Abertura do congresso do PT: Ilha Fiscal em Salvador?

ARTIGO DA SEMANA

Congresso Nacional do PT: felinos rosnam em Salvador

Vitor Hugo Soares

“Tudo vai mal, tudo/Tudo mudou não me iludo e contudo/A mesma porta sem trinco, o mesmo teto/ E a mesma lua a furar nosso zinco/ Meu amor/ Tudo em volta está deserto tudo certo/Tudo certo como dois e dois são cinco”

(Versos de “Como Dois e Dois”, antiga canção de Caetano Veloso, que segue atualíssima em seu significado. Na falta de um canto novo ou hino para o 5º Congresso Nacional do PT, aberto quinta-feira, 11, em Salvador, com a participação de Dilma, Lula, Wagner, Mercadante, Falcão e o deputado Sabá como estrelas. Termina este sábado, 13.

“Um saco de gatos”. Pode até parecer dichote e provocação à primeira vista. Mas esta expressão clássica e temida” nas esquerdas (das antigas assembleias universitárias, nos anos loucos das décadas de 60 e 70), ressurgiu nesta agitada semana de junho na Cidade da Bahia. Com a palavra gatos trocada por adjetivo mais ofensivo, ao estilo do uruguaio Pepe Mujica em relação aos velhinhos dirigentes da FIFA.

No entanto, é a definição que parece se encaixar melhor ao ambiente de baile da Ilha Fiscal, ao comportamento cabreiro e tortuoso dos maiorais e militantes, e à atmosfera conjuntural do 5º Congresso Nacional do PT, que acaba hoje (13) na capital baiana.

Termina com perspectiva mais incerta ainda. A deduzir-se pela “Carta de Salvador”, aprovada previamente pelos petistas de todas as correntes, em encontros regionais no País. Estranho documento este que irá balizar “os passos e as lutas do PT” a partir de agora: Pede o retorno do CPMF e não fala, uma vez sequer, na palavra corrupção ao longo de suas tortuosas linhas.

Provavelmente, uma contribuição do ministro da Defesa, Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, que chegou ao local da abertura do congresso, abraçado com o ex-presidente Lula. A reboque, Rui Costa, o quase “invisível” governador atual (o político e administrador dos “arranjos” , como começa a ficar conhecido), quando a questão exige presença afirmativa e estatura política e intelectual.

“A gente não precisa mostrar que é mais honesto do que ninguém”, pontuou Wagner ao chegar ao salão do encontro maior do partido que ele ajudou a fundar (abertamente contra a decisão do PT de não mais aceitar financiamentos privados de campanha, depois dos clamorosos escândalos envolvendo corruptos e corruptores no Mensalão, seguido pelo Petrolão, em processo cada vez mais revelador das tripas do partido reunido na Bahia).

Diretamente da Bélgica, chegou a presidente Dilma Rousseff, para abrir a “festa” petista, ao lado do chefe da Casa Civil , Aloízio Mercadante. Dilma recebeu aplausos “meio envergonhados” (como dizem os baianos) dos delegados e cerca de mil participantes de carteirinha do quinto congresso. Ouviu gritos de “Olê, olê, olá, Dilma, Dilma” e “pode tremer, pode tremer, aqui está a militância do PT”. Mais pareciam felinos sem garras e sem dentes, rosnando para não perder de todo os dotes naturais da espécie.

A tudo isso se sobrepunha, na abertura do evento, um que de pasteurização. De falta de espontaneidade e da pegada forte dos antigos happenings políticos petistas. Um que de melancolia e desapontamento no ar e no rosto dos maiorais donos do poder, há mais de 12 anos. Um toque Brasil 2015, da marolinha que virou um quase tsunami, como reconheceu a própria presidente ao falar com jornalistas ainda na Europa, horas antes de desembarcar em Salvador.

Tanto que a chefe do cerimonial, responsável pelos anúncios das maiores estrelas do encontro, pediu “animação” dos participantes, que não gritavam à altura do esperado. Ainda mais, em se tratando de uma festa na Bahia.

