DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Dilma-Obama: muito tempo para pouco assunto

De Nova York, a jornalista Sônia Coutinho, da Globonews, especula: a conversa da presidente Dilma Rousseff com o presidente Barack Obama “não deverá ser muito longa, duas horas, no máximo três”, o que seria uma surpresa, pois não se imagina uma agenda tão extensa para um encontro dos dois.

Será, de parte a parte, um evento político: Obama, externamente, quer “reconstruir a confiança” com o Brasil, abalada desde a revelação, há um ano e meio, do grampo no telefone pessoal de Dilma – não fora o azar que deu justamente agora, com a descoberta de que espionaram também os presidentes franceses Chirac, Sarkozy e Hollande.

Dilma tem alguns ganhos. Pode, por exemplo, melhorar um pouquinho a imagem pelo “prestígio” de ser recebida na Casa Branca para jantar com a família do presidente, mas o melhor mesmo são os quatro dias de descanso para a cabeça dos problemas que enfrenta por aqui.

Pacote inclui roteiro de costa a costa

Sim, serão quatro dias de viagem aos Estados Unidos, embora não se identifique uma planilha de negociações objetivas, em que constem posições dos dois países sobre os temas em foco, preferindo-se a referência genérica a um programa formal de cultivo das boas relações, mais assemelhado a um turismo de Estado.

A presidente chega por Nova York no próximo domingo, janta com empresários e no dia seguinte tem encontro com executivos do mercado financeiro e possíveis investidores em infraestrutura. À noite, segue para Washington, para o jantar com Obama.

Só na terça de manhã é que terá a reunião de trabalho com o presidente, sem nenhuma decisão importante à vista, apenas conversas sobre mudanças climáticas, defesa e ciência e tecnologia, tudo reunido nos usuais “temas de interesse regional e global”.

Após almoço no Departamento de Estado, Dilma comparece à Câmara de Comércio Americana e no dia 1º estará do outro lado do país, na Califórnia – para visita à Google, à Universidade de Stanford e até a um centro espacial da Nasa –, de onde decolará de volta ao Brasil.

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 25 junho, 2015 at 3:17 #

E se…?

Dona Dilma, nesta sua peregrinação em busca de popularidade nos “states”, poderá ser surpreendida, por uma citação pessoal, em algum daqueles processos que visam ressarcir prejuízos aos acionistas americanos?

E se…?


Taciano Lemos de Carvalho on 25 junho, 2015 at 8:05 #

E se soubermos —como Don Helder Câmara já afirmava— que a diferença entre um presidente “democrata” e um presidente “republicano” (os dois entre aspas, sim) é a mesma existente entre uma Coca-Cola e uma Peps-Cola?

Sei não, FHC também já visitou o Império entregando as joias da coroa. E foi com esse mesmo discurso fuleiro de conseguir investimentos aqui para o Brasil.

O governo FHC/Lula/Dilma já entregou, e continua entregando, o pré-sal.

Eu queria uma presidente, não uma mascate.


luis augusto on 25 junho, 2015 at 10:47 #

Ivan Lessa foi mais radical: “De quatro em quatro anos, os americanos elegem George Washington presidente da República.


luiz alfredo motta fontana on 25 junho, 2015 at 15:39 #

A Presidente da República, poderá sem nenhum prejuízo ao due process of law ser apenas tratada como a presidente do conselho da Petrobrás por ocasião dos fatos levados à justiça americana. Nada impede que um advogado dedicado peça uma eventual citação com sua inclusão em alguma das lides que lá prosperam..

A questão é legal, não diplomática, fica a dúvida.

E se…?


Taciano Lemos de Carvalho on 25 junho, 2015 at 23:46 #

Ivan Lessa era um frasista de primeira. E um jornalista e escritor de primeira grandeza.


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