados que destruam provas recolhidas pela Operação Lava Jato .

Pepinaço, no linguajar soteropolitano, por mais que os advogados façam ginásticas mentais para negar ou “interpretar” o verdadeiro sentido das palavras do autor); d) a morte trágica e violenta em acidente de carro, no interior de Goiás, e o enterro de superstar em Goiânia, do músico e cantor sertanejo Cristiano Araújo e de sua jovem noiva. O artista regional, de repente guindado, nos principais veículos noticiosos, ao posto de celebridade de primeira grandeza do Brasil.

E estamos de volta a Leonel Brizola, ao relembrar da sua partida há 11 anos. Irônico, talvez, que isso aconteça nestes dias juninos em que o ex-presidente Lula atravessa uma das etapas mais polêmicas, contraditórias e complicadas de sua trajetória de ex-dirigente sindical, fundador do PT, ex-chefe da Nação, e liderança política sob intenso foco de observação nacional e internacional. Mais complicada, ainda, depois da Operação Lava Jato e seus desdobramentos recentes, conduzidos desde Curitiba, pelo juiz Sérgio Moro, a “incógnita do futuro do ex-presidente”, segundo Arias, no El País.

Mas foi Brizola, sem dúvida, quem, durante anos, traçou sobre a moldura brasileira, o retrato mais expressivo, questionador e polêmico de Lula e seu PT e sobre o significado de ambos na vida e na história das últimas décadas no Brasil. Recordo, antes do ponto final, duas pinceladas marcantes da obra. Nos anos 80, o ex-governador cunhou, talvez, a frase mais definitiva sobre o partido saído das lutas sindicais no ABC paulista: “O PT é a UDN de macacão e tamanco. É como uma galinha que cacareja para a esquerda e põe ovos para a direita”.

Sobre Lula, anos mais tarde, um trecho definidor, no vídeo que circula na Internet: “Eu cheguei aqui (do exílio) e fui logo visitar o Lula. Me recebeu como um imperador. Dono do ABC. Nós pensamos diferente. O Lula está dentro do sistema, sua mente está dentro do modelo econômico. Como o Fernando Henrique, só que o Lula vem por baixo e o FHC vem por cima. Os dois se acotovelam para executar o mesmo programa neoliberal”. Mais não digo, a não ser: que falta faz Brizola!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

DEU NO G1

Felipe Matoso

Do G1, em Brasília

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi internado na noite desta sexta-feira (26) no Hospital do Coração do Brasil, em Brasília, informou ao G1 o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. Segundo Silva, o governo aguarda um diagnóstico sobre o motivo da internação.

A notícia foi antecipada pela coluna do jornalista Ancelmo Gois, de “O Globo”. De acordo com a coluna, Levy sofreu uma embolia pulmonar e não mais acompanhará neste sábado (27) a presidente Dilma Rousseff na viagem aos Estados Unidos, onde ela fará uma visita oficial de quatro dias. O Jornal da Globo informou que o ministro ficará em repouso por três dias.

O Palácio do Planalto, porém, não confirmou até a 1h deste sábado (27) que Levy havia deixado de viajar aos EUA.

Pela programação inicial, divulgada pela Presidência, Dilma embarca na manhã deste sábado para Nova York, onde permanecerá até a próxima segunda (29). Nos dois dias em que estiver na cidade, a presidente terá série de encontros com empresários brasileiros e norte-americanos.

Em Washington, na terça (30), além de se encontrar com o presidente americano Barack Obama, Dilma participará da cerimônia de encerramento de um seminário de empresários que discutirá investimentos em infra-estrutura nos dois países. Levy é aguardado para todos esses compromissos.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, um dos objetivos da viagem da presidente aos EUA é apresentar ao governo e aos empresários norte-americanos o Plano De Investimentos em Logística como uma forma de atrair investidores do país.

O pacote foi lançado na semana passada e prevê concessões até 2018 em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. Segundo as estimativas do governo, o plano envolverá R$ 198,4 bilhões.

Barack Obama se esforçou, emocionou o público e fez bonito ontem no funeral do amigo em Charleston, Carolina do Sul. Mas Elvis é inigualável. Confira,

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Um estilo que fez escola

O comunicado com que a Odebrecht se defende, após a prisão do seu presidente, é uma sequência de negativas das práticas ilegais apontadas na Operação Lava-Jato e acolhidas pelo juiz Sérgio Moro.

A Odebrecht alega que um depósito na conta de uma empresa estrangeira “não é um depósito”, mas “um investimento realizado por um dos réus da Lava-Jato (…) sem qualquer controle ou envolvimento da Odebrecht”.

Diz também que a expressão “sobrepreço”, usada num e-mail emitido por Marcelo Odebrecht, “nada tem a ver com superfaturamento, cobrança excessiva ou outra irregularidade”.

Nega, ainda, vinculação com pessoas citadas no processo e a realização de pagamentos à Constructora Internacional del Sur, afirma que não participou de nenhum cartel e que não colocou obstáculo às investigações.

Mais recentemente, quando foi apreendido um bilhete do presidente a auxiliares com a ordem de “destruir e-mail sondas” (o tal do “sobrepreço”), a empresa declarou que “destruir” queria dizer “desconstruir”, no sentido de contestar.