Há, na verdade, desde quinta-feira na terceira maior cidade do País, toda a encenação feérica das superproduções políticas do PT marqueteiro. Todos (salvo raras exceções para confirmar a regra) de olho nas indefectíveis imagens da propaganda que domina a tudo e a todos, a começar por Dilma e Lula. Neste caso, restrita ao Centro de Convenções do Hotel Pestana. Um ambiente luxuoso e de acesso restrito, no alto do morro do bairro do Rio Vermelho, magnificamente debruçado sobre o mar da Baia de Todos os Santos.

Sob a pintura cenográfica e das belezas naturais, o que se vê e se percebe nos corredores, bastidores e entornos, é um partido e seus comandantes e soldados em crise moral e política. E surtos de perda de identidade e de memória. A antiga e aguerrida militância de base, que causava tremores nos adversário e assombrava o mundo em suas manifestações, anda de crista baixa. Recolheram-se às suas barricadas das guerrilhas furibundas das redes sociais na Internet.

A capital baiana, cantada aos quatro ventos como “a terra de Lula em outra encarnação” (o próprio ex-presidente fazia propaganda disso nos arroubos espíritas de seus discursos de campanha eleitoral), ou a capital mais dilmista do Brasil também dá sinais claros de enfado e saturação, quando não de declarada indignação.

Foi o que se viu (e ouviu) nas manifestações anti-PT nas proximidades do Pestana, na chegada das estrelas do V Congresso. Com segurança reforçada de agentes civis, policiais dos grupos de choque da PM, helicópteros em voos rasantes, além dos gatos pingados da militância petista, que ainda se prestam a este “serviço duro” e desqualificado na hierarquia partidária.

Em alguns casos e setores, o interesse pelo encontro magno nacional do PT é praticamente nulo. Ou a gente da Cidade da Bahia, tão acolhedora em outros momentos, dedica agora aos petistas o pior dos tratamentos para um baiano: o desprezo.

O restante, a conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 13 junho, 2015 at 10:11 #

Repito aqui o comentário de ontem:

luiz alfredo motta fontana on 12 junho, 2015 at 17:23 #

-Um epílogo a ser sonhado!

O desfile tonitroante do “namorado” da Rose, em palco baiano, assemelha ao delírio alcoólico.

Cai o pano, acendem-se os incensos, rangem as correntes, ecoam as matracas.

Não é um simples convescote, é o reconhecimento do fim.

O Baile da Ilha Fiscal fez escola.

Tempos de Papuda emergem. Alvíssaras!

-Sonhemos, pois!

E acrescento:

Caro VHS, neste baile, o minueto de Dilma é o tropeço da arrogância tola.

Tropega, incerta, sem jaça, em busca da redenção perdida.


luiz alfredo motta fontana on 13 junho, 2015 at 10:56 #

Em tempos de sandices e salamaleques, Jô Soares, é insuperável.

“Um BNDES do Gordo? ”

Talvez, Coutinho não poderá negar, tamanha a bajulice.

Aqui Josias de Souza sobre o “evento permissivo”:

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“No Jô, Dilma atinge nirvana autocongratulatório

Josias de Souza 13/06/2015 06:10

Foi ao ar na madrugada deste sábado (13) uma conversa afável de Dilma Rousseff com Jô Soares. A presidente se divertiu muito. Brincou com os problemas nacionais como quem brinca de roleta russa, com a certeza de que as críticas que seus antagonistas manuseiam estão completamente descarregadas de fundamento.

Descobriu-se, finalmente, por que a presidente não faz uma autocrítica. Dilma se autoconcedeu uma isenção para exercer seu ineditismo na Presidência, para ser a solução natural de todos os problemas que ela não admite ter criado.

Dilma alcançou a fase do pós-cinismo. Passou a acreditar piamente em todas as presunções que construiu a seu próprio respeito. Isso inclui aceitar a tese segundo a qual tem uma missão no mundo divina e, portanto, inquestionável. Não deve contas senão à sua própria noção de superioridade.

Instada a comentar a crítica da oposição de que descumpriu suas promessas, Dilma como que apagou da memória os quatro anos do seu primeiro mandato. “Como eu estou no quinto mês, estou entrando no sexto mês de mandato, é muito difícil dizer que eu não cumpri minhas promessas de campanha”, disse. “Eu tenho um mandato para cumpri-las.”

