DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Governador resiste sobre massacre do Cabula

Como se acredita na humanidade de propósitos do governador Rui Costa, deve ser atribuída a um erro de análise o entendimento de que o Estado está diante de “uma guerra não declarada” no tráfico de drogas, pois “nem no Estado Islâmico se mata 45 mil pessoas assassinadas por ano como se mata aqui pelo tráfico e pelo crime”.

O governador comentava, num fórum oficial, o assassinato de três jovens e um policial, e se pode deduzir que, na sombra de seu pensamento, estão de volta às manchetes as 12 mortes do Cabula. Independentemente de mais luz que sobre o episódio venha a jogar esse ou aquele inquérito, Rui, no íntimo, sabe que foi um massacre.

Na época da ocorrência, sua primeira reação foi a metáfora do “artilheiro diante do gol” para explicar disparos que, a despeito de terem sido feitos nas proximidades de um campo de futebol, nenhuma relação guardam com o nobre esporte bretão – muito ao contrário, cheira a necrotério.

Depois de um período de reflexão e reequlíbrio, o governador, em torno desse mesmo assunto, volta a revelar inconformidade com o que as evidências periciais e a posição de entidades respeitáveis, como a OAB e o Ministério Público, atestam. A alegação de esperar o laudo da Polícia Civil – outra entidade respeitável na matéria – parece mera protelação.

Não é que , por um desses acontecimentos inesperados que nos acometem, não possa o curso das investigações mudar, mas a experiência histórica indica como caminho mais sensato, especialmente pelo comandante-mor das forças policiais, renunciar à linguagem beligerante, ainda mais sem dados reais que a embasem.

Quando diz que “em muitos órgãos de direitos humanos inexiste a preocupação quando quem vem a óbito é um policial militar”, Rui envereda por uma trilha pedregosa, revogando, com jargão dispensável, o discurso de seu partido e a ação de muitos dos seus militantes expressivos no tempo de oposição – por que não dizer, um estímulo à matança.

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Comentários

rosane santana on 24 Maio, 2015 at 8:07 #

Já disse e volto a dizer, dando nome aos bois. O marketing e a comunicação de Rui Costa são dirigidos por seres não pensantes. Não há vida inteligente. E’ um marketing e uma comunicação q se baseiam na quantidade massiva de publicidade, por razões q o mais ingênuo dos cidadãos sabe (gera milhões em dinheiro para agências, meios e jornalistas). Um marketing antigo, que funcionou no passado e hoje é ignorado pelo receptor qdo não rejeitado, porque o próprio está a lotar as redes sociais manifestando em primeira pessoa o que pensa da política e do Estado brasileiro. Esse marketing junto com a comunicação criou o slogan ” Pacto pela Educação” sem refletir sobre o que isso implica e desconhecendo mesmo a realidade da educação na Bahia ou, talvez, apenas em cima dos péssimos índices desta, sem atentar o q seja um pacto pela educação e o q seja mesmo educação. Assim, a propaganda vai por um lado e a atitude do governo em direção oposta, como observado no seu excelente texto, Luis. Porque é altamente deseducadora a atitude do governo no quesito segurança pública. A forma como o governador tem se colocado a favor de um Estado armado contra uma população pobre e indefesa. Noutras, vc já observou as visitas do governador a escolas. Assim, para marcar ponto, sem maiores consequências. A Uneb está em greve, dentre outras coisas porque a autonomia universitária, na Bahia, e’ desrespeitada. O secretário de Administração ( não é nem o de Educação!) e’ quem define um ato comezinho em uma universidade, como a nomeação de professor. O tal pacto pela educação, como se ve e’ um slogan totalmente vazio e, brevemente, será trocado por um outro mais estapafúrdio ainda.


rosane santana on 24 Maio, 2015 at 8:21 #

Complete-se: gera milhões em dinheiro para agências, meios, jornalistas e políticos.


rosane santana on 24 Maio, 2015 at 8:37 #

O slogan “Pátria Educadora” ou “Pacto pela Educação” cairia muito bem em Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Leonel Brizola, Cristovam Buarque, Waldir Pires. São nomes q o suportariam, por muitas razões, mas sobretudo pela atitude. Qdo uma assessores de comunicação e marketing tentam emplacar um slogan desse no governo de Rui Costa, certamente faltam aos tais assessores a formação necessária e, provavelmente por isso, a educação vira slogan e é tratada como objeto de consumo e desejo. É como diz o animador de auditório Silvio Santos: “quem quer dinheiro, quem quer dinheiro?”


rosane santana on 24 Maio, 2015 at 9:10 #

Caro Luis,
Para concluir, quero parabeniza-lo pela coragem das reflexões q tem colocado em seu blog, bem como a Vitor Hugo por reproduzi-las, num momento de baixíssimo nível crítico da imprensa baiana. Bela união informal entre o Por Escrito e o Bahia em Pauta. Bobos, tolos os que pensam, que num ambiente de quebra do monopólio da informação e da multiplicação das fontes de poder midiático, como o que vivemos, podem calar as vozes do pensamento crítico. Caro Vitor, o Bahia em Pauta precisa azeitar sua conexão com outras redes sociais ( os blogs são considerados o embrião), como o Facebook ( o BP precisa ter uma página no Facebook) e vc e Luis precisam estar também no youtube. Vamos construir esses canais, pois são poderosos e de baixo custo. Os milhões da propaganda enganosa jamais poderão deter a inteligência. Beijos para os dois.


rosane santana on 24 Maio, 2015 at 9:10 #

OBS: a inteligência autônoma e destemida. Viva o Pena de Aço, nossa fonte de inspiração.


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