O editor do Bahia em Pauta recebeu nesta sexta-feira, 18 de junho, do aniversário de Maria Bethânia, o seguinte e-mail do poeta, jornalista, antropólogo e amigo deste site blog, o seguinte e-mail:

Querido Vitor,

tudo bom?

o texto é meio atrasado, pois trata do Prêmio da Música. Como é aniversário de Bethãnia resolvi enviar para o Bahia em Pauta e o Correio Nagô. Se rolar, festejemos a rainha.

abs,

Atenciosamente,
Marlon Marcos – um poeta em busca da poesia da antropologia.

Festejemos sim, Marlon. BP agradece.

(Vitor Hugo Soares)

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Maria Betânia:É dela a nossa terra

Marlon Marcos

A noite de Maria esteve sobre o chão da Bahia – é dela a nossa terra

No dia 10 de junho, no belíssimo Theatro Municipal do Rio de Janeiro, aconteceu o 26º Prêmio da Música Brasileira, esta edição homenageou os 50 anos de carreira da cantora Maria Bethânia. Uma noite de gala para os produtores de uma das músicas populares mais poderosas do planeta. A nossa.
Foi delicadamente forte assistir Maria Bethânia no centro daquela noite. Vê-la errar, lotada de emoção, a canção O quereres do mano Caetano. Vê-la lançar a voz inigualável ressoando a sua trajetória de rupturas e conquistas, marcada pela inventividade do povo da Bahia que a cantora levou na garganta para o mundo, abrigada pela cidade do Rio de Janeiro.
O Prêmio, como tudo entre nós é um símbolo, um ritual cheio de equívocos, que coloca estreantes, como As ganhadeiras de Itapuã, sentadas atrás dos medalhões que lá vão para pegar seus troféus. As ganhadeiras chamadas por algumas damas da elite branca Zona Sul de “gentalha”, mas que na hora da dupla premiação, é o grupo mais ovacionado da noite. Inclusive por uma das damas nobiliárquicas. Mas, a premiação é séria. E se faz ainda mais séria quando para e homenageia a presença vibrante de um artista como Maria Bethânia – o mais inventivo entre nós nas últimas duas décadas.

Passagem das horas
A música brasileira precisa e merece uma festa de gala. Que reúna João Donato, Monarco, Áurea Martins, Hermínio Bello de Carvalho, Martinho da Vila, Zé Renato, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Luiz Melodia, Elba Ramalho, Alcione, Adriana Calcanhotto, Zélia Duncan, Chico César, Arnaldo Antunes, Lenine, Alceu Valença, Dori Caymmi, e tantos outros. Para além, lá estava também, Nana Caymmi, é claro! Que preserve nossa história e memória musicais. Que nos convide à criação e possibilite a chegada de novos nomes, de novos artistas em caminhada. Difícil deixar de dar um troféu de melhor cantora de samba para Alcione, mas Mariene de Castro mereceu em 2014 este prêmio. E Alcione não é nossa melhor cantora de samba, é uma das maiores cantoras do mundo nascida no Brasil. Insistem em premiar Alceu Valença como cantor regional, o mesmo fariam com Luiz Gonzaga?
O Prêmio acerta quando dá voz a Dira Paes: uma das coisas mais agradáveis e competentes naquela noite. Algumas falhas do som e a entrega desarrumada dos troféus tiraram um pouco do “glamour”. E Alexandre Nero, bem eficiente, poderia ser “menos” para ser “mais”. Os dois foram os apresentadores desta 26º cerimônia de premiação.
Os convidados de Maria Bethânia
Nomes aprovadíssimos. Chico César e Lenine tiveram uma noite correta. Adriana Calcanhotto esteve bem apagada. Arnaldo Antunes não foi expressivo, difícil para ele cantar bem Lua Vermelha depois da gravação de Maria Bethânia. Zélia Duncan fez uma bela apresentação. Muito correta a presença de Mônica Salmaso. Roque Ferreira se apoiou na grande Fabiana Cozza, que estava bem intimidada. Mariene de Castro espraiou a força do candomblé. A mais esperada da noite, além de Maria Bethânia, Nana Caymmi cantou sem a costumeira vivacidade musical. Dori, seu irmão, arrasou. Caetano Veloso arrancou lágrimas ao imprimir a força da irmã e o começo de ambos na Música Popular Brasileira, visto pelo centro do Brasil.
Nenhuma das récitas esteve à altura de Maria Bethânia. Alcione foi arrebatadora cantando Negue do seu jeito, numa leitura de craque, sem se reportar à gravação de Bethânia. Contou uma história hilária dela com Maria Bethânia em Salvador e levou o Municipal às mais cortantes gargalhadas. Momento inesquecível.

