DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

FHC é obrigado a defender Palocci

Poderíamos repetir para este texto o título “O ponto a que chegamos”, de artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recentemente publicado no jornal espanhol El País. Realmente, a que ponto chegou o Brasil para termos tais concepções divulgadas na imprensa internacional, por tão alta fonte, com toda naturalidade.

Mais expressiva foi a parte em que tratou do declínio do gerenciamento da economia, pela observação de que “o início da derrapada se deu com a substituição de Palocci por Mantega”, numa análise, não explicitada desta forma, segundo a qual o primeiro tinha autonomia de raciocínio na área, e o segundo, apenas obediência para repetir teses furadas.

O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci deixou o cargo em abril de 2006, diante das evidências de que ordenou a quebra de sigilo de um correntista da Caixa Econômica que o denunciara por corrupção, Francenildo Costa, caseiro do imóvel usado pelo então ministro para acerto de falcatruas, além dos compreensíveis pecados da carne.

A exoneração em tais circunstâncias não impediu que Palocci assumisse, cinco anos depois, a chefia da Casa Civil do governo Dilma Rousseff, sendo obrigado a sair com seis meses no cargo, pela constatação de que seu patrimônio cresceu 20 vezes de 2006 a 2010.

Note-se que a acusação que o afastou não foi suficiente para gerar qualquer outra consequência, sendo muito provável que o ex-ministro continue desfrutando do aludido patrimônio e até, como especialista em finanças que é, engordando-o. Foi esse homem que teve a demissão lamentada para o mundo todo por FHC.

Lapso ou convicção

O ex-presidente, claro, defendeu abertamente as políticas implementadas pelo PSDB e bateu com dureza no PT.

Tratando-se de um intelectual de minucioso cuidado com o estilo, chamou a atenção que tenha atribuído ao adversário, por duas vezes, no quarto e no oitavo e último parágrafos, “a obsessão pela permanência no poder”.

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 12 junho, 2015 at 8:06 #

Mais do que o próprio FHC, quem defende as políticas neoliberais e entreguistas do governo do PSDB/FHC é o PT. Basta observar os governos Lula e Dilma.

Aprofundaram a DEFORMA da previdência; aumentaram ainda mais os exorbitantes lucros (agiotagem) dos banqueiros (foi o próprio Lula que disse que nunca banqueiros ganharam tanto quanto no governo dele); continuaram os entreguistas leilões das bacias de petróleo, inclusive do pré-sal; taxaram os aposentados; destroem ainda mais o ensino superior público para, parece, encher as burras de empresários da educação.

Privatização? Nisso o PT inovou. Deu à privatização o apelido de concessão. Mas que é pura privatização, é. Ontem (11/6) o ministro Barbosa tentou explicar que privatização é diferente de concessão. Concessão, explicou ele, é como se você alugasse sua casa por 30 ou 40 anos. Com isso fiquei preocupado. Será que o governo atual também está se especializando em ser um governo de aluguel?

Se concessão tem a cara de privatização, as patas de privatização, o coração de privatização, o cérebro de privatização, o couro de privatização, as vísceras de privatização, o lombo de privatização e, principalmente o rabo (preso) da privatização, é de fato privatização. Pronto! É, também, privataria pura.


luiz alfredo motta fontana on 12 junho, 2015 at 10:12 #

Na mosca

Luís augusto tem precisão cirúrgica, Taciano complementa e disseca.

Enquanto isto, nossa nau tresloucada, deriva perigosamente, nas águas turvas do pensamento único econômico.

Inflação de custo tratada a juros altos, pode ser tudo, menos política econômica, ao menos decente.

Levy cumpre seu papel, de soldado do sistema, fazendo, a contragosto, bico de “bouffon”.

Dilma, desesperadamente, agarra-se ao regime para não devorar brioches.

Na distante Manaus, o menino estouvado, Arthur Virgílio Neto, debruça-se, em saudades, do tempo em que, líder dos tucanos, defendia Palloci no senado, com unhas e dentes, secundado por Tasso Jereissati.

Doce esquizofrenia.

FHC, o entediado gongórico, continua o mesmo, desde sempre, desde o patrocínio da fundação Ford. Entre a enfadonha aposentadoria e a nobreza, que nunca conquistou, tenta sublimar o pé na cozinha.


Taciano Lemos de Carvalho on 12 junho, 2015 at 10:39 #

Isto, poeta. Você está certíssimo. Inflação de custo ser combatida com alta de juros, que eleva mais ainda os custos, nunca foi política econômica séria. Mas falar em política econômica séria nas mãos de Lulas, Dilmas, FHCs, é coisa que não dá pra acreditar. Sabe de uma coisa? Governos não sérios não implantam políticas sérias.


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