Marin, da Fifa, entre os presos em Zurique

DO EL PAIS

As autoridades suíças iniciaram na madrugada desta quarta-feira uma operação destinada a deter vários dirigentes da FIFA , entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin (83), e extraditá-los para os EUA, onde devem ser julgados por corrupção, informa o jornal norte-americano The New York Times. Os cartolas são acusados de fraude, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O Ministério Público suíço já investiga o processo de escolha das sedes das Copas de 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar).

Agentes suíços detiveram os dirigentes em suas suítes do luxuoso hotel Baur aur Lac, com vistas para os Alpes e o lago Zurique, onde os dirigentes se hospedaram para o seu encontro anual que começa na sexta-feira, com uma pauta que inclui a eleição do novo presidente da entidade que organiza o futebol mundial. Os candidatos são Joseph Blatter, atual ocupante do cargo e aspirante a um quinto mandato, e o príncipe jordano Ali bin al Hussein. “Este é um dia triste para o futebol”, declarou Bin al Hussein. Depois de pedir as chaves na recepção, os agentes foram às suítes para fazer as detenções. O NYT relata que o cartola costa-riquenho Eduardo Li foi escoltado para fora do hotel por uma porta lateral, após ser autorizado a levar também a sua bagagem, onde se viam adesivos com o logotipo da FIFA.

As acusações que a Justiça dos EUA apresenta contra os dirigentes do futebol mundial giram em torno da “corrupção generalizada nas duas últimas décadas” no processo de definição das sedes das Copas e nos contratos de marketing e direitos de exibição televisiva.

Segundo o jornal, o alvo das investigações são “membros do poderoso comitê executivo da FIFA, que acumula um enorme poder e realiza seus negócios praticamente em sigilo”.

Mais de 10 dirigentes implicados

A operação do Departamento de Justiça dos EUA implica mais de 10 dirigentes do futebol mundial ainda que nem todos eles se encontrem em Zurique para participar da reunião. Entre eles, sempre de acordo com o The New York Times, estão Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman, vice-presidente do comitê executivo; Eugenio Figueredo, do Uruguai, também vice-presidente e até 2014 presidente da Conmebol; e Jack Warner, de Trinidad e Tobago, ex-membro do comitê e presidente da Concacaf entre 1990 e 2011.

A operação, portanto, trará graves consequências para o futebol no continente americano já que, segundo a informação publicada, dois dos detidos são um ex-presidente da Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol) e outro da Confederação de Futebol do Norte, América Central e Caribe (Concacaf).

A Justiça norte-americana não apresenta acusações contra o suíço Joseph Blatter, presidente da FIFA desde 1998, ainda que as prisões possam significar um entrave a sua reeleição nas eleições que serão realizadas na sexta-feira e nas quais concorre a um quinto mandato à frente do futebol mundial. Na terça-feira Blatter se reuniu a portas fechadas com os representantes da Concacaf, que representam 35 dos 209 votos da organização.

“Ficamos surpresos por isso ter durado por tanto tempo e como alcançou quase tudo feito pela FIFA”, diz um agente da lei ao The New York Times sobre a suposta corrupção. “Parece que chegou a cada elemento da federação e que era sua forma de fazer negócios. É como se isso fosse corrupção institucionalizada”, acrescenta.

Até agora FBI e FIFA não comentaram o ocorrido. É esperada uma entrevista coletiva em Nova York hoje(27) com a promotora geral dos EUA, Loretta Lynch, e o diretor do FBI, James Comey, para explicar os detalhes da acusação.

O caso é o mais significativo desde que Lynch assumiu o cargo em abril. Com mais de 1,5 bilhão de dólares (4,7 bilhões de reais) em reservas, a FIFA é tanto um conglomerado financeiro global como uma organização esportiva. Tanto Blatter como a FIFA haviam sido acusados de corrupção anteriormente, mas nunca de crimes federais nos tribunais dos Estados Unidos.

Be Sociable, Share!

Comentários

luiz alfredo motta fontana on 27 Maio, 2015 at 11:35 #

A imprensa brasileira tem seus cochilos?

Os leitores brasileiros são órfãos da realidade?

