DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Assembleia “sem moral” sofre desfeitas externas

A olhos externos, os deputados estaduais estão, como se diz popularmente, sem moral.

Primeiro foi o diretor do Detran, Maurício Bacelar, que, ao recusar-se a prestar informações após denúncias sobre o órgão que dirige, disse que a Assembleia Legislativa “tem coisas mais importantes a cuidar”.

Agora são os oito maiores shoppings de Salvador, cujos dirigentes, convidados pela Comissão de Defesa do Consumidor a uma audiência sobre a cobrança de estacionamento, simplesmente não apareceram.

“Quero aqui registrar a forma como esses diretores têm tratado esta Casa, a falta de respeito a esta Casa e ao consumidor”, protestou o presidente da comissão, José de Arimateia (PRB), exigindo “explicações sobre tarifas que serão cobradas a partir de julho”.

No caso do Detran, o deputado Adolfo Viana (PSDB) disse ter certeza de que os 19 deputados da oposição apoiarão a criação de uma CPI e que, para ter as assinaturas necessárias, só ficarão faltando dois, que espera garimpar nas hostes governistas.

Prepare o bolso

Na audiência (Na Assembleia Legislativa da Bahia), ontem, o subsecretário da Sucom, Sérgio Guanabara, informou que, após a autorização da cobrança pela Justiça, a Prefeitura está tentando negociar a forma de implementação, valor da tarifa e tolerância de permanência.

“Fizemos a proposta de franquia entre 40 minutos e uma hora, como também questionamos a possibilidade do valor fixo ou único e cobrança proporcional, mas, até o presente momento, sem sucesso”, afirmou.

Shoppings: da atração à exploração

Tive o prazer de, trabalhando na área que então se chamava “relações-públicas”, ser o redator de uma campanha destinada à imprensa para o lançamento do Shopping Center Iguatemi, uma gigantesca e fantástica novidade na Salvador de 1975 – usemo-lo com símbolo da cobrança que os comerciantes vão impor aos clientes.

Meu coordenador na tarefa era Fernando Carvalho, um pioneiro, com a Publivendas, da propaganda na Bahia, pessoa afável e profissional competente, que me surpreendeu ao enveredar pela política, elegendo-se prefeito de Maracás, onde não deixou de brilhar.

Era Fernando quem, entusiasmado, me orientava sobre os textos, querendo fazer chegar ao público baiano, especialmente os consumidores, os detalhes daquela nova proposta urbana, já naquela época bem apropriada à cidade, pois oferecia, além de acesso a “tudo” no mesmo lugar, ar condicionado, segurança, fácil acesso e… amplo estacionamento!

Desses, convenhamos, só restaram o que hoje se chama de “ambiente climatizado” e as vagas de estacionamento, pois há muito dançaram a segurança e o trânsito fácil. Dizia-se: “O que importa é o tempo do percurso, não a distância”, numa comparação entre a fluidez rodoviária das “avenidas de vale” e o engarrafamento da Avenida Sete, por sinal, renitente.

Neste clima descontraído de crônica, talvez seja válido fantasiar: se a esquerda houvesse tido um desempenho mais eficaz na política brasileira, poderia ter hoje autoridade executiva e legislativa para solucionar a questão em favor do povo.

Por exemplo, seria invocada a responsabilidade social do capital, pois os shoppings são na economia, para usar palavra que esteve recentemente na moda, uma atividade-fim, cujos sucesso e crescimento dependem do público consumidor.

De um lado, portanto, estão algumas meras unidades empresariais, do outro, dezenas de milhões de pessoas, atraídas, entre outros fatores, pela oferta de “facilidade de estacionar”, e que agora, além de sustentar os altos lucros do negócio, serão exploradas também em uma atividade-meio. (LAG)

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