A Bahia em Maria Bethânia
É límpido o timbre grave da cantora acompanhando o som civilizador do atabaque. Na presença altiva da mulher no palco, amalgamam-se sinhazinhas, escravas rebeldes e rainhas iyalorixás ancestrais do mítico Recôncavo baiano. No movimento do braço há a leveza das quituteiras, no movimento dos pés o risco no chão da dança das iyaôs, no sorriso o dengue faceiro da nossa gente; nas letras das canções há misturas sonoras universais que partem deste lugar chamado Bahia que habita a garganta de Maria Bethânia. E ela perfaz o seu caminho de cacique transgressor desta nação. Um deus mulher. Liderança aldeã dominando o mundo pela arte. Em sua noite de homenageada, numa interpretação dilacerante de Explode Coração – Maria Bethânia mostrou a todos e a todas porque se tornou a mais importante cantora do Brasil. Ela mora e ama o Rio. Mas sua força brota do chão e das águas da Bahia, cuja capital é São Salvador.

Marlon Marcos é poeta, jornalista e antropólogo



André Curvelo em Serrinha: caminhos do
interior na comunicação de Rui Costa

DA COLUNA POLÍTICA RAIO LASER/TRIBUNA DA BAHIA

Pilares da comunicação

A Secretaria de Comunicação Social do Estado (Secom) reuniu na manhã de ontem profissionais e empresários do setor durante um encontro em Serrinha, na região do Sisal.

A apresentação do planejamento estratégico foi feita pelo secretário André Curvello, destacando a interiorização das ações de governo também no campo da comunicação.

“Apostamos na valorização dos veículos e dos profissionais de comunicação contratando produções regionais para as campanhas de governo”.

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BAHIA EM PAUTA COMENTA:

Olho vivo! É como dizia o célebre e saudoso colunista social Ihrahim Sued: “Cavalo não desce escada”

(Vitor Hugo Soares)


Leão acuado: vaias na cidade de Barra e no
congresso do PT em Salvador

DEU NA COLUNA POLÍTICA “SATÉLITE”/CORREIO 24HORA

Jairo Costa Júnior

A temperatura subiu na quarta-feira (17) em uma reunião com deputados da bancada baiana que integram a base aliada ao Planalto na Câmara, voltada a discutir a distribuição de cargos em órgãos federais no estado. O clima subiu quando o chefe do Escritório de Representação do governo do estado em Brasília, Jonas Paulo, defendeu que as nomeações passem pelo crivo do governador Rui Costa (PT) e sejam costuradas antes com o secretário de Relações Institucionais do petista, Josias Gomes. Parlamentares do PP, PCdoB, PSD e até do PT reagiram imediatamente à sugestão. A maioria concordou em submeter as escolhas a Rui, mas rejeitou Gomes como principal interlocutor das negociações. Na ocasião, os governistas da Bahia condenaram a articulação política conduzida pelo secretário, a quem criticam por fechar as portas do Palácio de Ondina para suas demandas. Ao mesmo tempo, atacaram indicações de deputados que pertencem ao arco de alianças do PT no Congresso Nacional, mas fazem oposição no estado. Caso de Lúcio Vieira Lima (PMDB), que não estava presente. Com a tensão elevada, o encontro ficou restrito aos integrantes da bancada e emissários do governador.

Temporada de caça

Diante da maré contrária enfrentada pelo vice-governador João Leão (PP) desde que foi arrastado pela Operação Lava Jato, profissionais que cuidam da imagem do governo andam cada vez mais preocupados com suas aparições públicas. Especialmente, quando ele representa Rui Costa em eventos oficiais ao ar livre. O receio ficou maior anteontem, quando o vice foi hostilizado em Barra, um de seus redutos eleitorais no Oeste. Para evitar novos constrangimentos, cogitam pedir a Leão que hiberne por um tempinho.

DEU NO BLOG O ANTAGONISTA (DOS JORNALISTAS DIOGO MAINARDI E MARIO SABINO)

Tem problema?

Para tentar anular a convocação de Paulo Okamotto pela CPI da Petrobras, os petistas querem convocar “alguém” do Instituto Fernando Henrique Cardoso, sob o argumento de que o tucano também recebeu doações da Camargo Corrêa.

Os tucanos veem problema nisso, a ponto de ajudar a melar a ida de Paulo Okamotto à CPI?

O clip musical é uma sugestão do rico e inesgotável garimpo do leitor e ouvinte do BP que assina Vangelis. Bahia em Pauta agradece e pede mais.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

A prevalência do caciquismo

Chega a ser enfadonho o noticiário recorrente sobre as possíveis movimentações do prefeito ACM Neto, que já incluíram o PDT, PMDB, PSDB, PSB e até siglas que resultassem das fusões e confusões do quadro partidário brasileiro.