Como explicar o silêncio havido, desde dezembro de 2014? Ocasião em que J. Hawilla, em acordo com a Justiça Americana, confessou sua participação e concordou em pagar multa de 151 milhões de dólares (mais de R$ 450 milhões).

Sempre é bom lembrar, até para fazer jus ao curriculum, que J. Hawilla além da TRAFFIC, é dono de uma das coligadas da TV Globo, a TV TEM.

O que nos alerta que o JN nem sempre noticia o que sabe.

O hiato de dezembro de 2014 até maio de 2015 é maior que qualquer barriga, seja por displicência, seja por incompetência. Registre-se, contudo, que os demais meios de comunicação foram parceiros do silêncio.

Nada a estranhar, somos leitores abandonados à sorte e aos desejos dos que “pautam” nossa caolha visão do mundo.
—————————————-

Aqui o artigo da ESPN:

http://espn.uol.com.br/noticia/513251_escandalo-na-fifa-j-hawilla-admitiu-culpa-e-concordou-pagar-r-450-milhoes

Escândalo na Fifa: brasileiro dono da Traffic admitiu culpa e concordou pagar R$ 450 milhões

Publicado em 27/05/2015, 09:03 /Atualizado em 27/05/2015, 10:04
ESPN.com.br

O escândalo que abalou a Fifa na manhã desta quarta-feira tem três brasileiros envolvidos. O ex-presidente da CBF José Maria Marin é um dos sete executivos da entidade que foram presos na Suíça, mas não é o único acusado pela Justiça norte-americana no caso: os empresários J. Hawilla e José Lázaro Margulies também são citados.

O primeiro é mais conhecido do grande público. Hawilla é o dono da Traffic, renomada empresa de marketing esportivo brasileira. Na investigação conduzida pelo FBI, ele é um dos quatro que já se declararam culpados de acusações que incluem extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, entre outros delitos.

No dia 12 de dezembro de 2014, segundo informa a justiça norte-americana, Hawilla se declarou culpado das acusações de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça e concordou em pagar multa de 151 milhões de dólares (mais de R$ 450 milhões), sendo que US$ 25 mi (R$ 66,2 mi na cotação da época) foram acertados no ato.

Cinco meses mais tarde, em 14 de maio de 2015, duas empresas do grupo Traffic, de Hawilla, a Traffic Sports USA Inc. e Traffic Sports International Inc. também se declararam culpadas da acusação de conspiração para fraude. São as únicas pessoas jurídicas citadas como acusadas no documento da justiça dos EUA.

Antes disso, em julho e outubro de 2013, Daryll e Daryan Warner, filhos do ex-presidente da Concacaf Jack Warner, já haviam admitido culpa – o segundo também pagou multa, de 1,1 milhão de dólares (R$ 2,9 mi). Em novembro de 2013, Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e ex-representante dos EUA no Comitê Executivo da Fifa, se tornou o quarto investigado a se declarar culpado – seu pagamento foi superior a US$ 1,9 milhão (R$ 5 mi).

Segundo o FBI, “todo o dinheiro pago pelos réus está sendo mantido em reserva para garantir sua disponibilidade para satisfazer qualquer ordem de restituição que entre na sentença, para o benefício de quaisquer pessoas ou entidades que se qualificam como vítimas de crimes dos réus sob a lei federal” norte-americana.

José Lázaro Margulies – O outro brasileiro citado como acusado no escândalo é proprietário de empresas de transmissão de eventos esportivos. No relatório, é citada a “Valente Corp. and Somerton Ltd.”. Ele, supostamente, “serviu como um intermediário para facilitar pagamentos ilícitos entre os executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol”.


luiz alfredo motta fontana on 27 Maio, 2015 at 13:43 #

Resumo da ópera:

J. Hawilla é o Barusco do FIFÃO!


jader on 27 Maio, 2015 at 15:54 #

Taciano Lemos de Carvalho on 27 Maio, 2015 at 16:27 #

Só o governo brasileiro fazia de conta que nada sabia. Veja na Pública — Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo matéria de abril de 2013.

http://apublica.org/2013/04/andrew-jennings-como-eu-ajudei-fbi-investigar-fifa/

Andrew Jennings: Como eu ajudei o FBI a investigar a FIFA

por Andrew Jennings | 2 de abril de 2013


Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos