DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Um partido com sua própria classe média

Dizia-se, no passado, que a classe média era “formadora de opinião”, com seu charme de dois carros na garagem, filhos em escolas particulares, férias maravilhosas, dentista duas vezes ao ano, e por isso o pensamento social e a decisão política que dela emanassem é que determinavam o resultado das eleições.

Em decorrência, os miseráveis, que mal sabiam o que iriam comer ao longo do dia, e os pobres em geral, usuários de ônibus, jamais veriam no poder, por escolha própria, alguém que os representasse verdadeiramente. Estavam sempre “a reboque”, expressão muito usada no passado.

Ou seja, nas palavras de Delfim Netto, Lula perderia tantas vezes quantas se candidatasse, e essa crença do mago da economia da ditadura, hoje curiosamente alinhado ao petismo, prevalecia na atmosfera brasileira.

O PT, no entanto, fez a balança, enfim, pender para seu lado, quando, após a terceira derrota para a presidência da República, conseguiu atrair a classe média – a preexistente, não a “nova” –, que vinha sofrendo as agruras do arrocho salarial implantado no ajuste fiscal permanente do PSDB.

Para isso teve de fazer diversas sinalizações, em que se destacam a formalização de propósitos da “Carta aos brasileiros” e a indicação de um vice saído do empresariado, José Alencar, uma espécie de “avalista”, como se fosse admitida a ideia de ele tomar posse caso Lula não correspondesse.

Pois foi aquela classe média duramente conquistada que o partido agora perdeu, em razão da quebra de compromisso, principalmente em relação à ética, como se deduz das manifestações de rua e da alta carga de mensagens nas redes sociais, apesar de os governistas entenderem que são fantoches agindo em nome da “direita”.

A valorização do salário mínimo – o grande feito social dos anos petistas –, o programa de assistência financeira a um quarto da população e o afrouxamento artificial do crédito, combinado com a desoneração que barateou produtos, foram saudados na propaganda oficial como a “inclusão de 30 milhões na classe média”. Sendo verdade, está na hora de contar com ela.


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