DEU NO BLOG POR ESCRITO (DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Uma vizinhança dolorosa demais

A recente tragédia da Conceição da Praia teve especial repercussão em todo o Brasil por ter ocorrido no centro histórico de Salvador, região em geral focalizada com interesses promocionais e turísticos, de fato atraindo muito visitantes.

O noticiário nacional destacou o aspecto que pareceu mais importante: a proximidade do deslizamento de terra com o Elevador Lacerda, talvez o maior ícone arquitetônico desta vetusta capital.

Coube ao jornalista Vítor Hugo Soares, no artigo “Verões do poder em Aratu e outono triste em Salvador”, publicado no site Bahia em Pauta, chamar a atenção para o que ninguém lembrou: “Poucos metros acima, na Praça Tomé de Souza, fica o prédio da Prefeitura”.

Para aproveitar a própria condição do sítio, pode-se dizer que a administração municipal sucumbiu a um problema “histórico”, porque a verdade é que esta cidade é uma bomba-relógio no que diz respeito a ocupação irregular e destruição pelas chuvas. É como um destino, até hoje pouco contestado seriamente.

A sociedade é desigual, as oportunidades continuarão rareando para a massa, e a formação de novos focos de conflito – de variada natureza – é somente questão de tempo. A Prefeitura não consegue prevenir a desgraça bem pertinho de sua sede, e isso é apenas o símbolo da incapacidade sistêmica.

Do caos nasce a publicidade

Contraposta ao clima de desgosto com as mortes e destruição decorrentes das chuvas, torna-se mais reprovável ainda a torrente de propaganda que a Prefeitura despeja nos órgãos de comunicação.

Além do caráter perdulário que transmite numa situação de crise, a prática traz intrínseca a imoralidade, salvo as campanhas de natureza institucional, de ser o uso de dinheiro público na construção de uma imagem política.

Uma peça, particularmente, é digna de registro: a que anuncia o cartão “primeiro passo”, que distribui, sob certas condições, R$ 50 mensais a crianças de até cinco anos, no limite de três por família, para suprir necessidades básicas.

O programa é restrito a crianças carentes que não tenham conseguido vaga em creches e escolas da rede municipal. Seu custo mensal é estimado em R$ 900 mil, despertando a curiosidade de ver tal quantia comparada ao dispêndio do anúncio.

No caso do atual prefeito, a moderação é mais recomendável por ser ele um dos proprietários de meios de comunicação que, até pela vanguarda de audiência que ostentam, são, pelo critério da “mídia técnica”, dos que mais se beneficiam com a dinheirama

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