Não é o cinismo de Dilma que assusta. O cinismo é usual na política. A presidente poderia dizer que aderiu ao programa dos tucanos como um aceno ao diálogo. Ou que escolheu o Joaquim Levy para a Fazenda porque ele era um espião disfarçado do PT na diretoria do Bradesco. Qualquer coisa seria aceitável. O que assusta mesmo é a percepção de que Dilma não está sendo cínica. Ela acredita que sua missão especial no planeta lhe dá o direito de desafiar a lógica.

O Brasil precisa de um ajuste, mas “não passa por uma situação em que ele é estruturalmente doente”, disse Dilma. “Pelo contrário, ele está momentaneamente com problemas e dificuldades. Por isso, é importante fazer logo o ajuste para a gente sair mais rápido da situação.”

Quando terminam as razões cínicas, sobra a licença que Dilma deu a si mesma para não explicar por que deixou de fazer o ajuste em 2011, quando tomou posse pela primeira vez. O país teria desativado a armadilha da economia criativa bem mais rapidamente. E com um custo social muito menor.

A inflação alta não lhe dá agonia? “Eu fico bastante agoniada, Jô. É das coisas que mais me preocupam. Eu sei que é passageiro, mas eu sei também que, mesmo sendo passageiro, afeta o dia a dia das pessoas. Fico preocupada porque eu acho que nós vamos ter que fazer um imenso esforço. Nós iremos fazer o possível e o impossível para o Brasil voltar a ter uma inflação bem estável, dentro da meta.”

Quando termina a lógica, sobra o direito que Dilma julga ter de apagar da memória os anos em que tolerou índices de inflação bem acima da meta de 4,5%. Chamou de normais taxas que roçavam o teto da meta, de 6,5%. Hoje, cavalgando uma taxa anualizada de 8,47%, Dilma crê que ela desceu de Marte.

Todo ser humano cultiva um desejo oculto de ser excepcional. Mas poucas pessoas chegam ao estágio em que se encontra Dilma. No Programa do Jô, a presidente atingiu uma espécie de nirvana autocongratulatório.

Perto do final da conversa, Dilma lamentou: “No Brasil tem uma coisa que eu não vejo em outros países. Nós somos mais críticos conosco do que nós merecemos. […] Um povo que não tem esperança também não constrói o futuro. Nós precisamos de esperança, precisamos da confiança do povo em si mesmo.”

É mais fácil cultivar a esperança quando se tem carro com motorista na porta, avião no hangar, um palácio como moradia e toda a mordomia que o dinheiro público é capaz de pagar. A coisa fica mais difícil no instante em que começa a sobrar mês no fim do salário. Piora um pouco mais quando a principal responsável pelo oco na geladeira acha que não deve nada para ninguém. Muito menos um pedido de desculpas.”

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Wagner deve estar rubro de inveja, Jô equivale a um exército de bajuladores!

O Gordo, pode não ter a Base Naval de Aratu, mas subloca a “Vênus Platinada”

– Derico!

– Toque , Você Não Vale Nada (Calcinha Preta)

https://www.youtube.com/watch?v=oPQrm9h9HnA

Um hino ao evento!


Gracinha on 13 junho, 2015 at 13:49 #

Muito bom VHS


luiz alfredo motta fontana on 13 junho, 2015 at 19:15 #

Caro VHS

Depois dessa overdose de Lula, dilma, e seus áulicos que tal uma fuga no tempo?

https://www.youtube.com/watch?v=nxqQTtN0HWw&feature=youtu.be


Carlos Volney on 13 junho, 2015 at 22:04 #

Vou chatear de novo.
Esse artigo de Josias de Souza sintetiza de maneira ímpar a situação atual que estamos a viver e vivenciar.
Parece que a presidenta – como ela exige ser tratada – vive em outra galáxia. Ou então instala entre nós uma forma de cinismo nunca vista. Em toda entrevista ela fala dos problemas como coisa de um passado já superado.
Pior, e de estupefar, é que os entrevistadores nunca confrontam suas afirmações descaradamente mentirosas.
De resto, Jô é daqueles que fazem como ninguém o papel que o status quo espera dele.
VIVA PINDORAMA!!!!!!!


luiz alfredo motta fontana on 13 junho, 2015 at 23:43 #

Caro Volney

Jô é o que é, um ancião em busca da graça perdida, perambulando com o ponto que lhe margeia a falsa cultura enciclopédica, dai a ânsia de falar, atropelando entrevistados, antes que esqueça o que o ponto ditou.

