DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

INFORMAÇÃO E OPINIÃO

O ditador Geisel reatou com a China

A direita furibunda enxerga nos acordos que o Brasil fechou com a China para investimentos estimados em US$ 53 bilhões um crime de lesa-pátria, que só ocorreu porque interessa ao governo, digamos, de Dilma Rousseff, parceiros pouco afeitos a controles rígidos e transparência.

A questão é que a China é que se apresenta para os negócios – e com ela temos uma tradição secular de entendimento, excetuados os anos coincidentemente iniciais da Guerra Fria e da Revolução Chinesa. Estados Unidos e Europa, ultimamente, têm exportado crise.

Desde Nilo Peçanha, há mais de cem anos, praticamente todos os presidentes brasileiros tiveram com os chineses acordos e decisões, totalizando mais de uma centena, sobre os mais variados temas, como comércio, tributação internacional, transporte, agricultura, tecnologia espacial e até o temido “uso pacífico da energia nuclear”.

Coube aos generais da ditadura, indubitavelmente direitistas, consertar uma aberração diplomática que o alinhamento ocidental nos impunha, com o restabelecimento, pelo presidente Ernesto Geisel, em 1974, das relações com a China, cortadas desde 1949.

Cooperação tem prazo até 2022

Essa sucessão de passos culminou com a assinatura por Dilma, em 2012, do Plano Decenal de Cooperação com a China, do qual, portanto, os recentes acordos são um desdobramento natural.

Dois anos atrás, os dois países tinham firmado um acordo de troca de divisas, limitado a US$ 30 bilhões e a vigorar até 2016, para defender suas operações comuns das variações do dólar.

Em 2012, já haviam sido concedidos à Petrobras, pelo banco de desenvolvimento chinês, US$ 3,5 bilhões. O novo empréstimo à estatal recentemente anunciado, de US$ 7 bilhões, é, assim, comprovação de que a Petrobras, para usar um chavão, é infinitamente maior que a quadrilha que a assaltou.

Um “império” de indústria e comércio

A verdade é que no concerto duro das nações em torno de geografia e dinheiro, ninguém se salva. Os Estados Unidos atuam militarmente em todos os pontos do planeta. A Rússia invade, anexa e bombardeia.

A China tem seus pepinos com Taiwan, “a província rebelde”, mas vejam-se seus exemplos de inserção, com todo o trogloditismo remanescente, em Hong Kong e Macau, ao contrário de outros que mantêm “possessões” em território alheio à margem do direito internacional.

É a marcha de um país que instala seu império sem disparar um único tiro. O Brasil não tem contra que protestar. Tem de preparar-se para enfrentar as mesas de negociação disponíveis.

Independentemente de nossa vontade, o monstro oriental nos atinge em seus movimentos, como atesta a própria Confederação Nacional da Indústria, ao registrar em novembro de 2014 uma retração de importações pela Argentina, nosso terceiro maior parceiro comercial, abaixo, pela ordem, de China e Estados Unidos.

De produtos brasileiros, diz a CNI, a redução foi de 25%, enquanto a de chineses, 4%. No setor de máquinas e equipamentos, enquanto o Brasil reduziu em 34% as vendas à Argentina, a China aumentou sua cota em 14%, tendência acentuada por acordo sino-argentino assinado em janeiro.

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