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DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DE LUIS AUGUSTO GOMES)

Brasil já tem intolerâncias demais

Embora não tenha chegado ao estado bruto do fundamentalismo, a intolerância religiosa no Brasil é uma realidade reconhecida, com casos de mortes e perseguições relatados na imprensa e até estatísticas apontando a regularidade de sua incidência.

A intolerância racial é outro fato, densamente espalhado sob um oceano que o discurso dominante quer caracterizar como sereno, mas que nós sabemos que existe e aparece com constância aos nossos olhos, em irrupções carregadas de crime e injustiça.

Que dizer, então, da intolerância sexual, manifesta em atos de violência física, até a extrema, contra os que ousam divergir dos padrões e das convenções, sem, com isso, macular os direitos de quem quer que seja?

Tudo isso para uma constatação: o país não precisa acrescentar à extensa lista também a intolerância política, exibida por entidades personalistas no recente congresso do PT em Salvador.

Provocadores: categoria vem do nazi-fascismo

O evento foi precedido de expectativa de confronto, até que pronunciamentos de políticos de mais responsabilidade, dos dois lados, reduziram as previsões malignas a meras escaramuças de rua, logo controladas.

Essas movimentações democráticas não se comparam, contudo, com a atitude de pessoas que se acham no direito, por estarem hospedadas num hotel, de fazer provocações vulgares a militantes de um partido político que ali promovem seu encontro nacional.

Não cabe nem saber “quem começou”, como no episódio de que tomou parte o chefe de uma entidade virtual de traços francamente fascistas. Foi uma ação envolvendo um único indivíduo e uma multidão fustigada, num espaço exíguo, onde esperava estar debatendo civilizadamente temas de seu interesse.

Tudo poderia ter acontecido no Hotel Pestana, desdobramentos de alta gravidade que nos conduziriam a um quadro de tragédia monumental. Pelo menos na política, instrumento básico da construção do futuro, deixemos de fora a violência e a incapacidade de convivência.

CPMF: contradição para além dos termos

Por outro lado, de tanto conceber e praticar políticas sub-reptícias, em hotéis e gabinetes do poder, o PT perdeu o senso e passa a lançá-las abertamente.

Enquanto delegados do partido, premidos pela óbvia má repercussão da recriação da CPMF, a retiram do texto final do congresso, o presidente nacional, Ruy Falcão, demonstra que isso não significa nada.

Afinal, se o congresso petista não a proibiu, o debate da proposta “vai prosseguir”, anunciou, sem esclarecer se no âmbito partidário, no governo ou nos dois – vale lembrar que, ao apresentá-la, o ministro da Saúde disse ter o “aval” da presidente Dilma.

Somente não convenceu, sendo mesmo capaz de causar risos, o argumento de Falcão de que a arrecadação “propiciaria grandes recursos para financiar a saúde”.

O mesmo utilizado em 1993 por Fernando Henrique Cardoso, ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, para criar a CPMF, nascida sob o nome de “imposto provisório”, sem que a saúde no país tenha deixado de ser um suplício.

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