É a versão pessoa jurídica de Paulo Maluf.

DEU NO PORTAL EUROPEU TSF

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao cantar à capela o classico da música negra norte-americana Amazing Grace, surpreendeu a multidão no momento em que fazia o discurso do elogio durante o funeral de um amigo. O reverendo Clementa Pinckney, que foi uma das nove vitimas do massacre de Charleston, Carolina do Sul, ocorrido na semana passada.

No discurso do elogio Barack Obama destacou as capacidades do reverendo e falou sobre o racismo nos Estados Unidos. Mas o que tornou este discurso inesquecível foi o momento final, quando cantou, à capela, a música “Amazing Grace”.

Numa primeira reação as pessoas presentes na cerimônia ouviram em silêncio, mas logo em seguida levantaram-se e juntaram-se a Barack Obama. O Presidente norte-americano foi aplaudido pela multidão.

jun
27
Posted on 27-06-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-06-2015


Duke, no jornal O Tempo (MG)

jun
27
Posted on 27-06-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-06-2015


Vítimas do atentado em uma mesquita no Kuwait, nesta sexta-feira. / AP

DO EL PAIS

Avança sem freio o terror do islamismo radical. A violência jihadista mostrou nesta sexta-feira sua capacidade letal com três ataques simultâneos em lugares tão distantes como Tunísia, Kuwait e França, os quais causaram a morte de pelo menos 60 pessoas. Os terroristas mataram dezenas de turistas em uma praia tunisiana e fiéis xiitas em uma mesquita do Kuwait, e decapitaram um homem e feriram várias pessoas em uma instalação industrial na França, perto de Lyon. O Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque kuwaitiano. O Califado, cujo aniversário de proclamação será na segunda-feira, havia pedido a seus adeptos que atacassem os “hereges” durante o Ramadã. Hoje é a segunda sexta-feira do mês muçulmano do jejum.

Os atentados transcorreram ao longo da manhã e comoveram o mundo inteiro à medida que se sucediam as notícias dos ataques em três continentes e o número de mortes aumentava. Vários países europeus elevaram o nível de seu alerta antiterrorista ao mesmo tempo que prometiam continuar unindo forças para prosseguir com sua luta no Oriente Médio contra o EI.
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Os ataques tiveram como alvo os três objetivos costumeiros dos jihadistas, os seus “inimigos” mais citados em seus proclamas: um país muçulmano que por meio de uma transição democrática se distancia do islamismo radical; fiéis xiitas; e os países europeus, entre os quais se destaca a França, o Estado que combate o jihadismo em três frentes: Iraque, Mali e República Centro-Africana.

A ofensiva do terror ocorreu em paralelo com novos avanços do EI, cujas tropas investem de novo contra a cidade de Kobani, onde nesta sexta-feira perpetraram uma matança de civis, segundo denunciou uma organização de defesa dos direitos humanos. É nessa frente que a coalizão liderada pelos Estados Unidos, integrada também por países árabes e ocidentais, põe em dúvida a eficácia para combater “exércitos” surgidos do dia para a noite e que são capazes de pôr contra as cordas seus inimigos nas próprias casas.

O ataque mais mortífero teve novamente como alvo o setor turístico da Tunísia, o país que deu a largada para a primavera árabe e ainda não se recuperou do atentado que em 18 de março espalhou cadáveres no Museu do Bardo. Os jihadistas atacaram desta vez dois hotéis da turística cidade de Susa e mataram pelo menos 37 pessoas, na maioria britânicos, belgas e alemães.

No Kuwait, no ataque suicida contra uma mesquita xiita, com a morte de outra trintena de pessoas, o EI mostra também sua capacidade de golpear a seita rival muçulmana, que, ao lado dos curdos, é a única a lhe fazer frente em campo no Iraque.

E na França, o local do primeiro atentado da série desta sexta-feira, e também o mais obscuro, um islamista radical decapitou seu chefe em Isère, perto de Lyon, e depois tentou fazer saltar pelos ares uma usina de gás. Foi o ataque menos grave, mas os franceses e seu Governo confirmaram que são um objetivo de ponta para os jihadistas, que em janeiro espalharam cadáveres em Paris em dois ataques simultâneos, ao semanário Charlie Hebdo e a um supermercado judaico.

Esse ataque em Lyon, como também a origem das vítimas na Tunísia, situa de novo a Europa no olho do furacão dessa nova guerra global, na qual ninguém se sente protegido. Depois dos ataques em Paris, na Dinamarca, Bélgica e Espanha, as autoridades reforçam seus arsenais legais e policiais para enfrentar o terror, em uma nova disputa entre segurança e liberdades. Nas ruas europeias, como ocorre em Paris, vê-se continuamente militares em patrulha, em uma cena que, ao se repetir, já parece perigosamente normal para os cidadãos.

“Nunca foi tão elevado o nível de alerta”, declarava há um mês o procurador de Paris, François Molins, encarregado da luta antiterrorista. No entanto, ele mesmo, como também repete com frequência o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, está consciente de que o mundo enfrenta uma ameaça tão nova quanto desconhecida. Seu exército, também alimentado por fanáticos nascidos na Europa, tem uma quinta coluna em nossas ruas.

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