Que seria de Jô sem o ponto?

Simples, um belo ator cômico, que teve a sorte de ter Max Nunes como redator.

Ao mais, Dona Dilma faz o que sabe, debate-se, perdida no enredo, que Lula delirou entre goles.


luiz alfredo motta fontana on 14 junho, 2015 at 17:47 #

Caro Volney

Aqui um fecho para o Jô:

Deu no site de Augusto Nunes
———————–

14/06/2015 às 17:18 \ Direto ao Ponto
CELSO ARNALDO: Jô Soares volta ao humor com o programa Viva a Dilma: ‘A presidenta que não sabe responder recebe o entrevistador que não sabe perguntar’. E enfim descobre o paradeiro do cachorro oculto atrás de cada criança

https://www.youtube.com/watch?v=PDHke_2Xzz0

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Saudosos do programa “Viva o Gordo” já não precisam se contentar com as reprises do canal Viva. O grande humorista Jô Soares – que cedeu lugar ao pior entrevistador da TV brasileira — está de volta com um programa fresquinho: “Viva a Dilma”. Resgatando a tradição das duplas que faziam o Brasil gargalhar no tempo das chanchadas da Atlântida e da rádio Nacional, como Oscarito e Grande Otelo, Primo Pobre e Primo Rico, a dobradinha Dilma e Jô, ele como escada, desmentiu a fama de Brasília como cidade sem graça, embora nada séria. Em pleno Palácio da Alvorada, ambos – em grande forma – interpretaram a si mesmos, sem precisar de ensaio ou laboratório.

O comediante que decidiu virar dono de talk show e que, nessa função há 27 anos, jamais conseguiu extrair de um convidado uma única frase que repercutisse no dia seguinte. A presidente que, em quatro anos e meio mandato, e nada indica que será diferente nos três anos e meio que ainda faltam, jamais extraiu de seu cérebro uma única frase que fizesse sentido no dia seguinte ou para a História. Química infalível para o riso fácil, frouxo e indevido – potencializada por um detalhe que coloca Jô ao mesmo nível da cara de bacalhau, filhote de pombo, pescoço de freira e político honesto, isto é, de coisas que ninguém nunca viu: ele é o humorista a favor.

Já na introdução interminável para justificar a defesa intransigente de Dilma, o Jô de sempre: a hesitação e a sem-gracice em forma da pessoa real que é, despido de seus antigos personagens. Também pudera: é preciso se desmanchar em tibieza e falta de informação para, preparando a primeira pergunta, afirmar isto:

“Bom, você é uma leitora fanática, de chegar a andar com mala cheia de livros e, de repente, na ânsia de ler, até bula de remédios não escapavam (sic) dos seus olhos”.

Ainda a Dilma leitora fanática? A claque da Zorra Total teria de ser acionada para produzir gargalhadas frenéticas, apesar de a piada ser muito velha – menos para o Jô. Na mala de livros que Dilma leu sem nunca ter lido ainda cabe Jô Soares – ela é imensa.

Mas, espere. A pergunta no horizonte envolve não um livro comum – mas o livro dos livros. E aqui ressalta o inclassificável talk showman que é Jô Soares: imagine, é a primeira pergunta de sua primeira entrevista com a presidente da República num momento delicadíssimo da vida nacional e você se sai com essa – uma insignificante fabulazinha de cadeia sem um ponto de interrogação no final:

“E como é que é a história da Bíblia, quando você estava presa, encarcerada, e essa Bíblia tinha que passar pra outros prisioneiros. Conta essa história pra gente”.

Dilma:

“Ah, Jô, era uma história que é assim: num tinha livros…”.

