DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Aparecido Silva

Liquidação do partido

O ex-ministro de Ciência e Tecnologia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Amaral, é um dos quadros mais tradicionais do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e não corrobora com a ideia de ter em suas fileiras o prefeito de Salvador, ACM Neto, que é cria do DEM e está articulando um novo destino partidário para galgar postos maiores na política estadual e até nacional. Recentemente, o deputado federal e líder do PSB na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque, convidou, segundo a revista Época, o democrata soteropolitano para integrar o time socialista. Antes disso,já havia sido especulada a possibilidade de o prefeito ir para o partido resultante da fusão do PPS com o PSB, mas a articulação perdeu força.

Nesse último fim de semana, Amaral, que abandonou a presidência nacional do PSB em outubro do ano passado por não concordar com o apoio dado por seu partido ao então candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB), disse que só o ato de convidar Neto para o PSB já se trata de uma deslealdade. “Trata-se de uma felonia, essa tentativa que, apenas como tentativa, já é uma bofetada no rosto de cada uma e de cada um dos militantes brasileiros e principalmente baianos. Trata-se de desrespeito aos que lutaram na Bahia contra o banditismo e o autoritarismo de ACM, antes, principalmente durante, mas também depois da ditadura”, argumentou o socialista em nota dirigida aos militantes do PSB e publicada em sua página na internet.

Amaral sempre defendeu um posicionamento de aliado ao PT, inclusive foi contrário à decisão do partido durante o lançamento de candidatura para presidente no ano passado. No início desse mês de junho, o ex-dirigente foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para o cargo de conselheiro da usina binacional de Itaipu, onde receberá mais de R$ 20 mil por uma função que exige uma reunião a cada dois meses.

A tentativa de Albuquerque de levar ACM Neto para o PSB foi interpretada pelo socialista como uma tentativa de destruição do partido. “Como se vê, permanece forte e poderosa a tentativa de destruir nosso partido, por dentro, revolvendo suas entranhas, manchando sua história, desmoralizando seu projeto, rasgando seu programa, agredindo sua militância. Só a notícia de que ACM foi convidado, já é desgastante. Os liquidacionistas perderam a batalha da fusão, mas prosseguirão até realizar o projeto de acabar com o último partido socialista atuando na política brasileira, se não reagirmos”, diz Amaral, que pede ainda aos militantes que se pronunciem protestando junto à direção nacional “de sorte a estancar outras iniciativas, pois outras virão”. Ele também citou uma declaração da senadora baiana Lídice da Mata de que “o ‘tampinha’ entra por uma janela e ela sai pela porta da frente com toda a militância”. “Todo apoio aos socialistas da Bahia”, arrematou.

O prefeito ACM Neto reagiu ao ataque com ironia ao ser questionado ontem sobre as declarações do socialista. Durante o ato de assinatura da ordem de serviço para início das obras de requalificação da orla do Rio Vermelho, em Salvador, o democrata fez até deboche: “Eu nem sabia que ele estava mais fazendo política”.

O destino partidário do prefeito ACM Neto vem sendo especulado e entre as opções que mais se sobressaem atualmente são o PMDB e o PSDB. Geddel Vieira Lima, presidente da sigla peemedebista na Bahia, já disse que está aberto para conversas. Anteontem, os deputados federais do PSDB Antônio Imbassahy e João Gualberto fizeram o convite ao democrata durante a convenção tucana que elegeu o ex-prefeito de Mata de São João para presidir a legenda na Bahia.

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