Imagine-se Neto assinando a ficha de um desses partidos. À exceção do PDT, onde parece ter fincado uma cabeça-de-ponte, nos demais teria de enfrentar pela liderança, no plano local, caciques tradicionais, num processo de duvidosa conciliação, além das peculiaridades municipais a acomodar.

Somente uma coisa é certa nessa barafunda: termina em setembro de 2015 o prazo para o prefeito, se o pretende, filiar-se a outra legenda a tempo de participar do pleito de 2 de outubro do próximo ano, no qual tentaria a reeleição.

Ocorre que, para tal finalidade, o DEM é um local seguro, que não representa o menor problema para Neto no horizonte próximo. Assim, é de se inferir que, a dar um triplo mortal sem rede, ele preferirá o conforto atual, que não se alteraria mesmo que, por exemplo, o partido incorporasse o PTB ou o PPS.

Uma nova filiação agora só seria factível dentro de um projeto partidário sólido, com o olhar mais amplo para o futuro, o que não se vislumbra – as criações e refundações partidárias, no momento, mais se inserem no oportunismo e no interesse imediato.

jun
18
Posted on 18-06-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-06-2015


Cazo, no diário Comércio de Jahu (SP)

jun
18

DO EL PAIS

Gil Alessi

De São Paulo

“O Brasil é um país pacífico e assim continuará”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado, durante uma cerimônia da Comissão Nacional da Verdade. O Índice Global da Paz, lançado nesta quarta-feira pelo Institute of Economics & Peace, no entanto, mostra um cenário diferente. De acordo com o relatório, o Brasil caiu 11 posições no ranking dos países mais pacíficos do mundo, e ocupa a 103a posição de um total de 162 nações – atrás de Haiti, Cuba, Argentina e Serra Leoa. O estudo leva em conta dezenas de variáveis, como acesso a armas, taxa de encarceramento da população, atividade terrorista, crimes violentos, desigualdade de gênero e PIB.

Os quatro países mais pacíficos do mundo, de acordo com o índice, seriam Islândia, Dinamarca, Áustria e Nova Zelândia, enquanto que no final da tabela estão Síria, Iraque, Afeganistão e Sudão do Sul. Na América do Sul, o Brasil só está à frente de Venezuela e Colômbia, que enfrentam, respectivamente, uma grave crise social e política e um conflito armado que já dura décadas entre o Exército e movimentos guerrilheiros ligados ao tráfico de drogas.

A alta taxa de homicídios no Brasil – 25,2 por 1000 habitantes -, a 12a maior do mundo, ajudou a derrubar o país no ranking. Além do impacto humano e social que as mais de 50.000 mortes anuais têm, o estudo faz uma estimativa do custo da violência para os cofres públicos e para a economia brasileira, levando em conta despesas com o sistema de saúde, com aparato de segurança estatal e com o Judiciário. No total, o país gasta 255 bilhões de dólares (765 bilhões de reais) por ano como consequência da violência, o equivalente a 8% do valor do PIB nacional. O Brasil tem o quinto maior gasto global com a violência, atrás apenas dos Estados Unidos, China, Rússia e índia.

Para termos de comparação, em maio deste ano o ministro do Planejamento Nelson Barbosa anunciou um plano de austeridade que previa corte de 69 milhões no orçamento do Governo. Programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e até obras do PAC tiveram verbas reduzidas. O valor gasto com a violência é mais de sete vezes maior do que orçamento da saúde, que é de 109 bilhões de reais. “A violência exige que investimentos sejam redirecionados de áreas produtivas como educação, infraestrutura e saúde para áreas de contenção da violência”, diz o texto, que cita grandes forças de segurança e encarceramento em massa como exemplos.

O custo total da violência na economia mundial chega a 14,3 trilhões de dólares, equivalente à economia do Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido

O custo total da violência na economia mundial chega a 14,3 trilhões de dólares, equivalente à economia do Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. “A América do Sul é o maior contribuinte com custos provocados por homicídios na região”, diz o estudo, que aponta Brasil e Colômbia como os países sul-americanos onde mais se mata. O relatório afirma que “mesmo tendo experimentado um desenvolvimento econômico em anos recentes”, os dois países não vivenciaram a “queda nos índices de crime esperada”. O carro chefe do custo mundial da violência são os gastos com Exércitos (43%), seguido por crimes e violência interpessoal (18%). Conflitos armados respondem por apenas 11% do valor total.

Além dos homicídios, “o Brasil tem sido afetado pela estagnação econômica e inflação em alta, o que dispara a insatisfação social”, diz Aubrey Fox, diretor-executivo do Institute for Economics & Peace. Ele aponta ainda que o país passa por um momento de descontentamento com escândalos de corrupção, que se traduzem em “protestos massivos”.

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