Confronto afastado pelo controle de Salvador


DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Hieros Vasconcelos Rego e David Mendes

Diante de tantas especulações sobre os possíveis nomes para disputar as eleições municipais em 2016 pelo PT, até mesmo o do ex-governador e atual ministro da Defesa, Jaques Wagner, já foi citado como um dos que pode sair candidato na disputa pela prefeitura de Salvador, contra o atual prefeito ACM Neto (DEM), que disputará a reeleição.

Com o visível incômodo de alguns setores do PT com a possibilidade de a sigla não lançar candidatura própria devido à ausência de um nome forte e que não esteja “cansado de guerra”, o nome do ex-líder baiano surge como uma luz no fim do túnel.

No entanto, o próprio ex-governador descartou a candidatura em 2016, durante uma entrevista a uma rádio comunitária de Andaraí, na Chapada Diamantina. Essa foi a primeira vez que o petista falou sobre o assunto.

Wagner disse que tinha muito carinho pela capital baiana, que já a ajudou muito, mas que tinha como missão auxiliar a presidente Dilma Rousseff no segundo mandato da petista.

A informação que circula nos bastidores é que a possibilidade nasceria da avaliação de que ele não tem ganhado projeção especial como ministro, ao contrário de Aloízio Mercadante, que estaria a ofuscar o brilho do carioca/baiano diante dos olhos da presidente Dilma. Por isso, alguns petistas acreditam que Wagner poderia dar continuidade ao prestígio obtido dentro do PT como governador da Bahia, desta vez, na prefeitura soteropolitana.

Embora a informação não seja confirmada pelo presidente estadual do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, há quem diga dentro do diretório petista que já existe até slogan para a suposta campanha de Jaques Wagner para a prefeitura de Salvador: “A oposição vive de microfone. A situação de realizações”.

Segundo Everaldo, manifestações a respeito já foram ouvidas também de pessoas fora do PT, mas Wagner nunca teria comentado sobre a possibilidade. “Eu acho que o povo de Salvador que tem esse carinho por ele. Se for do interesse dele e do povo. Mas ele está numa tarefa muito árdua para o governo dentro do PT. Não diminuindo a importância para a capital, que precisa de alguém com essa sensibilidade, mas ele não manifestou nada a respeito do assunto”, declarou à Tribuna, Anunciação.

Questionado se o ministro da Defesa teria força suficiente para passar Neto em Salvador no quesito de popularidade, o presidente do Democratas e deputado federal José Carlos Aleluia, forte opositor ao PT, foi discreto em seu comentário.

Segundo ele, Neto está muito bem preparado para enfrentar qualquer candidato. “Não vamos torcer para que seja A ou B. Quem quer que seja, será tratado como um oponente de respeito que nosso candidato tem ao seu lado”, defendeu o democrata.

BASE ALIADA – Everaldo Anunciação continua na mesma linha de pensamento sobre a candidatura de um nome para disputar com ACM Neto o comando do Palácio Thomé de Souza no ano que vem.

O dirigente petista explica que ainda não se chegou a um estágio de definições de nomes. “Mas chegamos à tese de que precisamos dialogar com a base aliada e criar uma unidade. Tem nomes muito importantes na base, como o da deputada federal Alice Portugal [PCdoB]”, declarou.

Em entrevista recente, o governador Rui Costa fez coro às palavras de Anunciação sobre a possibilidade de pulverizar as candidaturas ano que vem e dar espaço para a base aliada, sem a qual o PT, sozinho, não conseguiria as transformações sociais que obteve no País, embora continue se achando o protagonista delas.

Na entrevista à Metrópole, o governador comentou que a base aliada “deve se sentir à vontade para lançar nomes”, e disse que não existem garantias de que o PT apresente candidato próprio. “O que eu tenho dito é que se sintam livres para apresentar nomes e vamos avaliar ao longo do tempo. O PCdoB colocou nome de Alice Portugal e vi circulando o nome de Antônio Brito do PTB. Vamos conversar com todo mundo e buscar através do diálogo”, disse.

Além de Alice e Brito, Alan Sanches (PSD) já falou no próprio nome como pré-candidato. Enquanto isso, algumas correntes do PT defendem veementemente candidatura própria do PT para a eleição de Salvador, a exemplo dos deputados federais Jorge Solla e Luiz Caetano.

Ambos assinaram um documento, em maio, intitulado de “Avante Camaradas”, defendendo que o PT tenha candidatura própria e os diretórios municipais tenham independência em suas escolhas.

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