Só pelo “num”, não tinha mesmo. Mas, segundo consta, tinha uma bíblia que fora deixada por um padre e que passava pela portinha do calabouço, e ia de cela em cela, introduzida pela fresta. Dilma enfatiza, para provável espanto da plateia: “Porque as portas das celas não ficavam abertas…” Puxa, mas uma bíblia fazendo sucesso num calabouço de marxistas? Sim, porque não era qualquer bíblia. Mas a Bíblia de Dilma, a hermeneuta:

Eis sua gênese:

“A Bíblia é algo fantástico, ela é uma leitura que ela envolve de todas as maneiras. Além de sê uma expressão religiosa, da religião da qual nós, a maioria do Brasil, compartilha. Mas, além disso, ela tem alta qualidade literária e tem, também, histórica. Então, é uma leitura que, eu quero te dizer o seguinte: para mim foi muito importante, principalmente porque ela trabalha com metáforas. E é muito difícil, a metáfora é a imagem, o que é a metáfora? Nada mais que você transformá em imagem alguma coisa. E não tem jeito melhor de ocê entendê e compreendê do que a imagem”.

Dilma como metáfora seria aqui uma imagem impublicável. Mas a entrevista caminha biblicamente para o apocalipse, com Jô fazendo o papel de um embasbacado Cirineu para a cruz de Dilma pensando o Brasil e discorrendo sobre qualquer assunto. Caprichando como sempre na saúde:

“Agora, eu quero te dizer que, além disso, faltam no Brasil especialidades. Porque, hoje, uma pessoa que quebra a perna precisa de ter um exame; ela precisa de ter um outro tratamento. Então as especialidades são a grande coisa que nós queremos focar nesses próximos quatro anos. E são três especialidades que nós vamos começar, porque você tem que começar. Uma é ortopedia; a outra é cardiologia; e a outra é oftalmologia. Eu esqueci de falar, falei da traumatologia, dos pés, das “quebraduras” em geral. Então são três”.

Já pisando nas quebraduras da Pátria Educadora, Dilma – que conquistou Lula ao chegar para uma reunião com um laptop – fala da importância de se controlar virtualmente, tintim por tintim, as verbas da Educação destinadas às creches (sim, as seis mil de sempre).

“Nós montamos o controle. E você só pode montar o controle no Brasil se você digitalizar. Você digitaliza…torna.. Coloca na internet, digitaliza, sabe onde é cada uma das escolas. Então, o prefeito recebe um SMS: “Prefeito, você recebeu tanto, você tem que fazer…”. E ele tem que tirar o retrato, tirar uma foto daquela creche e tem de botar no…

“Na internet”, sopra Jô.

“Não, ele bota no celular dele, que vem pra nós, que entra na internet, não é? Aí, nós descobrimos que um prefeito que tinha quatro creches tava mostrando a mesma creche. E advinha (sic) como é que a gente descobriu”?

“Como”?

“O cachorro era o mesmo. O cachorro parado na frente da creche era o mesmo das quatro creches. O que causou uma grande indignação em nós aqui. Que história é essa desse cachorro aí? Eu te contei essa história justamente pra mostrar o seguinte: você tem de acompanhar”.

Sim, a entrevista foi constrangedora, claro. Mas Jô conseguiu uma façanha: descobriu, sem querer, onde foi parar aquele cachorro de Dilma que era a figura oculta atrás de cada criança: ele se materializou na frente de cada creche.

Viva o Gordo, Viva Dilma.

——————————————-

Recomenda-se um antiemético!

Abraços!

Para deglutir vou de dose dupla.


Carlos Volney on 14 junho, 2015 at 22:26 #

Caro Poeta, grato pela atenção.
Não assisti a entrevista exatamente porque ando evitando o Jô.
Depois, como acontecia comigo nos últimos tempos de FHC, ando sem saúde para ouvir farsantes, tomo até como insulto pessoal suas afirmações cínicas nunca contestadas pelos entrevistadores – com Lula mesmo, por que ninguém nunca lhe pergunta sobre Rose??
Lendo agora o artigo do Celso Arnaldo, congratulo-me comigo mesmo. Talvez até mais do que cinismo, o afair Dilma/Jô beira a indigência mental.
Eta Pindorama!!! Vida que segue…


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